terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eu prefiro (?) ser essa metamorfose ambulante

Já dizia Raul Seixas que o melhor mesmo é ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.Opinião essa compartilhada por um monte de pessoas, eu até arriscaria dizer que é, quase, uma unanimidade.
Mas, enfim... Não toh aqui para falar do Raul. Quero, ou queria (nem sei mais), era falar da tal metamorfose, tema de Raul, Kafka, Sandra, Flávia (!) .... Mais do que uma mudança de opiniões, de quebra de (pre) conceitos, a metamorfose também implica em uma mudança de aparencia (além da essencia), não é a toa que a larva vira borboleta e o homem vira barata. Apesar das metamorfoses da vida real não serem, muitas vezes, tão radicais, o fato é que elas implicam, sim, em mudança de aparencia.
A primeira vez em que comecei a pensar realmente nesse tema fo na aula de Psicologia Social II, isso no segundo semestre de 2005 (se não me engano). Já no primeiro dia de aula a professora Sandra Azevedo, abordou o tema que iria nos guiar durante todo o semestre, mas muito além de teóricos, linhas de pensamento, ela falava do plano pessoal mesmo (aspecto que realmente me chamou a atenção). O fato é que aquela disciplina, realmente, mudou a minha vida. Vimos o movimento feminista, o método educacional de Paulo Freire, Pichon Riviere, um monte de coisas que agora não me acordo bem, e, inclusive, fiz um trabalho sobre a Metamorfose de Kafka. Tudo bem, aprendi muitas coisas, mas isso não foi o mais importante. O importante é que a partir daí comecei a rever as coisas, meus conceitos, minha vida, e o que eu, realmente, queria para mim (não aquilo que eu achava que eu queria, ou que todo mundo queria para mim, mas aquilo que me deixaria feliz para além da conta).
O processo todo é muito complicado, e nem sei bem como ele se deu. Só sei que mudei, rompi (algumas vezes drásticamente) com coisas, fiquei com muito medo das escolhas que fiz (mas escolhas são mais do que necessárias, e se você faz com o coração, por mais que você erre, é um alívio poder tê-la feito), e fiquei mega feliz quando deslumbrei que tava mais perto do que eu tinha traçado como ideal para mim.
O fato é que qualquer mudança real (dessas que, quase, podem ser chamadas de revolução) vem acompanhada de um cambio visual também. No meu caso, por exemplo, quando eu vi que já tava tudo dirente, senti que o visual não "batia" e lá fui eu "descontruir" a cabeleira (sim, leitores, a primeira mudança visível em uma mulher são nas madeixas). E de lá para cá sofri várias pequenas mudanças nos cabelos (umas meio contra a vontade, lembrem-se do caso do cabelo argentino) que bem podem ser reflexo (ou não) das mudanças que aconteceram comigo (aí também se incluem aquelas que acontecem contra a nossa vontade). Vejo as fotos e parece que já faz tanto tempo, mas não tem nem 2 anos. Parecia tão menina... daquelas fotos quase que só reconheço o olhar, o sorriso (que permanecem praticamente os mesmos), e os traços de quem já fui um dia.
Volto a ver as fotos atuais e me sinto (não digo completamente, porque isso é meio missão impossível) feliz. Gosto, de verdade, de como sou hoje, me sinto em casa com as coisas que penso, em como ajo, como levo a minha vida, e com meu visual também. Daí bate aquele impulso comodista, para quê mudar mais??? Mudanças só as profissionais. Não quero mais grandes metamorfoses. Mas logo caio em mim e vejo que é impossível, é como disse um amigo uma vez: "é uma espiral descendente". Mas que doideira é essa de espiral??? Na explicação desse meu amigo é quando entra num determinado processo no qual é impossível sair a não ser quando ele acaba de vez (nesse caso, quando passamos dessa para melhor). Uma vez que nos abrimos e nos permitimos revolucionar nossas vidas, nos tornaremos novos a cada dia (mesmo contra nossa vontade). O que fazer? Também não sei mas acho que pode ajudar se nos desapegamos de nossas fotos, sabendo que mais cedo ou mais tarde não nos reconheceremos. Mas resta o conforto de que sempre haverá um vestígio, algo que nos acompanha...

Nota: Queria colocar uma foto estilo "Antes e Depois", mas desiti. Afinal, isso não é revista de beleza e também vai que nela vocês vejam a mesma Flavinha de sempre e toda a minha tese vai por água abaixo??? Nem pensar!!!!!

4 comentários:

Denis Marco disse...

muito bom,
adorei a espiral descendente.
bjokas
D

lumesquita disse...

Querida Fla,
"é fácil dizer, agora o oposto do que eu disse antes, eu prefiro ser esta metamorfose ambulante".
Acho que vc deveria ter se arriscado com as fotos, pois com certeza sua tese vingaria...
Bjim da
Lulu

Anônimo disse...

Olha estes versos do Dom Hélder Câmara, falando sobre este tema :
"Feliz de quem entende
que é preciso mudar muito
para ser sempre o mesmo..."

Beijos da mama

Anônimo disse...

huum muito boom, vc acaba de me ajudar a fazer minha redação....suihsuihaiush