Imaginem uma moça simpática, meio (meio é bondade, muito é mais real) desastrada, que vive dando foras e palas (daquelas viram anedotas de bar), que é conhecida pelo seu ótimo senso de humor (que ela não entende de onde vem, afinal não é nada proposital, o que ela quer mesmo é ser uma pessoa séria), e, para completar, é super solteira (não digo convicta, porque ela quer encontrar um grande amor, sua solteirice é um estado passageiro - pelo menos em sua ilusão- até que o homem certo apareça, como em um conto de fadas), e sua vida amorosa (aff!...) uma grande confusão. Imaginaram? Ou se enrolaram com esse perfil um tanto quanto confuso?
Aposto que ficaram sugestionados com o título e já estão visualizando a Renée Zellweger, meio gordinha, com aquela calcinha enorme, pagando os maiores micos em rede britânica no filme O Diário de Bridget Jones. Nada disso! Nossa mocinha aqui não está acima do peso (pelo menos por enquanto), não é fumante (graças a Deus), não é trintona (isso só daqui alguns anos), e não ela não trabalha em TV (é até jornalista... quem sabe um dia seus micos também não parem na TV?). Já sabem de quem eu estou falando? Aposto que muita gente se identificou, né? Bom... (eu como a boa egoísta que sou) estou falando de mim mesma (quem mais poderia ser?).
A bem da verdade é que toda mulher já teve seu dia de Bridget, aqueles em que somos pegas desprevenidas pelas situações mais surreais, ou ainda naqueles outros dias em que esquecemos da balança e matamos nossa carência em uma maravilhosa panela de brigadeiro, ou ainda quando tomamos aquele porre e falamos e fazemos coisas que, definitivamente, não devíamos. Enfim... acontece com todo mundo.
O problema é quando síndrome Bridget decide se prolongar, e se transforma, quase, em um estilo de vida. É, queridos leitores, acho que esse é o meu caso. Já estou até escutando as risadas das pessoas mais próximas a mim ao lerem esse post e identificarem as minhas inúmeras situações Bridget. Para vocês eu digo: - vocês se divertem, né? Tudo bem, eu também me divirto, é bom ter histórias para contar. Mas cansei! Acho que já tenho um arsenal de histórias grande o suficiente, e boas o bastante para contar para os meus netos. Tenho certeza que eles se divertirão muito com o caso do maníaco do bandejão, com as saídas de solteira com a Nicolle, o caso do "feio" argentino, o da "Flávia - Branca de Neve", o da llama, o da infiltração, o da inundação, o do mudo, o da banheira, o dos melhores amigos, enfim... coisas que só acontecem comigo (e com a Bridget também).
Sei que vocês estão loucos para conhecer todas essas histórias, né? Quem sabe num O Diário de Flávia Camisasca? Mas deixemos disso, afinal não são os casos que estão em questão aqui!O fato é que não me tornei uma Bridget da noite para o dia. Acho que sempre fui um pouco assim... Tanto é que na adolescência eu tinha a certeza de que morreria solteira... Depois de ter perdido essa convicção, volto a tê-la. Mas o fato é que, na verdade mesmo, eu espero por aquele triangulo amoroso espetacular entre a desastrada desesperançosa, o cafajeste charmoso e o cara sério e que adora aquela moça desajeitada. E depois, que sacrifício (!), ter que fazer a dificílima escolha. Bom, cá estou, a moça desastrada (e que tem lá o seu charme, vai?), cafajeste tem aos montes (nú! é até difícil escolher um só), agora cadê o bendito gentleman que me adora com esse meu jeito estabanado???? AAAAAAA!!!! Se por um acaso, por uma incrível coincidência do destino (gosto de pensar que essas coisas não acontecem só em filmes), o meu Marcy Darcy ler esse texto, pelo AMOR DE DEUS manifeste-se, que eu já não agüento mais ser a Bridget solteira e envolta em tantas confusões (porque meio Bridget é impossível que eu deixe de ser... mas confusão com happy end e beijo na boca é muito mais legal!).
domingo, 30 de setembro de 2007
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Eu prefiro (?) ser essa metamorfose ambulante
Já dizia Raul Seixas que o melhor mesmo é ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.Opinião essa compartilhada por um monte de pessoas, eu até arriscaria dizer que é, quase, uma unanimidade.
Mas, enfim... Não toh aqui para falar do Raul. Quero, ou queria (nem sei mais), era falar da tal metamorfose, tema de Raul, Kafka, Sandra, Flávia (!) .... Mais do que uma mudança de opiniões, de quebra de (pre) conceitos, a metamorfose também implica em uma mudança de aparencia (além da essencia), não é a toa que a larva vira borboleta e o homem vira barata. Apesar das metamorfoses da vida real não serem, muitas vezes, tão radicais, o fato é que elas implicam, sim, em mudança de aparencia.
A primeira vez em que comecei a pensar realmente nesse tema fo na aula de Psicologia Social II, isso no segundo semestre de 2005 (se não me engano). Já no primeiro dia de aula a professora Sandra Azevedo, abordou o tema que iria nos guiar durante todo o semestre, mas muito além de teóricos, linhas de pensamento, ela falava do plano pessoal mesmo (aspecto que realmente me chamou a atenção). O fato é que aquela disciplina, realmente, mudou a minha vida. Vimos o movimento feminista, o método educacional de Paulo Freire, Pichon Riviere, um monte de coisas que agora não me acordo bem, e, inclusive, fiz um trabalho sobre a Metamorfose de Kafka. Tudo bem, aprendi muitas coisas, mas isso não foi o mais importante. O importante é que a partir daí comecei a rever as coisas, meus conceitos, minha vida, e o que eu, realmente, queria para mim (não aquilo que eu achava que eu queria, ou que todo mundo queria para mim, mas aquilo que me deixaria feliz para além da conta).
O processo todo é muito complicado, e nem sei bem como ele se deu. Só sei que mudei, rompi (algumas vezes drásticamente) com coisas, fiquei com muito medo das escolhas que fiz (mas escolhas são mais do que necessárias, e se você faz com o coração, por mais que você erre, é um alívio poder tê-la feito), e fiquei mega feliz quando deslumbrei que tava mais perto do que eu tinha traçado como ideal para mim.
O fato é que qualquer mudança real (dessas que, quase, podem ser chamadas de revolução) vem acompanhada de um cambio visual também. No meu caso, por exemplo, quando eu vi que já tava tudo dirente, senti que o visual não "batia" e lá fui eu "descontruir" a cabeleira (sim, leitores, a primeira mudança visível em uma mulher são nas madeixas). E de lá para cá sofri várias pequenas mudanças nos cabelos (umas meio contra a vontade, lembrem-se do caso do cabelo argentino) que bem podem ser reflexo (ou não) das mudanças que aconteceram comigo (aí também se incluem aquelas que acontecem contra a nossa vontade). Vejo as fotos e parece que já faz tanto tempo, mas não tem nem 2 anos. Parecia tão menina... daquelas fotos quase que só reconheço o olhar, o sorriso (que permanecem praticamente os mesmos), e os traços de quem já fui um dia.
Volto a ver as fotos atuais e me sinto (não digo completamente, porque isso é meio missão impossível) feliz. Gosto, de verdade, de como sou hoje, me sinto em casa com as coisas que penso, em como ajo, como levo a minha vida, e com meu visual também. Daí bate aquele impulso comodista, para quê mudar mais??? Mudanças só as profissionais. Não quero mais grandes metamorfoses. Mas logo caio em mim e vejo que é impossível, é como disse um amigo uma vez: "é uma espiral descendente". Mas que doideira é essa de espiral??? Na explicação desse meu amigo é quando entra num determinado processo no qual é impossível sair a não ser quando ele acaba de vez (nesse caso, quando passamos dessa para melhor). Uma vez que nos abrimos e nos permitimos revolucionar nossas vidas, nos tornaremos novos a cada dia (mesmo contra nossa vontade). O que fazer? Também não sei mas acho que pode ajudar se nos desapegamos de nossas fotos, sabendo que mais cedo ou mais tarde não nos reconheceremos. Mas resta o conforto de que sempre haverá um vestígio, algo que nos acompanha...
Nota: Queria colocar uma foto estilo "Antes e Depois", mas desiti. Afinal, isso não é revista de beleza e também vai que nela vocês vejam a mesma Flavinha de sempre e toda a minha tese vai por água abaixo??? Nem pensar!!!!!
Mas, enfim... Não toh aqui para falar do Raul. Quero, ou queria (nem sei mais), era falar da tal metamorfose, tema de Raul, Kafka, Sandra, Flávia (!) .... Mais do que uma mudança de opiniões, de quebra de (pre) conceitos, a metamorfose também implica em uma mudança de aparencia (além da essencia), não é a toa que a larva vira borboleta e o homem vira barata. Apesar das metamorfoses da vida real não serem, muitas vezes, tão radicais, o fato é que elas implicam, sim, em mudança de aparencia.
A primeira vez em que comecei a pensar realmente nesse tema fo na aula de Psicologia Social II, isso no segundo semestre de 2005 (se não me engano). Já no primeiro dia de aula a professora Sandra Azevedo, abordou o tema que iria nos guiar durante todo o semestre, mas muito além de teóricos, linhas de pensamento, ela falava do plano pessoal mesmo (aspecto que realmente me chamou a atenção). O fato é que aquela disciplina, realmente, mudou a minha vida. Vimos o movimento feminista, o método educacional de Paulo Freire, Pichon Riviere, um monte de coisas que agora não me acordo bem, e, inclusive, fiz um trabalho sobre a Metamorfose de Kafka. Tudo bem, aprendi muitas coisas, mas isso não foi o mais importante. O importante é que a partir daí comecei a rever as coisas, meus conceitos, minha vida, e o que eu, realmente, queria para mim (não aquilo que eu achava que eu queria, ou que todo mundo queria para mim, mas aquilo que me deixaria feliz para além da conta).
O processo todo é muito complicado, e nem sei bem como ele se deu. Só sei que mudei, rompi (algumas vezes drásticamente) com coisas, fiquei com muito medo das escolhas que fiz (mas escolhas são mais do que necessárias, e se você faz com o coração, por mais que você erre, é um alívio poder tê-la feito), e fiquei mega feliz quando deslumbrei que tava mais perto do que eu tinha traçado como ideal para mim.
O fato é que qualquer mudança real (dessas que, quase, podem ser chamadas de revolução) vem acompanhada de um cambio visual também. No meu caso, por exemplo, quando eu vi que já tava tudo dirente, senti que o visual não "batia" e lá fui eu "descontruir" a cabeleira (sim, leitores, a primeira mudança visível em uma mulher são nas madeixas). E de lá para cá sofri várias pequenas mudanças nos cabelos (umas meio contra a vontade, lembrem-se do caso do cabelo argentino) que bem podem ser reflexo (ou não) das mudanças que aconteceram comigo (aí também se incluem aquelas que acontecem contra a nossa vontade). Vejo as fotos e parece que já faz tanto tempo, mas não tem nem 2 anos. Parecia tão menina... daquelas fotos quase que só reconheço o olhar, o sorriso (que permanecem praticamente os mesmos), e os traços de quem já fui um dia.
Volto a ver as fotos atuais e me sinto (não digo completamente, porque isso é meio missão impossível) feliz. Gosto, de verdade, de como sou hoje, me sinto em casa com as coisas que penso, em como ajo, como levo a minha vida, e com meu visual também. Daí bate aquele impulso comodista, para quê mudar mais??? Mudanças só as profissionais. Não quero mais grandes metamorfoses. Mas logo caio em mim e vejo que é impossível, é como disse um amigo uma vez: "é uma espiral descendente". Mas que doideira é essa de espiral??? Na explicação desse meu amigo é quando entra num determinado processo no qual é impossível sair a não ser quando ele acaba de vez (nesse caso, quando passamos dessa para melhor). Uma vez que nos abrimos e nos permitimos revolucionar nossas vidas, nos tornaremos novos a cada dia (mesmo contra nossa vontade). O que fazer? Também não sei mas acho que pode ajudar se nos desapegamos de nossas fotos, sabendo que mais cedo ou mais tarde não nos reconheceremos. Mas resta o conforto de que sempre haverá um vestígio, algo que nos acompanha...
Nota: Queria colocar uma foto estilo "Antes e Depois", mas desiti. Afinal, isso não é revista de beleza e também vai que nela vocês vejam a mesma Flavinha de sempre e toda a minha tese vai por água abaixo??? Nem pensar!!!!!
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Esvaziando a alma
Outro dia li uma crônica do Drummond em que ele explicava ao seu carteiro que escrever era esvaziar a alma. Não pude deixar de concordar e pensar sobre isso. Eu como uma “escrevente” (não ouso dizer que sou escritora – afinal, quem sou eu para dizer que sou o que pessoas admiráveis como o próprio Drummond é?) compulsiva de e-mails gigantescos e que extravasam todas as minhas emoções, sou prova viva de que tal afirmação é verdadeira. Depois que escrevo esses intermináveis e-mails me sinto confortavelmente mais leve, é como se aquelas linhas se encharcassem de minha alma, e eu pudesse, enfim, seguir com um peso a menos.
Mas, o alívio dura pouco. Logo já me vejo, novamente, enchendo a tela do computador com minha alma. Será que ela não esvazia nunca??? Será que os destinatários dos meus e-mails se sentem pesados com tanta alma recebida??? Acho que daqui a pouco os senhores “Googles” terão que inventar um rastreador “anti-alma”. Fico com dó dos meus queridos amigos. Afinal, quem tem tempo hoje em dia para ler tantos e-mails “pesados” de uma “escrevente” compulsiva?
Escrever mais do que um exercício de limpeza acaba se tornando um vício, similar ao daquelas pessoas que tem mania de limpeza, que não podem ver uma poeirinha e lá estão elas com seus paninhos em mãos. Com “escreventes” compulsivos acontece a mesma coisa, qualquer bobagenzinha que nos acontece já pensamos em escrever (o vizinho fazendo reforma, aquele ex que insiste em ser o babaca do ano, a amiga que tava com suspeita de uma doença séria, a crônica que li...). E essas coisas, transformadas em letrinhas, não abandonam minha cabeça, até que elas passem da minha cabeça para a tela do computador. Porém, minha censura não permite que todas essas bobagens sejam escritas nos tais e-mails, afinal, tem coisas que ninguém merece, né?! Nem grandes amizades precisam ficar lendo textos como esse, que esvazia a minha alma, mas que, provavelmente, não fará diferença na vida de ninguém.
O que ninguém esperava era a minha cara de pau (sim leitores, sou uma garota atrevida e cara de pau, sim senhor!) de fazer esse blog, que não tem nenhum objetivo ou temática específica. Portanto não esperem um “Flavinha no mundo da Lua - o retorno”, na na ni na não, esse blog não foi feito para o deleite dos senhores, e nem para ter histórias engraçadas e aventuras para lá de surreais. Nada disso! Esse blog é um projeto egoísta (sim, eu assumo isso!) que pretende dar vasão a esse vício, assim sem censura mesmo, e é claro para manter a alma sempre limpinha. Aos amigos já deixo o aviso de que não podem respirar aliviados, porque o vício é grande e provavelmente os e-mails continuam...
Para terminar o primeiro de muitos textos parafraseio o carteiro de Drummond: “- Bem, já que vocês insistem, aqui está o blog, e não reparem nos defeitos, viu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível”.
Nota: A crônica que aqui faço referencia chama-se Sondagem do Carlos Drummond de Andrade, eu a li na coletânea de crônicas organizada pelo Humberto Werneck pela Companhia das Letras.
Mas, o alívio dura pouco. Logo já me vejo, novamente, enchendo a tela do computador com minha alma. Será que ela não esvazia nunca??? Será que os destinatários dos meus e-mails se sentem pesados com tanta alma recebida??? Acho que daqui a pouco os senhores “Googles” terão que inventar um rastreador “anti-alma”. Fico com dó dos meus queridos amigos. Afinal, quem tem tempo hoje em dia para ler tantos e-mails “pesados” de uma “escrevente” compulsiva?
Escrever mais do que um exercício de limpeza acaba se tornando um vício, similar ao daquelas pessoas que tem mania de limpeza, que não podem ver uma poeirinha e lá estão elas com seus paninhos em mãos. Com “escreventes” compulsivos acontece a mesma coisa, qualquer bobagenzinha que nos acontece já pensamos em escrever (o vizinho fazendo reforma, aquele ex que insiste em ser o babaca do ano, a amiga que tava com suspeita de uma doença séria, a crônica que li...). E essas coisas, transformadas em letrinhas, não abandonam minha cabeça, até que elas passem da minha cabeça para a tela do computador. Porém, minha censura não permite que todas essas bobagens sejam escritas nos tais e-mails, afinal, tem coisas que ninguém merece, né?! Nem grandes amizades precisam ficar lendo textos como esse, que esvazia a minha alma, mas que, provavelmente, não fará diferença na vida de ninguém.
O que ninguém esperava era a minha cara de pau (sim leitores, sou uma garota atrevida e cara de pau, sim senhor!) de fazer esse blog, que não tem nenhum objetivo ou temática específica. Portanto não esperem um “Flavinha no mundo da Lua - o retorno”, na na ni na não, esse blog não foi feito para o deleite dos senhores, e nem para ter histórias engraçadas e aventuras para lá de surreais. Nada disso! Esse blog é um projeto egoísta (sim, eu assumo isso!) que pretende dar vasão a esse vício, assim sem censura mesmo, e é claro para manter a alma sempre limpinha. Aos amigos já deixo o aviso de que não podem respirar aliviados, porque o vício é grande e provavelmente os e-mails continuam...
Para terminar o primeiro de muitos textos parafraseio o carteiro de Drummond: “- Bem, já que vocês insistem, aqui está o blog, e não reparem nos defeitos, viu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível”.
Nota: A crônica que aqui faço referencia chama-se Sondagem do Carlos Drummond de Andrade, eu a li na coletânea de crônicas organizada pelo Humberto Werneck pela Companhia das Letras.
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