segunda-feira, 21 de julho de 2008

Lua - sensações

Fim de tarde, um viaduto de grades vermelhas a percorrer e, num céu ainda azul, vejo ao longe algo que não acredito que seja a lua tão grande e redonda quase a tocar a serra. Nossa, penso, que lua! Sigo meu caminho sem conseguir desviar dela, estava hipnotizada. No momento seguinte, balanço a cabeça e penso, não, não é possível que ela seja real, deve ser uma parabólica moderna ou, quem sabe, um disco voador. É, é mais provável que seja isso mesmo. Descrente, me desfaço da hipnose e sigo meu caminho, olhando, o trem, as pessoas, a vida que passa pelo meu caminho.
Nenhum transeunte tira dos meus olhos aquela visão (é que sou do tipo que anda pelas ruas reparando e observando a diversidade humana). Mesmo com o olhar móvel, a imagem permanece fixa em mim. Logo, surgem os pensamentos, aqueles que insistem em surgir quando me deparo com uma lua cheia. Putz, penso, de novo?!
Fujo deles, por mais que eles sejam muito mais fortes que eu. Ocupo-me com mil coisas, para não me ver, de novo, com os mesmos pensamentos, as mesmas ações. Em vão, dia seguinte e lá está ela de novo deslumbrante no céu da cidade. É, penso, realmente não era uma antena ou um disco voador... Faço uma força tremenda e aos trancos e barrancos desvio o pensamento que insiste em vir.Terceira noite, e lá vem a danada de novo. Ela busca meu olhar, e dessa vez, não há como resistir. Bingo! Lá estou eu, mais uma vez, submersa em imagens e sensações. Lua cheia, janelas azuis, rede, quintal, gato, música, entrelaces...

domingo, 6 de julho de 2008

Dói-me o estômago

Ontem escrevi o post que está logo aqui embaixo, e nele disse haver percebido a verdade, essa de que não inspiro sentimentos “nobres” que podem levar ao amor. Estava falando no tal amor romântico e blá, blá, blá. Até aí tudo bem não inspirar tais sentimentos, até porque nem sei se conseguiria lidar com eles melosos e grudentos como costumam vir. O problema todo foi ouvir uma outra verdade. Essa sim dura demais. Foi como um soco no estômago, e também tem a ver com inspirar sentimentos em outras pessoas.
Antes do soco, propriamente dito, uma explicação. Depois de haver rompido um relacionamento de 2 anos e meio, isso lá em princípio de 2006, comecei a dar uma importância à amizade como nunca havia feito até então. Amigos, assim como minha família, sempre em primeiro lugar. Qualquer hora do dia ou da noite que algum amigo precisasse de mim lá estava eu, para dar o ombro, para acompanhar nos programas de índio, para descontrolar numa balada, para conversa fiada, para escutar os problemas. Enfim, lá estava eu, pau para toda obra.
De um tempo para cá me cansei. Falei aos meus amigos que tava cansada de animar todo mundo, de ficar mobilizando sempre Deus e todo o mundo para sair e blá, blá, blá. Que eu é que estava precisando que me chamassem e me animassem. Parece que ninguém me levou a sério, me falaram: “Que é isso, Flavinha? Você é a mais animada, a mais querida, a mais ‘aglutinadora’. Claro que você vai estar sempre presente em tudo, né?”. É... não sei não.
Daí ontem, como em outros finais de semana, cá estava eu sozinha em casa. Ao contrário do que era “normal”, nada de enxurrada de telefones, muito porque eu já estava sem saco, como disse antes, para ficar mobilizando a todos. Telefonemas? Bom, só uma amiga que queria saber como eu estava, perguntar do trabalho e dizer que esse final de semana não ia rolar de sair porque era niver da vó, mas que queria ver se nos encontrávamos depois. No que eu disse que não estaria no próximo fim de semana, e ela sugeriu um almoço, pois estava com saudades. Tudo bem, alguém finalmente demonstrando interesse em, realmente, conversar comigo.
Mais tarde uma outra amiga me liga perguntando qual é a boa do sábado. No que eu logo respondo, que não sabia, que ninguém havia me procurado, que eu não tinha procurado por ninguém, mas que estava afim de sair, que era só me convidar que eu ia. E quem disse que veio o convite? No lugar disso só um então vou ver o que rola e logo te ligo. Além disso, só uma pergunta pela minha voz desanimada. No que eu disse, que estava meio assim mesmo. Talvez um ensaio de interesse real pela minha pessoa.
Lanche com a família, e eu ainda sem nenhum convite para sair. Nessa, a verdade, o soco saído da boca do meu pai, sempre ele para me dizer as verdades mais doloridas. “Vocês já perceberam que os amigos da Flávia só ligam para ela quando não tem nada para fazer?”. Na hora, panos quentes, “que isso? Não é bem assim”. Riso amarelo da minha parte “ah, não é assim que as coisas funcionam, né?”.
Verbalizei uma coisa e pensei outra. Pior que é verdade. Meu Deus! Que droga de vida é essa? Putz, faço de tudo para meus amigos e que recebo em troca? E olha que nunca fiz nada pensando em receber algo em troca. Mas, não custa nada dar um telefonema ou fazer um convite a quem se diz "querer bem", não é mesmo? Bom, pelo menos acho que não.
Por essas e outras que quero dar uma sumida, sair do circuito, respirar outros ares, passar os fins de semana longe, ir para São Paulo. Quem sabe assim saudade de mim, que se resume a falta de programa melhor, se transforme em falta da minha presença? Não sei... Já não sei de mais nada.

sábado, 5 de julho de 2008

E agora?

E agora? Me pergunto. E agora que a vida profissional parece começar a entrar nos eixos? Agora não posso mais varrer para debaixo do tapete os outros aspectos da minha vida. A bem da verdade é que quando a minha vida profissional andava mal tinha a desculpa, que nem era tão desculpa assim, que não podia cuidar de outras coisas. Afinal, tinha que focar em conseguir um emprego na minha área, esse era o foco e nada nem ninguém podiam me desviar do meu propósito. Emprego conseguido, claro que não posso me descuidar desse aspecto, afinal meu contrato, a princípio é só até novembro. Mas fato é que posso respirar um pouco. Mas paro para respirar e olho ao meu redor e me pergunto e o que eu tenho além da minha vida profissional? Putz, comecei com a corda toda, trabalhando a valer. Paro e vejo que em todo momento que me foquei nisso deixei totalmente de lado as outras coisas. Porquê? Pode ter sido só para concentrar as minhas energias no campo profissional...
Mas a bem da verdade é que nem eu caio nessa conversa. Não foi para focar na minha profissão que deixei as outras coisas de lado. Deixei-as de lado porque a bem da verdade é que me cansei de lidar com elas, não sei o que fazer para arrumar essas outras esferas. Sinto-me uma grande incompetente. Isso mesmo, uma incompetente.
Tenho que admitir que a linha que adotei para levar meus relacionamentos “amorosos” faliu completamente, apesar de ser uma linha tida como pós-moderna e bacana. Para quem vê de fora pode até pensar “putz, que menina bacana. Leva a vida dela tranqüila, no foda-se para os homens. Fica com quem bem entende. Se querem ela bem, se não querem amém, problema deles”. É foda, mas o esforço despendido para parecer tudo bem, e eu estar desencanada, às vezes é alto demais. São dias de uma solidão avassaladora, é pensar nos outros e ninguém pensar em ti. É ninguém te ligar no fim de semana, ou mesmo no meio da semana, para perguntar como foi o seu dia e se você está afim de tomar um sorvete ou sair com uma turma diferente da sua.
Não sei se não saio dessa por um fiapo de esperança de que esse esquema ainda pode dar certo ou se por pura incompetência para sair dele. Penso, e nem preciso pensar muito, para perceber a dura verdade. A verdade é que não inspiro em outras pessoas a magia, o encantamento meio cego, essa coisa essencial para o “amor”. Complicado, mas quanto mais pós-moderna e bacana mais complicada ficam as coisas no plano “amoroso”. Acho que sou imperfeita e complicada demais, para caras que almejam as perfeitinhas e bonitinhas em excesso, e dessa fase, já passei faz tempo (graças a Deus!).

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Minas

Final de semana passado viajei a trabalho. Viagem de trem para o Vale do Rio Doce. Viagem bonita cheia de sensações. O trem seguindo o seu trilho, o lindo mar de morros das Gerais passando pela janela com o vagar que ela merece. Durante todo o trajeto eu só pensava, isso merece um belo post no blog, já que não tenho aqui comigo uma máquina fotográfica para compartilhar o que os meus olhos de mineira apaixonada por sua terra viram. Muitas coisas passaram pela minha cabeça durante o trajeto sobre a mineiridade, o trem, o ferro, Carlos Drummond, essa Minas que se impregna na gente. Pensei comigo, ao me deparar com a Minas que passava sem pressa pela janela, “agora entendo porque mineiro vai de trem”. O trem me deixou numa estação vazia, abandonada quase, só poeira e a sensação de uma viagem no tempo. Não, não tinha viajado no tempo, era a Minas que não conhecia, essa sim anda devagar, muito diferente do ritmo meio frenético belo horizontino ao qual me acostumei. Sensação muito agradável de ter a oportunidade e os olhos muito abertos e sedentos de ver essa nova Minas. Bom sentir-se livre, vida com gosto de pé-de-moleque, na frente o horizonte azul e repleto de montanhas, e no peito a inesquecível sensação dos apaixonados. É, o mineiro pode até deixar Minas, mas Minas nunca sai da gente. Assim que me sinto, a cada dia há uma Minas mais forte dentro de mim. A cada trem, a cada pé-de-moleque, a cada pão de queijo, a cada cafezinho com broa, a cada poema de Drummond, a cada olhar à Serra do Curral, a cada uai, me embebedo apaixonadamente dessa deliciosa Minas Gerais.

sábado, 14 de junho de 2008

Pensamentos breves

Sinto que estou distante do blog, apesar de que não fazem nem duas semanas desde o meu último post. É que muitas coisas aconteceram de lá para cá e não tive muito tempo para escrever, afinal nem sequer pude assimilar tudo direito. As coisas vão tomando seu lugar aos poucos.
Duas semanas e uma mudança de rumo, novo trabalho, nova história, novas perspectivas. Tudo se encaminha para mim, sinto-me bem apesar de algumas pessoas queridas estarem com problemas graves (bem graves eu diria).
Hoje, finalmente, sinto que despertei e sai da banheira na qual estava me afogando, é que a vida bateu na minha porta.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Hoje sinto que essa música fala de mim. Ou melhor, eu falo através dessa música....

Ángel (Llegas)

No vi las cosas apartadas de ti
Directamente soportabas la luz
Este silencio inmenso desde aun
Es doloroso esta tan sobrio
Hace frio aqui
Abrigate
Tengo tanto miedo de volverte a ver
Si lo que quieres lo pudiste elegir
Despues de todo fue un desperdicio
Tal vez mañana me arrodille a rezar
En las fronteras no hay atoes
Otra vez tu madre
Me vencera
Hasta que puedas descansar
Ahora me voy
Se ha bajado el telón
Llegó la fecha de mi vencimiento
Consigo un supervisor
Que no sepa quien soy
Que me ponga ausente
Y que pase el siguiente
Me ha faltado la respiracion
Ahora he comprobado
Que somos más
Que sangre y barro
Somos las cosas que ha pasado
Hace frio aqui abrigate
Tengo tanto miedo de volverte a ver
Ahora me voy
Se ha bajado el telon
Llegó la fecha de mi vencimiento
Consigo un supervisor
Que no sepa quien soy
Que me ponga ausente
Y que pase el siguiente
Me ha faltado la respiración
Despues de tantas voces
Yo me siento normal
Herido despertando
No ha sido casualidad
Donde, donde te voy a encontrar
Si aqui adentro
Siento una necesidad
De decirte
Que he conocido un angel
Susceptible
Y que me quiere llevar
El poliniza miles
De canciones y cicatrices
Que las hace brotar
Dame un poquito no mas
Dame un poquito no mas

sábado, 31 de maio de 2008

Sem choro nem vela

Sempre que ando de ônibus me perco em pensamentos, nas ruas, nas pessoas, nos ruídos, no movimento incessante da cidade, na arquitetura urbana. E, dia desses numa dessas minhas viagens saltam aos meus olhos a cada instante, tanto que não resta nem tempo para respirar, publicidades, mil delas, outdoors, vitrines, cartazes, um monte de impulso visual me lembrando do dia dos namorados.
Mas, putz! Já? Que saco! Primeiro, porque tenho verdadeira antipatia com essas comemorações comerciais. Muito desagradável ter a obrigação de demonstrar nosso carinho (comprar presentes) pelas pessoas em determinadas datas. E se no dia eu estiver brigada com a pessoa? E se eu estiver de mau humor? Se não quiser ver ninguém? Então quer dizer que sou uma desalmada sem coração porque não comprei nenhum presentinho para a minha mãe no “dia dela”, ou porque estava na pindaíba, ou porque simplesmente não encontrei algo que diga de nós duas, ou ainda porque não estava com a menor paciência de enfrentar essa fúria do comércio? Ah! Faça-me o favor! Não tenho, e não tenho mesmo, a menor paciência para isso, ainda que eu adore dar presentes, que eu adore comprar coisas que sejam a “cara” das pessoas com quem convivo.
Bom, já odeio as datas comerciais, mas é pior ainda se é dia dos namorados. Aí que minha ojeriza aumenta uns 100%. Porquê, os senhores devem estar se perguntando. Os motivos são simples e faço questão de enumerá-los a seguir.
1- Porque sempre quem passa o dia dos namorados sozinho é visto como fracassado? Odeio as pessoas perguntarem o que você vai fazer nesse dia e te olharem com aquela cara de desprezo quando você responde que não vai fazer nada, que vai para casa, como todos os dias normais, jantar com a sua família e assistir a sua querida novela das oito. Porque isso? Virou crime ser solteiro, ou então não ligar para esse tipo de coisa?
2- Se existe dia dos namorados porque não existe o dia dos solteiros? Não seria justo? Mas é claro que não existe, porque essa não seria uma data rentável para o comércio, né? Imagina se alguém vai dar aquele presente para o solteiro mais bacana que conhece? Claro que não... Ser solteiro não merece um “prêmio” especial. Apesar de que, venhamos e convenhamos, uma pessoa que consegue ser solteiro com estilo bem que merece um prêmio, não é não? Se bem que o melhor prêmio é a vida tranqüila sem encheção de saco.
3- Porque eu tenho trauma de dia dos namorados. É isso mesmo, tenho trauma e não tenho problema nenhum em falar disso. Nesses meus 24 anos de vida eu estava namorando somente dois anos nessa data fatídica, e em um outro ano eu estava meio enrolada...
Minha primeira vez com namorado no dia D, expectativa mil, sonhos os mais maravilhosos, felicidade estampada na cara (é que nessa época eu ainda era uma garota romântica), e que coisa... Eu toda feliz, vou passar o dia inteirinho com o então namorado querido do coração, e qual não é minha surpresa quando ganho de presente um livro cujo nome é “Mujeres Alteradas”. Como assim? Que coisa mais anti-romântica. O meu então queridíssimo namorado estava me chamando de alterada? É para namorá-lo... Mas, enfim. Como gostar de tal data com um começo um tanto quanto diferente?
Segundo dia dos namorados, com o mesmíssimo da história anterior, aí sim surgiu o romantismo. Jantar a luz de velas, vinho, chocolate, pétalas de rosa... A intenção foi boa, só o menu que não ajudou muito. Não lembro exatamente o que era, mas não era lá o meu prato preferido...
O terceiro. Bom o terceiro foi com mais de mil quilômetros de distancia me separando do cara com que eu estava enrolada. Ou seja, nada de encontro, beijos, jantar, vinho e todo esse blá, blá, blá. Simples e nada piegas, talvez por isso possa ter sido o melhor.
Ai, ai, ai. E aqui jaz o meu grito de morte a essa data esdrúxula que deveria ser banida do nosso calendário. Morte ao dia dos namorados! E tenho dito.