segunda-feira, 31 de março de 2008

Dos desejos

"Desejo é rapto, não é troca", apenas uma frase mais ou menos solta em meio à minha leitura. Mas como essas pequenas coisas são capazes de nos reter. Li, pela primeira vez com uma certa estranheza, mas segui minha leitura. Só que a leitura seguia e eu não pensava em nada além daquela frase. Voltei e li mais um milhão de vezes: "Desejo é rapto, não é troca".
Hummmm, interessante... Mas o que isso tem a ver comigo? A frase seguinte já me respondia: "uma pergunta sem resposta". Nossa, penso, realmente meus desejos são matéria de "estranha complexidade". Mas, peraí essa frase não me chamou a atenção por causa dos meus desejos, mas por causa dos desejos de uma outra pessoa (por mim?).
É isso mesmo, não sei se ele me deseja de fato, mas é real que quando ele me olha com aqueles profundos e misteriosos olhos azuis ele me rapta para o seu mundo de portas e janelas azuis, onde habitam gatos, música, cinema, vinho, queijo, tudo com uma leve penumbra misteriosa.
Enquanto tento transformar, em vão, tal desejo em troca (de confidencias, de segredos, de carinhos, de gestos ou de simples palavras) ele simplesmente me pega de surpresa, me leva para seu mundo particular, me despe dos meus pensamentos, das minhas tentivas de troca e já não sei para que me esforço tanto para entendê-lo.
Realmente desejo não é troca, ele é uma coisa que vai além do nosso consciente, é coisa que mexe em nossas entranhas, que nos rapta do pensamento superficial, e nos leva para a esfera do inimaginável.
Maluco? Bom, diria que é misterioso como a leve penumbra que envolve o mundo desse alguém que tem o poder de me raptar assim de repente, não mais do que de repente, e assim sempre de repente...

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