sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Por onde andam as Pequenas Misses Sunshine?

Gaúcha de 5 anos é eleita Mini Miss Mundo. Como assim? Será a nova Pequena Miss Sunshine? Logo que vejo essa manchete estampada em um site de notícias clico correndo para ver que história é essa. È, complicado... E lá está o site, a cidade da pequena, a mãe toda orgulhosa da menina com cara e cabelos de Barbie, e não de criança, com coroa e tudo o mais. Leio a notinha que fala da façanha da garotinha no Equador, que concorreu na etapa nacional por Santa Catarina e não pelo Rio Grande do Sul, onde nasceu, porque ficou em segundo lugar no concurso do seu estado.
Poxa, penso, que corrida é essa por ser miss? Sair do seu estado aos 5 anos, para ganhar o título no estado vizinho, para concorrer na versão nacional e logo na mundial. Putz, que fase, como diria o meu cunhado! O que passará na cabeça dessa criança? Se é que ela tem idade o suficiente para discernir essas coisas... E o que é pior, o que a mãe dessa menina tem na cabeça? Será que essa corrida é uma loucura de uma mãe frustrada que vê na beleza da filha, uma realização que ela não teve? Será que ela atende os caprichos de uma menina já ultra vaidosa, que sonha ter uma vida de Barbie, com coroas, roupas cor de rosa e, no futuro, com um namorado Ken (tudo bem, que menina não sonhou com isso, mas será que precisa levar até a última instância?)?
Queria pensar que talvez fosse um caso Miss Sunshine, de uma garotinha simpática e ingênua, em que sua beleza ultrapassa as ditaduras da moda, ela está, justamente, no que se difere das pequenas Barbies, com seus cabelos dourados, cheios de laquê, suas maquiagens azuis, cor de rosa e seus maios cheios de brilhos e paetês. Mas como achar que seria isso, se o que vejo na foto não é uma criança, é uma boneca. A imagem nem parece ser real, não é uma menina que se veste de princesa no seu aniversário. Não é isso que consigo ver, num sorriso (forçado), fazendo pose e pronta para vender pasta de dente.
Dói-me o coração. Que mundo é esse? Que pessoas são essas? Sei que nada posso dizer, mesmo porque não conheço a pequena miss e, muito, menos a sua família. Mas o que digo não é dela, em especial, mas nessa multidão de meninas que desde que se entendem por gente estão preocupadas com o movimento de seus cabelos, o esmalte, o batom, em ser atraente, em ser admirada, em ser reconhecida por sua beleza... Isso me assusta. Não é verdade, que crianças não deveriam ter preocupações, que elas têm é que estudar, brincar, se divertir, independente da aparência que tenham? E os pais? Eles deveriam é se preocupar se seus filhos estão aproveitando a infância, se serão pessoas bacanas e felizes, ainda que sejam os mais feios do universo?
Muitos devem pensar que fui uma criança feia e que não gostava das bonitas. Não é verdade isso. Fato é que nem sempre fui das mais admiradas na escolinha em que estudava. Isso mudou quando a loirinha mais bonita mudou de colégio, e de repente o posto veio parar em minhas mãos. Estranha essa sensação de, de repente, os cinco meninos da sala quererem “namorar” comigo... Outro fato que marcou essa coisa de beleza foi quando eu tinha 11 anos e no clube onde eu freqüentava fizeram um concurso “Garota Colônia de Férias”. Quando vi isso nem cogitei a idéia de participar, estava lá só para estar com pessoas da minha idade curtindo as férias no clube. O problema é que nenhuma menina da minha idade cogitou essa idéia, então estavam sem concorrentes. Que fazer? Os monitores incentivaram todas a participarem da “brincadeira”, afinal ia ser chato se não tivesse nenhuma menina para desfilar diante dos jurados e da platéia que já ia escolhendo a sua favorita. E lá fui eu, mais pela onda de ir com minhas amigas, do que por achar que fosse bonita para essas coisas. E não é que ganhei? Surpreendi a minha mãe quando cheguei em casa com um ursinho de pelúcia (o prêmio pela façanha), ela que nem imaginava que existisse tal concurso. Pior foi a vergonha que passei logo quando chegou o jornal do clube e minha foto lá, estampada como a “Garota Colônia de Férias”, com os olhos arregalados. Que mico! Na época não contei a ninguém essa baboseira toda, mas minha mãe, é claro, levou o jornal para todo mundo ver e transformou tudo numa grande brincadeira. Hoje, eu que não sou modelo de beleza em lugar nenhum (sou apenas uma moça “normal”), sempre conto essa história com grandes risadas, do tipo: vejam gente, até euzinha aqui já fui “A” menina loirinha e bonitinha, “Garota Colônia de Férias” e até figurante de propaganda da prefeitura de Belo Horizonte (mas essa história é de carnavais anteriores e depois eu conto).

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O que é?

(Calma que não é charada).

Se me perguntarem o que se passa comigo. Direi, parafraseando, a música da Maria Rita: “Não sei responder, não sei explicar”... Mas sei que alguma coisa “nasceu dentro de mim, me fez renascer, me fez despertar”.
Os leitores (se é que eles existem), mais ou menos atentos, podem até dizer: essa charada é fácil, o que acontece com é ela é claro, é óbvio, é o “danado do amor”. Mas, péra lá, já disse no começo que não é charada. E além do mais, devagar com a dor, que o amor é um bichim complicado, que não pega assim tão fácil uma mineirinha desconfiada como euzinha aqui. Afinal, não sou mais adolescente e as coisas ganham um plano, um ângulo diferente quando a vida é real, e as pessoas já são calejadas.
Entonces, não, não é o amor que nasceu dentro de mim, pelo menos não nesse momento (ele já nasceu e renasceu um par de vezes, e pode vir a brotar a qualquer instante, afinal, nunca se sabe...). Mas e então? Que diabos foi o que aconteceu com essa garota que vos fala?
Não sei explicar, mas arrisco a tentar fazê-lo. Aconteceu que fui “sacudida”, fui chamada a rever velhas posturas, velhos sentimentos, velhos desejos, velhas vontades. Vi que estava sendo conservadora (ai, como odeio isso!) ao me “fechar” em esquemas seguros (em partes) e não olhar à minha volta. Já tinha meu repertório pronto, de quem gostar, de quem querer, de quem desejar, quando querer, quando arriscar, porque querer, porque desejar.
Daí de repente, não mais do que de repente (na minha ilusão), sou sacudida e levada (quase que obrigada) a largar meu esqueminha. Não, não posso dizer que fui obrigada, porque me deixei levar, me permiti. Mas, confesso que me causou (e ainda causa) grande espanto esse desprendimento repentino aos meus velhos planos e esquemas. Resisto e tento não entregá-los por completo, pelo menos não 100%. Será que não dá para abrir mão só 50%? Não! É a resposta que tenho. Putz! Arregalo o olho, engulo seco e sem pensar bem deixo me levar mais uma vez.
O que sinto agora? Uma mistura de coisas. Um medo imenso de ir largando as coisas assim, de mudar tanto assim. Um apego incrível as coisas velhas, ainda restam uns porcentinhos razoáveis que não larguei mão, e que só o farei, tenho quase certeza absoluta (porque sou assim), quando, efetivamente, for chamada a fazer uma escolha. E, é disso que mais tenho medo... Porque do jeito que sou medrosa e burra vou acabar fazendo a escolha errada (para variar...) e me apegar, novamente, aos velhos esquemas (nada) seguros, que mantém a minha vida na eterna (falta de) tranqüilidade e certeza.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

De repente é como se o céu se abrisse, logo quando cansada de esperar estivesse desistido...

É assim que me sinto.

Cansei De Esperar Você (D. Yvonne Lara/Délcio Carvalho)

Quando cansei de esperar você
Vi minha estrela maior renascer
Vi minha vida mais colorida
Cheia de encanto e de mais prazer.
Vi quando o mar se abriu
Deixando passar todo o meu sentimento
Até na chuva e no vento
Vi a luz da poesia.
Minha alegria voltou
Brilhando no alvorecer
Quando deixei de amar
E esperar por você.