No meu aniversário de vinte e quatro anos ganhei um presente que nunca imaginaria poder ganhar. Ganhei o cheirinho da vovó Zezé. Isso mesmo, o cheirinho dela dado por ela mesma. A vovó, que também faz aniversário pertinho de mim, me deu de presente um perfume, logo para mim que não sou de usar perfumes e cremes (esse último aprendi a usar, esporadicamente, graças a insistência da mamãe e da Marina).
Experimento o perfume e hummmmm que cheirinho gostoso, nossa com esse cheirinho sou capaz de começar a usar perfume diariamente. Fiquei ali meio extasiada com aquele cheiro tentando identifica-lo, tinha alguma coisa nele que era diferente, que era especial, ele despertava em mim um sentimento muito bom. E depois de prestar muita atenção me dei conta do óbvio, e não era que aquele era o cheirinho da vó Zezé. O mesmo cheirinho que desde a minha infância acompanhavam os abraços da avó de cabelos fartos e brancos e vestido “folhal” nas visitas ao seu apartamento cheio de porta-retratos, elefantes, e pequenezas dos mais diversos tipos.
Depois de acabada a visita, sozinha no meu quarto levo o pulso ao nariz e lá permanece o cheiro que traz recordações de tudo o que se relaciona com essa avó tão querida e tão avó. Os biscoitos de nata no final do ano, o bolo peteleco, a escova de dente de girafa (a minha escova preferida durante toda a minha infância), a samambaia na copa (aquela que nos dias de festa a tia Eneida carregava na cabeça), os milhares de objetos antigos ou nem tanto espalhados por toda a casa, a visita do papai Noel nas noites de Natal.
Colcha de retalhos tecida na velha máquina de costura que já parou faz tempo. Máquina que fez a minha fantasia de fadinha para um carnaval distante. Lembranças da arrumação antes de ir para a casa da vó Zezé, roupa impecável, cabelo arrumadinho, sandalinha da Xuxa, para as brincadeiras com aquela velha boneca com o cabelo espevitado e que chorava quando a colocávamos de cabeça pra baixo – “não chora bonequinha” -, de infindáveis cadernos de colorir coloridos com as melhores canetinhas do planeta, de alfinetes de cabeças coloridas que se transformavam em casas, árvores, céus azuis, sóis sorridentes em uma das mil almofadas do antigo quarto do Julinho.
E os almoços na casa da vovó? Sem dúvida a nossa alegria quando o papai decidia que ficaríamos para almoçar. Comida de avó da melhor qualidade, tudo bem temperadinho, o bife sempre o melhor do universo (até hoje não comi algum que chegue aos pés, nem quando fui para a terra das melhores carnes do mundo), a batata “solteira” (cozida e frita para os simples mortais).
Experimento o perfume e hummmmm que cheirinho gostoso, nossa com esse cheirinho sou capaz de começar a usar perfume diariamente. Fiquei ali meio extasiada com aquele cheiro tentando identifica-lo, tinha alguma coisa nele que era diferente, que era especial, ele despertava em mim um sentimento muito bom. E depois de prestar muita atenção me dei conta do óbvio, e não era que aquele era o cheirinho da vó Zezé. O mesmo cheirinho que desde a minha infância acompanhavam os abraços da avó de cabelos fartos e brancos e vestido “folhal” nas visitas ao seu apartamento cheio de porta-retratos, elefantes, e pequenezas dos mais diversos tipos.
Depois de acabada a visita, sozinha no meu quarto levo o pulso ao nariz e lá permanece o cheiro que traz recordações de tudo o que se relaciona com essa avó tão querida e tão avó. Os biscoitos de nata no final do ano, o bolo peteleco, a escova de dente de girafa (a minha escova preferida durante toda a minha infância), a samambaia na copa (aquela que nos dias de festa a tia Eneida carregava na cabeça), os milhares de objetos antigos ou nem tanto espalhados por toda a casa, a visita do papai Noel nas noites de Natal.
Colcha de retalhos tecida na velha máquina de costura que já parou faz tempo. Máquina que fez a minha fantasia de fadinha para um carnaval distante. Lembranças da arrumação antes de ir para a casa da vó Zezé, roupa impecável, cabelo arrumadinho, sandalinha da Xuxa, para as brincadeiras com aquela velha boneca com o cabelo espevitado e que chorava quando a colocávamos de cabeça pra baixo – “não chora bonequinha” -, de infindáveis cadernos de colorir coloridos com as melhores canetinhas do planeta, de alfinetes de cabeças coloridas que se transformavam em casas, árvores, céus azuis, sóis sorridentes em uma das mil almofadas do antigo quarto do Julinho.
E os almoços na casa da vovó? Sem dúvida a nossa alegria quando o papai decidia que ficaríamos para almoçar. Comida de avó da melhor qualidade, tudo bem temperadinho, o bife sempre o melhor do universo (até hoje não comi algum que chegue aos pés, nem quando fui para a terra das melhores carnes do mundo), a batata “solteira” (cozida e frita para os simples mortais).
Quantas deliciosas recordações podem morar em um cheiro? Em se tratando vó Zezé, essa avó que para mim sempre foi como um modelo do que são as avós, com seus infindáveis truques, comidas, doces, delicadezas, não há como não resgatar todos esses anos de deliciosa convivência regados de pequenos gestos, sutilezas e cheiros que ficarão impregnados em mim por todo o sempre.