quarta-feira, 7 de maio de 2008

Felicidade

Felicidade é coisa muito particular, cada um é feliz a sua maneira. Cada um tem os momentos de felicidade que lhe cabem, de acordo com sua individualidade. Uns precisam de grandes castelos, outros apenas uns grãos de areia...
Para mim a felicidade pode habitar milhares de espaços. Lá está ela na noite de lua cheia, no sorriso cúmplice, no olho no olho, num gesto de afeto, num e-mail vindo de longe, num telefonema inesperado, numa mensagem que chega numa tarde ociosa, numa risada despretensiosa, numa conversa fiada, num encontro sem hora para acabar, na mão amiga de quem sabe de tudo mesmo que você não diga nada, na companhia em silêncio, numa música que traz boas recordações, nas fotos antigas, na janelinha que pula, no amigo que te pergunta “como você está” justo no dia que você mais precisa, no encontro inesperado no meio da rua, no bolo de cenoura com cobertura de chocolate, pizza no fim de semana, rosbife em pleno dia de semana, coca-cola bem gelada numa tarde quente, cerveja no boteco da esquina com os amigos mais queridos, de repente escutar um “Che, boludo!”, janelinhas pulando, falar espanhol, ir no meu cinema preferido no domingo à tarde, ver filmes argentinos, comer empanada, amigas em casa, dançar até não se aguentar mais em pé, cachoeira, praia, sítio, piscina + churrasco num dia de verão, friozinho, vinho, queijo, edredom, poesia, ficar sozinha, ter uma boa companhia, chegar em casa com o dia amanhecendo feliz da vida... Isso tudo e mais um pouco junto numa caixinha e posso materializar o que me faz feliz.
E você? O que te faz feliz?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ser o outro

Na vida da gente sempre acontecem coisas que nos fazem parar para pensar um momento e, quem sabe, nos fazem mudar de rumo. Hoje recebi uma notícia triste e que mexeu bastante comigo. Uma amiga contou que o Pexe, um cara de 20 e poucos anos, que morou na mesma casa que eu em Córdoba só que nos segundo semestre de 2006 (eu estive por lá no primeiro semestre daquele ano) havia morrido esses dias de câncer. Apesar de não o ter conhecido pessoalmente, fiquei chocada e bem triste. Afinal, ele era grande amigo do Ricardo (esse sim um big hermano) e já tinha ouvido muito casos dos dois e das suas aventuras em terras gaúchas. E sempre tive uma visão dele, como sendo assim como o Ricardo, um moleque cheio de vida, super alegre e divertido. Putz! Difícil pensar que um jovem de 20 e poucos anos (acho que ele era mais novo que eu), recém formado tenha ido assim, ainda com um futuro todo pela frente.
Foi um banho de água fria. E o que eu tenho feito da minha vida? A vida é realmente muito curta. Fico aqui reclamando, fico entediada, às vezes, acho que tudo está errado, que está tudo ruim. Mas que isso! É preciso que certas coisas aconteçam para que a gente perceba que cada dia é um milagre, e que ao invés de ficarmos aqui reclamando, e falando que podia ser assim e não assado, temos que “apenas” viver. E viver cada instante plenamente, desfrutar o máximo cada coisinha, cada amizade, cada presença, cada saudade, cada sorriso, cada palavra, tudo, tudinho até a “última gota”. É preciso lambuzar-se de vida, e ainda assim parece que sempre restará a sensação que nunca é o suficiente.
E olhem só que coisa. Com essa notícia do Pexe não pude deixar de pensar “e se fosse comigo? E se eu morresse amanhã? O que ficaria? O que eu deixaria? Quantas coisas ainda por fazer, tanta vida ainda para viver”. E ainda absorta nesses pensamentos vou preparando minhas aulas de espanhol quando me deparo com um texto que, putz, (é isso!) fala disso de se colocar no lugar do outro. Nada que eu fale aqui vai conseguir explicar, então cliquem por aqui e leiam o texto Ser el outro. Ele foi publicado no blog do Xavier L., um cara que está internado numa clínica psiquiátrica uma história impressionante.
Bom, e por aqui vou ficando, voltando à minha vida com muita gana de ser feliz.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Vagón Fumador


Ontem, domingo mais tedioso e mais demorado do que o normal. Estou irritadiça, cansada, de saco cheio. Na tv só se fala no caso Isabela, já não posso mais! Contrariando minha falta de sono me recolho ao meu quarto. Numa última tentativa antes de ficar rolando na cama, resolvo ver se alguma coisa no Canal Brasil salva essa noite domingueira. E que sorte a minha, já ia começar a sessão “Cone Sur”, ainda bem não sei se agüentaria um filme nacional, filme argentino inédito (para mim), melhor ainda.
Começo a ver o filme sem a menor idéia do que se trata e de onde ele vai me levar. Melhor assim, sem expectativas, sem frustração, tudo uma grande surpresa. E assim vai o Vagón me levando para o sub mundo de Buenos Aires, contando a história de um garoto de programa e de uma jovem, Reni, que já está farta de sua vida.
Não sei dizer ao certo se gostei ou não do filme, arrisco a dizer que gostei. Mas não posso deixar de dizer que ele mexeu comigo, de uma forma estranha que nada tem a ver com gostar ou não gostar. Não digo que fiquei angustiada com as cenas que revelam o sub mundo bonaerense, o sexo no caixa eletrônico, o ménage (se bem que essa cena mexeu comigo, não pela cena em si, mas pela a expressão de Reni). O que mexeu comigo, ainda não sei explicar que sensação experimentei, foi aquela menina cansada de sua vida, foi aquela banheira que pouco a pouco se tornava rubra, as coisas que ela disse, os sonhos que ela tem. É a identificação com essa jovem que também quer ser uma serpente, mas não que passa de um coelho.

O filme acabou e eu fiquei em cólicas (literalmente, não me agüentava dentro do meu corpo, parecia que eu precisava expelir, urgentemente, algo). Já não podia dormir. Sentia-me sufocada em meu quarto, em mim. “Estás solo y ya no puedes dormir. ¿A quién vas a contar tus pesadillas?”.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Cansei

Cansei! Cansei do senso comum, cansei das mesmas perguntas, cansei de tentar responde-las, cansei de ter que ter uma explicação para tudo. Porquê não podemos simplesmente seguir em frente, nos perdermos em nós mesmos, nos encontrarmos de repente, sem ter que ficar falando, ficar racionalizando cada passo? Não seria tão mais fácil se todo mundo reconhecesse que cada um possui uma verdade, em vez de ficarem tentando encaixar situações (totalmente únicas) em modelos que a MINHA verdade diz que é totalmente falido?
Não, as coisas não são tão simples como gosto ou não gosto, fico ou não fico, quero ou não quero. Pode ser assim para pessoas assim, pode funcionar para um montão delas. Mas para mim isso não funciona. A minha situação não comporta, não se encaixa nesses velhos modelos. Há outros fatores que as pessoas parecem não ver. Não é, apenas, questão de gostar, de querer, de desejar, há também a vida, o tempo, as crenças, o passado, as expectativas de futuro. Não podemos simplesmente jogar isso fora, desrespeitar a individualidade de cada um exigindo respostas simples como sim ou não.
Não entendo porque as pessoas não conseguem ver que entre o sim e o não existe uma terceira via a ser traçada, única e exclusivamente por nós. Não é tão mais autentico traçarmos nosso próprio caminho, de acordo com nossos gostares, quereres, desejos, vida, tempo, passado e futuro? Não poderia dar muito mais certo fazermos o nosso caminho do que simplesmente adotarmos os que o senso comum acha possível?Agora minha ando na terceira via, mais pela impossibilidade de me encaixar do que pela repulsa das outras vias. O que me causa repulsa é o não entendimento do que foge do senso comum.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Dos contos de fadas

Essa semana em conversa com uma amiga sobre relacionamentos, tema predileto da conversação feminina, ela me disse que se sentia frustrada que podia parecer besta, mas que ela no fundo sonhava viver em um conto de fadas. Na hora respondi que todo mundo sonhava viver um sonho de fadas, ter seu happy end para todo o sempre. Acrescentei que há muito eu já não sonhava viver um conto de fadas, que a minha vida estava mais para um Sexy and the city. Fiquei pensando nisso e em outras conversas que tive, uma também essa semana, e outra há alguns bom anos.
Primeiro sobre o conto de fadas. Bom, não sei bem quando passei a não querer-los como objetivo de vida. Fato é que nos meus 15 anos queria ser a Cinderela, e que mais recentemente fui comparada à Branca de Neve. Mas no fundo já faz tempo que não quero um conto de fadas. Porquê? Sei lá, acho que é mais interessante viver várias coisas, vários amores, do que simplesmente sofrer, sofrer, sofrer e depois como uma compensação encontrar um príncipe assim bonitinho, e sem muita personalidade (já perceberam que nada sabemos dos príncipes, além de que eles, apaixonados, salvaram a amada? Nem sabemos se eles roncam, se foram mulherengos, se são inteligentes, se gostam de poesia...) nos fazem “felizes para sempre”. Não, não acho que seja possível ser feliz para sempre assim algo tão raso.
Homens, tolos que são, sempre acreditam que nosso objetivo final é sim encontrar o príncipe encantado e ser feliz para sempre. Por causa disso, um ex numa briga, eu tentando terminar um namoro de dois anos, me disse que eu tinha a ilusão de que a vida era uma novela do Manuel Carlos. E tudo isso porquê? Só porque eu queria mais para mim, queria ser feliz, queria sair de um relacionamento que já não me acrescentava em nada, queria sair e ver o mundo, queria sair do comodismo, e queria voar... Ele não entendia que ter aquele tipo de relacionamento, o happy end para muitos, não era para mim. Ele achava que eu queria ser uma heroína, jogar o amor fora, sofrer e lutar para tê-lo de volta, para aí sim ter meu happy end. Mas não era nada disso. Nem contos de fadas, nem novela de Manoel Carlos, a vida é mais do que isso, pelo menos a vida que eu quero para mim.
E o que é então? Bom, continuando com as analogias que comecei, acho que a vida, pelo menos a minha, está mais para Sexy and the city do que para as outras opções acima mencionadas. Além de ser mais verossímil, há nela muito do que realmente somos. Se um dia estamos super felizes com um amor ou com um trabalho, pode ser que no episódio seguinte aquilo já não se encaixe ao que queremos. As pessoas, as relações, tudo muda a cada instante. Como o que é um happy end hoje pode continuar sendo amanhã? Não há nisso uma grande falha?
Por isso sigo pensando que contos de fadas e novelas são uma grande furada. Afinal, quem nos contou o pós? Quem garante que existe mesmo um “felizes para sempre”? Eu, sinceramente, não acredito. Prefiro continuar vivendo um dia de cada vez, com as intempéries, as mudanças, as surpresas. Afinal, como eu disse a um amigo essa semana, me sinto igual a Carrie. Uma mulher “selvagem”, livre, que precisa do seu lado de uma pessoa, assim como ela, que corra livre ao seu lado, e não que queira doma-la. Enfim, com quem se poda viver um encontro casual a cada dia. Mas isso é tema para outro post...

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Do encontro de almas

Escrever é cortar palavras. Como diria Drummond, “até mesmo as cartas extensas não dizem metade do que deixou de ser escrito”. Começo meu post dizendo isso que é para me justificar, com antecedência, a impossibilidade de exprimir em palavras a experiência que tive e que agora habita minha cabeça, minha alma e todos os recantos que possam existir em mim.
Afinal, como simples palavras poderiam ter a pretensão de explicar o que poemas, músicas, olhares, sorrisos, gestos não conseguiram? E olha que tudo isso esteve unido ao que eu chamaria de “aura mágica” e que fez parte de uma coisa muito maior e que está relacionado ao encontro de almas. Como me disse uma alma através das palavras de Fernando Pessoa: “As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade”.
Mas, mesmo que as palavras sejam vãs diante de tal encontro, me arrisco a descrever o que ficou em mim, mesmo que uma infinidade de coisas que ainda não inventaram palavras para elas fique de fora.
Porque tal encontro me marcou tanto? Tanto que sou capaz de dizer que nunca, isso mesmo nunca, tive uma experiência que chegasse perto do cheguei a experimentar faz um par de dias. Nem com os homens que arrisquei a dizer que amei um dia, nem os dias mais felizes com eles chegaram próximo a esse encontro. Porque? Muitos devem estar achando que eu, finalmente, encontrei o amor da minha vida. Não, não é isso, pelo menos não esse amor romântico, tradicional, que todo mundo está acostumado. O que é? Não sei, acho que ainda não inventaram uma palavra capaz de ser fiel ao que aconteceu nesse encontro de duas almas muito particulares, e que se abriram, completamente, para o desejo que as impulsionavam.
Se é só desejo? Também não sei responder, mas arrisco a dizer que há muito mais coisas envolvidas. Há identificação, há sinceridade, há arte, há música, há poesia, há inquietação, há mistério... Todos esse ingredientes e mais um montão que sou incapaz de nomear que marcaram um encontro que homens comuns não são capazes de oferecer a uma mulher que quer mais do que os filmes românticos ditam.
Não tenho palavras para dizer o que senti, me limito a dizer que adorei demais tudo. E que o mistério do que é isso, e de onde isso vai parar é o que me move a querer mais e mais. Afinal, o que importa não é o “e agora?” e sim “o para onde?”. Mas como disse, mais uma vez, o Drummond: “O caminho é mais importante que a caminhada”.Bom, agora é hora de seguir meu caminho, “aunque sea solo hoy”...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Dos desejos

"Desejo é rapto, não é troca", apenas uma frase mais ou menos solta em meio à minha leitura. Mas como essas pequenas coisas são capazes de nos reter. Li, pela primeira vez com uma certa estranheza, mas segui minha leitura. Só que a leitura seguia e eu não pensava em nada além daquela frase. Voltei e li mais um milhão de vezes: "Desejo é rapto, não é troca".
Hummmm, interessante... Mas o que isso tem a ver comigo? A frase seguinte já me respondia: "uma pergunta sem resposta". Nossa, penso, realmente meus desejos são matéria de "estranha complexidade". Mas, peraí essa frase não me chamou a atenção por causa dos meus desejos, mas por causa dos desejos de uma outra pessoa (por mim?).
É isso mesmo, não sei se ele me deseja de fato, mas é real que quando ele me olha com aqueles profundos e misteriosos olhos azuis ele me rapta para o seu mundo de portas e janelas azuis, onde habitam gatos, música, cinema, vinho, queijo, tudo com uma leve penumbra misteriosa.
Enquanto tento transformar, em vão, tal desejo em troca (de confidencias, de segredos, de carinhos, de gestos ou de simples palavras) ele simplesmente me pega de surpresa, me leva para seu mundo particular, me despe dos meus pensamentos, das minhas tentivas de troca e já não sei para que me esforço tanto para entendê-lo.
Realmente desejo não é troca, ele é uma coisa que vai além do nosso consciente, é coisa que mexe em nossas entranhas, que nos rapta do pensamento superficial, e nos leva para a esfera do inimaginável.
Maluco? Bom, diria que é misterioso como a leve penumbra que envolve o mundo desse alguém que tem o poder de me raptar assim de repente, não mais do que de repente, e assim sempre de repente...