quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Da Solidão

"Há muitas pessoas que sofrem do mal da solidão. Basta que em redor delas se arme o silêncio, que não se manifeste aos seus olhos nenhum presença humana, para que delas se apoderem imensa angústia: como se o peso do céu desabasse sobre a sua cabeça, como se dos horizontes se levantasse o anúnico do fim do mundo.
No entanto, haverá na terra verdadeira solidão? Não estamos todos cercados por inúmeros objetos, por infinitas formas da Natureza e o nosso mundo particular não está cheio de lembranças, de sonhos, de raciocínios, de idéias, que impedem uma total solidão?" (...)
(Cecília Meireles - Da Solidão)

Difícil é não se sentir só com tanta falta da verdadeira presença humana. Lembranças, sonhos, idéias acabam por encher ainda mais a sensação de vazio. O mundo se torna particular demais para a menina que ainda tem medo do escuro, do inseguro, e dos fantasmas da sua voz.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Titanic - a saga continua

É queridos leitores, sigo vivendo num Titanic. Para quem não sabe do que eu estou falando basta dar uma visitadinha básica no meu blog antigo, com as aventuras argentinas, e dar uma conferida na primeira e na segunda aventuras aquáticas que persistem em me perseguir. É isso mesmo! Mesmo longe daquela casinha que persistia em alagar, cá estou eu de novo à voltas à alagamentos, e à água, muita água (ainda bem que frequentei o Golfinho de Ouro na minha infância - senão não teríamos o relato nem do primeiro naufrágio).
Tudo começou com a nossa querida máquina de lavar, que mais parece um iceberg, que o digam os caras que fizeram a nossa mudança. Eu como a boaaaaaaaa dona de casa que sou coloquei a roupa suja pra lavar e lá fui eu me entreter com as minhas coisinhas: preparar aulas, ler, procurar artigos de primeira necessidade na internet, escutar música, falar com os amigos, fazer uns telefonemas, resolver um problemas... Enfim, até esquecer da roupa suja que tinha deixado para lavar.
Até que, de repente, não mais que de repente a campainha toca. Poxa, que estranho, fui lá ver qual era. O vizinho da frente, apontadno para o chão, e perguntando se vinha daqui de casa. No primeiro momento a ficha nem caiu, só vi a enorme rachadura no chão (eu tão lesada até achei que ele tava falando disso, e pensei, putz! mas isso deve vir do apartamento do lado, eles que estão reformando) e disse que ia dar uma olhada. Fui na cozinha dar uma conferida... e Plin, Plin! Putz! Tava tudo alagado! Já dava para nadar na área de serviço.
Não acredito! Vou desligar a máquina, mas a louca não para de jorrar água, tenho que ser radical e fechar o registro. Aff! Ó céus, ó vida! O jeito é arregaçar as mangas, ou melhor, a barra da calça e passar o rodo. Me dirijo ao corredor para falar com o vizinho. Tive ver o que os meus olhos definitivamente não queriam ver. Tinha água pra tudo quanto é lado, se perigar até invadindo os apartamentos alheios, sei que tinha água decendo escada abaixo, a situação tava feia. Ainda bem que moro no primeiro andar, imagina a água chegando a todos os moradores!
Então lá foi D. Flávia passar o rodo e dar um jeito na situação. Graças à alma bondosa da vizinha da frente, tive o reforço da moça que trabalha por lá, senão ficaria a tarde toda por conta de dar um fim naquele mar que saia por debaixo da minha porta. Passa o rodo aqui, passa o pano lá, torce o pano acolá, torna passar o rodo... E assim foi até mandar tudo garagem afora, secar tudo prédio adentro. Uff! O equivalente a uma semana de hidroginástica.
Doce ilusão de que tinha tudo acabado, mamãe chegou e a casa ainda estava alagada. E lá fomos nós, trabalhadoras braçais pra fuça para domar a força das águas. E mais rodo, mais pano e... Ufa! Tudo seco, tudo limpo, tudo lindo, e toda quebrada, toda molhada, toda arrasada. Mais um naufrágio, e mais uma vez sobrevivente euxaurida e com a leve impressão de que quando menos esperar essa saga vai me perseguir de novo. Força! Mas não sei... Sinto falta de alguma coisa nessa história... sei lá uma coisa assim bonita que se afoga...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Reencontros

Esse fim de semana foi de reencontros. Muito bom ver e ter o tempo de conversar com amigos que fizeram parte do meu dia-a-dia por quatro anos e que depois, por motivos mil, acabaram se tornando lembranças, fotos, casos, risadas em conversas sobre o passado... Engraçado poder reviver a presença dessas pessoas, tirar da poeira os casos e as lembranças em comum. Mas muito mais engraçado é ver como tudo é tão diferente e ao mesmo tempo tão igual.
Num primeiro momento não preciso nem dizer que todo mundo comentou da minha mudança de visual. "Nossa! Tem tempos que vc adotou esse novo visual?". "É... não sei, acho que tem. Você ainda não tinha visto?". Esquisto ser vista de outra forma, de perceber que as pessoas notam como você está mudada. Mas ao mesmo tempo isso é ótimo, afinal lutei tanto para mudar...
Mas mais engraçado do que ver a reação das pessoas em relação a você, é perceber que os outros também mudaram muito. Um que nunca tinha colocado uma gota de álcool na boca, de repente (ou não tão de repente assim) vira um grande admirador da nossa querida cachacinha. Outro que sempre foi um cara meio conservador (ainda mais em se tratando de uma turma de comunicação da Fafich) acaba saindo da comunicação se bandeando para o Direito (o que já foi uma grande surpresa, já que ele sempre odiou os tais calouros do Direito) e para a confusão de geral acaba adotando um visual faficheiro (isso mesmo ele se torna faficheiro depois de deixar o ninho e ir para o Direito, quem entende?). Ninguém consegue beber tantas cervejas como antigamente... Umas emagrecem, outras engoradam, outras ficam solteiras, outras ficam namorando, outras mudam de namorado, e ninguém fica na mesma.
Mas ao mesmo tempo tudo é o mesmo. São as mesmas pessoas, é o mesmo carinho que temos um pelos outros, é a mesma conversa solta, é a mesma cumplicidade, é o forró com os melhores parceiros, é aquele cara sempre bebado, é mesmo cara sempre no mesmo sofá. Enfim, é como se de repente revivéssemos o passado com uma nova roupagem. Ai, como gostaria de reviver os anos da faculdade com essa nova "roupagem". Como isso não é possível... que venham mais encontros.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Para a chuva

Em pleno verão e aqui estou de blusa de frio, curtindo (bom essa não seria a palavra certa, talvez algo como aturando seria melhor) a chuva na janela, o tempo feio, melancólico, daqueles que só dá vontade de deitar, ver filmes tristes, e comer até explodir. É dureza, mas é isso o que esse clima faz em mim. Podia ficar com vontade de sair, tomar chuva, sei lá limpar a alma, sujar o corpo, ser livre. Mas não é nada disso, o “bom” senso fala mais alto e a melancolia toma conta de mim.
É meus queridos, veio a chuva e ela acabou levando um pouco (ou muito) da minha empolgação e das minhas esperanças de ano novo. Então chuva faça um favor para mim, que já estou na pior. Pára de chover de uma vez por todas, antes que você acabe de levar o que ainda me resta: um fiapo de esperança, um cadim de otimismo, uma pitada de fé no futuro, e uma vontade enorme e louca de viver intensamente.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Castelos de areia

Começo esse post sem saber onde vou parar, que caminhos pecorrei, que pensamentos defenderei, que desabafos farei. Segunda chuvosa, sem muito o que fazer no trabalho, o que me resta a fazer além de pensar na vida? Bom, acho que não muita coisa, se estivesse em casa provavelmente iria arrumar umas gavetas, organizar algumas velharias. Enfim, então cá estou eu, mais uma vez, a pensar na vida.
O que se passa pela minha cabeça? Um milhão de coisas, velhas certezas, castelos que mau se construiram e já desabam, preocupações com a vida dos outros, e com a minha também, é claro! Das minhas certezas, nem preciso dizer delas, já são tão recorrentes, que essas vocês já sabem de cor.
Agora, dos novos castelos que caem... Bom, daí o assunto complica. O problema é que às vezes sou meio radical em certos assuntos. Igual no post passado, quando disse que não falaria de amor. Não sei se é isso mesmo ou se é apenas uma forma de fugir de um assunto que não me agrada, que na verdade, me cansou. Cansei dessa baboseira de "paixonite", cansei de ficar suspirando, cansei de esperar por uma coisa que nunca acontece, cansei de acreditar. Então fico sem saber se realmente mudei minha atitude em relação a esse assunto, ou é apenas coisa de uma garota cansada que precisa tomar um folego, esfriar a cabeça, pensar em um milhão de outras coisas (afinal, já perdi tempo demais esquentando a minha cabeça com os tais assuntos do coração). Não sei o que acontece... Mas espero, de verdade, conseguir deixar o tal do "amor" um pouco de lado, me concentrar em outras coisas, me divertir sem preocupações, enfim, ficar tranquila comigo mesma. Acho que é disso que eu preciso, de tranquilidade, para encontrar o meu caminho.
As preocupações? Essas são muitas, as que dizem respeito a mim, vocês também já conhecem porque eu não canso de dizê-las aqui. Mas agora o que me aflinge são outras coisas. Me preocupo com o rumo que toma a vida de algumas pessoas que eu amo muito. Me identifico com algumas situações e temo que as pessoas sofram muito por uma coisa que não vale a pena. Fico angustiada de não poder abrir os olhos delas, de dizer: olha, eu sei o que você está passando, eu já fiz esse caminho, por favor, não chegue ao extremo, rompa com isso logo de uma vez. Mas é vão! Eu sei, melhor do que ninguém, que às vezes é necessário que cheguemos ao extremos para conseguirmos, finalmente, rompermos. O que fazer? Só me resta ficar atenta, dar suporte, e tentar não me angustiar tentando o impossível: fazer que os amigos não sofram, naquela velha ilusão de tentar protegê-los. Mas que mané proteger! Proteger não é não deixar o outro sofrer, pois sem isso ele não é capaz de aprender. Proteger, é deixar que ele viva o que tem que ser vivido (inclusive o sofrimento) e cabe a nós apenas a nossa presença (silenciosa ou não - no meu caso ela costuma ser bem barulhenta rs).

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Amor: shhhhhhhhhhhh

"Não vou falar mais falar de amor, de dor, de coração, de ilusão". Meta ousada essa, né? Mas é isso mesmo. Não chega a ser um esforço parar de falar nessas coisas. Até acho que é por isso mesmo que meu blog anda meio parado. Afinal, se não falo mais de amor, de dor, de coração, de ilusão do que falarei em um blog cujo nome é Esvazia a Alma? É... acho que cheguei num ponto crucial. Ao reler os últimos post penso nisso. De repente foi uma falta de assunto, é como se eu estivesse vazia, é como se finalmente eu vestisse a alcunha de coração gelado que já me deram há muito tempo.
É queridos leitores, se é que vocês ainda existem (se existirem se manifestem, ainda que anonimamente, nesse post) acho que cheguei em uma encruzilhada. Voltar a falar de amor e cia e me pegar a escrever megas post emotivos acho que não será o caso. Não deixo de fazer isso como opção, mas como uma circunstância da minha vida. Não sei explicar mas meu caminho vai me distanciando, a cada dia mais, dos tais assuntos do coração. Não, isso não significa que eu não goste mais, que eu não estou aberta a amar de novo. Isso significa, apenas, que levo as coisas de uma maneira mais tranquila agora. Minhas prioridades estão longe de ser minha vida amorosa. O que quero para mim nesse momento, o que me aflige, é dar um rumo na minha vida profissional, é conseguir a tão sonhada idependencia finaceira, é, enfim, ter o meu cantinho, sair do ninho (em definitivo dessa vez). Depois disso, sempre tenho como prioridade estar perto dos meus amigos. Com isso já me sinto feliz, repleta, se rolar um amor bem, se não rolar estou bem do jeito que estou. E por incrível que pareça não digo isso da boca para fora só porque estou sozinha e tenho que parecer bem com isso. Digo do fundo do coração, claro que às vezes me bate aquela carência e uma vontade louca de ter um namorado pertinho para dar aquele mega abraço, dormir no colinho, e dar aquele beijo cumplice. Mas é uma vontade que dá e passa, nesses dias escuto uma musiquinha boa, desabafo com alguns amigos, às vezes chego até relembrar o passado. Mas logo passa e volto ser a garota tranquila com sua falta de relacionamentos amorosos mais sério.
Às vezes chego até pensar que não conseguiria mais namorar. Mas isso é pura bobagem. É certo que não consigo mais namorar só por namorar, só para não estar sozinha. Isso não, eu tenho uma vida muito boa e feliz mesmo sendo "sozinha". O certo é que falar de amor para mim agora não será mais falar de dor, de ilusão. Se um dia eu voltar a falar de amor será para dizer de amizade, cumplicidade, dessas coisas que só grandes amores-amigos são capazes de proporcionar. Enfim, não vou mais falar de amor, o que eu quero é "movimento, é o vento, é voar... voar".

domingo, 6 de janeiro de 2008

De repente ...

2008 chegou e aquela energia que estava quase no fim se renova, renovam-se as esperanças, e tudo parece revestir-se com um novo ar. E como foi o meu ano novo tirando todo esse blá, blá, blá? Melhor impossível. Estava com minhas amigas queridas do coração, com uma turma super bacana, num lugar massa, com festa até dizer chega. Posso dizer que foi um verdadeiro descarrego, foram dias de tanta festa, tantos causos, tantas farras, tantas risadas, que todo o peso, toda a preocupação, todas caraminholas se desvaneceram. E para onde eles foram? Ainda não sei...Não deu tempo para encontrá-los ainda, por enquanto só deu tempo de começar a me recuperar das boas-vindas de 2008.
Não sei, mas algo me diz que as preocupações olvidadas, as caraminholas não se foram junto com 2007. De certas forma lá estão elas escondidas no animo novo, meio travestidas nas esperanças de um ano melhor.
É estranho pensar que uma convenção, como a virada de ano, tem essa capacidade de transformar as coisas. O que é rugas, preocupação, medo se transformam em leveza, esperança, planos. Agora só resta saber até quando dura essa metamorfose.