terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Natal

Já faz alguns anos que não vejo o Natal com o mesmo encantamento e com os mesmos olhinhos brilhantes da minha infância. Chega essa época do ano e bate aquela enorme preguiça da obrigação com presentes, das lojas abarrotadas, da cidade toda enfeitada para uma coisa que nem parece nossa. Nem as decorações natalinas tem a mesma graça de antes. Vai saber o que se passou, a gente cresce e sente uma falta danada dos antigos natais, em que tínhamos a ilusão de que o verdadeiro espírito natalino estava presente.
E era nesse clima meio "borocochô" que eu estava encarando a festa natalina, trabalhar muito era mais uma desculpa para não encarar a festa, as compras, os presentes. Tudo andava meio mais ou menos quando comecei a receber os verdadeiros presentes de Natal, esses que me fizeram ficar feliz por essa data.
Não, não foi a grana inesperada dos parentes que salvaram o meu fim de ano da pindaíba. Estou dizendo dos e-mails, cartões e falas que recebi dos amigos. Um em especial me tocou muito. Nenhum deles tinha aqueles bichinhos, aquelas poesias, e aqueles velhos dizeres de Natal. Eram palavras puras e simplesmente. Um dos que mais me tocou foi de uma amiga agradeceu a presença de todas as amigas no ano dela, e para minha feliz surpresa, tinha uma menção em especial para a minha pessoa, agradecendo pela minha presença e pelo meu ombro amigo em um momento difícil. Confesso que fiquei emocionada, não esperava por aquilo. Me senti muito bem pela lembrança da amizade sincera, porque se o fiz foi sem pensar em agradecimentos, mas aquelas palavras e a certeza de uma grande amiga ao lado valem qualquer ombro, qualquer força. E desse e-mail surgiram outras mensagem de amigos. E quando vi meu coração já estava totalmente invadido do espírito natalino. E é isso que o Natal deve ser, uma época para "colhermos" todas as coisas boas que plantamos durante o ano todo.
E o que eu posso dizer, além de que valeu muito ter cultivado todas as amizades que cultivei, para ter a lembrança de todos eles nessa época do ano, na qual sempre nos lembramos e queremos ficar juntos das pessoas especiais. E querem presente melhor do que saber que somos especiais para pessoas que temos em alta estima?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Pensamentos desconexos

Como de repente minha cabeça dá mil voltas? Está difícil de tentar explicar o que se comigo. Não aconteceu nada em especial nos últimos dias, além dos vários encontros com vários amigos. Mas acho que foi isso mesmo, é estranho de repente perceber como nossas vidas podem tomar rumos tão diversos. É esquisito lembrarmos de como éramos há quatro ou cinco anos e vermos que o caminho que pecorremos nada tem a ver com o que havíamos planejado. Tudo é tão surpreendente, tudo tão inesperado, tudo tão...
Não estou conseguindo me expressar, né? Mas é que é tudo tão confuso, são tantas as idéias, tantos sentimentos, tantas estranhezas, que não consigo ser compreensível. Ver pessoas que não via há tanto tempo, só me faz relembrar uma pessoa que eu era e que eu fazia (ou melhor faço) questão de enterrar. Mas porque enterrar aquilo que me fez chegar ao que sou hoje? É muito estranho esse terror que tenho pelo o que já foi. Acho que é o medo de voltar a ser aquilo que eu tenho como um anti- modelo de vida.
E ao mesmo tempo tantas outras coisas acontecem a minha volta. De repente começo a ter um novo olhar sobre pessoas que há muito convivo. Como lidar com essas novas perspectivas? O que parece uma coisa simples pode ser tão complicada. E o que a uma primeira vista é tão complicado se reveste de uma simplicidade, que muitas vezes, eu pensei que não seria possível... É o mundo é tão maluco e tão imprevisível, e eu, a cada dia mais, também.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

E agora, José?

De repente, não mais do que de repente, quando dei por mim já estávamos, ou melhor, estamos no meio do mês de dezembro. Putz! 2007 está acabando, 2008 vem aí, e estou na mesmíssima situação que me encontrava há um ano quando me despedia de 2006, o ano que nunca devia ter terminado. AAAAAAAA!!!!!! Pára o mundo que eu quero descer! Como assim? A Terra deu uma volta inteirinha em torno do sol e eu continuo na mesma, sem perspectivas, sem rumo, sem destino, sem prumo, ventando por aí (como diria um amigo meu). Diante do desespero que se abate sobre a minha pessoa de me encontrar na mesmíssima situação, corro desperada tentando reverter o quadro, tento, com todas as minhas forças, ter expectativas e certezas para o ano que se inicia. É vão. O tempo corre mais rápido do que eu, o jeito é dar uma de Polliana e tentar o jogo do contente.
Sim, caríssimos leitores, a que ponto chegamos, não é mesmo? Mas foi justíssimo isso, que um novo amigo me fez fazer. Ele me disse assim, diante do meu despero e da minha impossibilidade de reverter o jogo aos 47 do segundo tempo: "Ah, Flavinha. Ser sem rumo, sem destino, sem expectativas pode ser uma coisa muito boa. Pense bem, você está aberta, livre, tem um horizonte inteiro a sua frente. Não há amarras, compromissos, chatices, você pode fazer suas escolhas, traçar o seu caminho, sem ficar se agarrando nas coisas que você tem". Poxa vida... De repente era tudo o que eu precisava ouvir. Afinal, porque preciso tanto de amarras, de certezas. Não é tão mais poético e mais alentador ser livre, estar ao sabor do vento? Com certeza... Mas a vida não é feita de poesia, infelizmente precisamos de um mínimo de certezas, de expectativas para podermos seguirmos em frente. É... parece que a situação para o meu lado não é nada fácil.
Vocês devem estar se perguntando, mas se eu continuo na mesma não terei feito eu nadica de nada em 2007? Bom... não. Acho que fiz foi coisa até demais da conta. Quem diria que eu passaria mais uma virada de ano sem idéia do que vem pela frente? Eu, na minha santa ignorancia pintava meu final de 2007 de outra maneira, cheia dessas vazias certezas que nos preenchem superficialmente. Foram tantas as coisas feitas, tantas coisas descobertas, tanto de mim vindo à tona que acabo o ano assim, como se ele nem houvesse passado. Agora, em 2208, é chegada a hora de correr um pouco atrás das tais certezas e expectativas.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Click

Ando meio sumida, sem muitas coisas para contar. É que com a correria, a trabalheira, acaba que não resta muito tempo para ficar pensando na vida. E é justamente disso que eu queria falar hoje. Nada muito longo não. Só queria dizer que como é estranho e, realmente, bom de repente se desligar de coisas que nos tirou o sono durante meses e meses.Foi justamente isso o que aconteceu comigo esses dias. Foi como se do nada houvesse um click e o que era um problema essencial se transformou em pó, já não faz nenhum sentido. O esquisito é que foi assim mesmo, posso até descrever a passagem na qual o click se deu. Não que algo de muito especial ou diferente aconteceu. Minto, muitas coisas legais aconteceram, mas não foi exatamente uma em específico a responsável por uma mudança de rumo. Acho que foi uma sucessão de coisas que vieram me acontecendo e tomando o meu tempo nos últimos dias que resultaram nisso. Minhas preocupações agora são diversas, às vezes tenho a nítida sensação de ter entrado em um outro mundo. Não sei, acho que ainda é meio cedo para dizer isso, mas tenho a impressão que começa uma nova “era” na minha vida. Fico feliz, já esperava há muito tempo que esse click acontecesse, demorou, mas tudo tem a sua hora, né? E agora é hora de eu ir cuidar da minha vida...

sábado, 24 de novembro de 2007

Todo mundo nu!

O caso “todo mundo nu” chocou, fez rir, assustou ou foi indiferente a muitos que estiveram, ou não, na abertura do forumdoc.bh.2007. O fato é que o ocorrido tão inesperado, na verdade nem tanto (afinal, nada é surpresa quando se trata de “faficheiros” da gema) daria um ótimo post aqui no blog. Afinal, todo mundo, querendo ou não, tem uma veiazinha sensacionalista que adora esse tipo de histórias. Mas antes que vocês fiquem imaginando coisas. Não, nem todo mundo ficou nu, na verdade nu mesmo só houve um, o resto foi só boa música, e um dia de muito trabalho e um “cadim” de diversão.
Ao contrário do que diria a lógica “normal”, não vou contar o caso com seus pormenores, aumentado e floreando o caso, como é típico da minha pessoa. Sei que vocês devem estar se perguntando porque não farei isso. É simples, o caso não me marcou, não fiquei surpresa, não fiquei chocada, não fiquei nada, na verdade para mim nem fez diferença o ocorrido. Mas então, porque diabos, estou mencionando isso aqui, se não é nada disso que quero dizer a vocês?
Bom essa resposta não é nada simples. Mas é que hoje estou com um sentimento que não consigo explicar. Depois de assistir sozinha um filme no cinema, e começar a voltar caminhando sozinha para casa, só me deu vontade de andar, andar, andar, andar, fechar os olhos, sentir a brisa batendo no rosto e no cabelo e ir... E não tomar o caminho de casa, só queria seguir andando sem rumo, sem destino, sem causa, meio Forest Gump. E eu ia andando, andando, e de repente a estranha e maravilhosa sensação de que eu já não era mais eu, que tinha acabado de me tornar uma estranha...
Mas ao invés de seguir andando sem destino, voltei a ser eu de novo e segui o caminho de casa. Afinal, eu ainda não tomei a coragem, invejável, de me despir de mim.

domingo, 18 de novembro de 2007

Socorro, fui “torpedeada”

“Socorro”, sim foi exatamente isso o que eu disse quando a garçonete me entregou um guardanapo dobradinho e me disse: “- Mandaram entregar para você”. Nesse momento todos da mesa pararam a conversa, os risos, a cerveja por um instante e olharam para mim com aquela cara “e...”. E... eu com cara atônita:
- Socorro! O que eu faço agora? Nunca recebi um trem desses não!
- Pô, Flávia! Abre esse trem e lê primeiro.
- Ah ta, brigada...
E qual não é a surpresa quando abro o guardanapo e leio na primeira linha: “oi, Flávia” Como assim??? Sou “torpedeada” e ainda por cima por um conhecido? Porque diabos ele não veio falar comigo diretamente? Continuei lendo “não sei se você se lembra de mim, blá blá, blá... Será que posso tomar um pouco do seu tempo? Assinado: X (bom não vou colocar o nome aqui, né? Vai que ele lê isso e fica com raiva de mim)”.
- E aí, Flávia! Conta, conta! O que está escrito aí.
- Gente, vocês não vão acreditar! Leiam isso daqui. Ele me conhece!!!!
- Que isso! Quem é? Quem é?
- Uai! Não sei... Bem que eu vi um rosto que não me era estranho. E agora? O que eu faço? Quem poderá me defender?
- Rapidão, vamos observar. Quem mandou o torpedo deve estar olhando para cá... Olha ali! Uma mesa no fundo, tem um monte de homem olhando! Ai, Flávia, tem um de camisa verde que é até gatinho!
- Ai gente, eu não enxergo daqui!
- Pergunta para a garçonete quem mandou, oras!
Tlin, tlin (a ficha caiu)!
- Já sei! Foi o cara que eu vi quando cheguei! Ele estudou comigo no jardim da infância! Estou boba! Nossa, mãe! Ele é feio demais da conta!
- E o que você vai fazer agora?
- Vamos no banheiro que vou confirmar se é ele mesmo.
Entrada do banheiro, eu olho discretamente (se é que isso é possível) para mesa e confirmo minhas suspeitas.
- Meninas, é ele mesmo. Olha ali o cara de blusa bege, o feio.
- E o que você vai fazer agora?
- Vou lá cumprimentar, né?
Saída do banheiro, e a Flávia, menina bem-educada, vai falar com o autor do torpedo. Oi, oi. Como você está? Quanto tempo? O que você anda fazendo? Ainda mora por ali? Blá, blá, blá e ah! Deixa eu ir que minhas amigas estão me esperando...
E ainda quando estou de retirada um dos amigos dele ainda me para e pergunta (para completar) “ei, você é a menina que ele mandou o torpedo” , sorriso amarelo e “é sou eu mesma”. “nossa! Ele ficou mó tempão pensando em como escrever para você”, sorriso mais amarelo ainda e eu ficando vermelha, roxa, amarela....Para completar a história ainda escuto umas zoações das minhas amigas, é claro! Afinal, elas perdem a amiga, mas não perdem a piada. E ... ai, ai, ai cada dia tenho a certeza maior de que certas coisas, realmente, só acontecem comigo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O passado

Quando li a resenha do filme O passado, do Hector Babenco com o Gael García Bernal (lindíssimo, ainda mais com aquele cabelo estilo argentino, aquele sotaque...- suspiros e mais suspiros) pensei que teria muito a dizer sobre esses homens passivos que deixam, de uma forma ou de outra, que mulheres guiem suas vidas (para o bem ou para o mau). Já tinha até preparado todo meu repertório, sabia exatamente o que dizer, o que criticar. Ia chamá-los de fracos, ia dizer (indignada) que eles se deixam levar por essas mulheres mas que não se deixam levar pelo que sentem. E ia dizer mais, que mulheres que amam de verdade um homem, não guiam a vida dele, não o influencia, muito pelo contrário, ela o deixa livre para fazer suas escolhas, desenhar o seu caminho, mesmo que isso signifique que ela fique de fora e vire uma mera espectadora.
Mas não, não é nada disso o que eu tenho a dizer depois de ter visto esse filme. Racionalmente, continuo pensando que quem ama deixa o outro livre para fazer suas próprias escolhas, mas como não ficar intrigada com Sofia? Durante a sessão fui ficando incomodada, me sentia estranha, apertada, sufocada. Todo esse incomodo não era a indignação (que imaginei que sentiria) pela passividade do tal Rimini, por ele não resolver as pendencias de relacionamentos antigos, e, o que é pior de tudo, ainda ser o charme em pessoa. Apesar de ficar muito irada com esse tipo de coisa, não era isso que estava me incomodando naquela sessão.
O que me incomodava era a Sofia. Que mulher era aquela, que amor era aquele? De certa forma me identifiquei com ela, mas que fique claro, acho que não sou louca como ela. E que mulher de certa forma não se identifica pelo menos um pouco com ela? Acho que isso me deixou com essa sensação estranha.
É complicado perceber que apesar de todo um discurso feminista, indepentente e forte, você também é um pouco dessa mulher obsecada por um homem (que você julga ser o amor de sua vida), dessa mulher que é capaz de fazer qualquer coisa por aquilo que acredita. Pode parecer radical, mas nós mulheres, somos apaixonadas ao extremo, capazes de lutar até a última força por uma amor que não existe, somos capazes de acreditarmos em uma coisa que nunca existiu e nem existirá, e somos, acima de tudo, capazes entregarmos nossas vidas, nossos sonhos, nosso corpo e nossa alma por um amor.
E diante de tudo isso, do Passado, e do futuro (porque não?) eu me pergunto mais uma vez (plagiando o Jota Quest): "Afinal, será que amar é mesmo tudo?" Sinceramente? Não sei...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Coisas que eu sei

Num dos meus momentos de distração preferido, a hora da novela das oito, escutei uma música que me chamou muita atenção. A música é tema do Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella), e achei que ela também tinha um pouco a ver comigo. Assim que tive tempo "baixei" ela, e, como é típico da minha pessoa, quis escutá-la um milhão de vezes, mas como quase não fico em casa essa missão fica para o fim de semana.
Mas mais do que uma música que gostei, quando li a letra completinha e com calma tive um estalo: "Caramba. Porque não fui eu quem escreveu isso?". A resposta é simplérrima: 1) Não sou tão boa assim com as palavras; 2) o meu negócio é prosa e não verso; 3) a gente só se dá conta de certas coisas quando outras pessoas fazem ou dizem para nós.
Mas enfim... Não adianta eu ficar aqui com inveja de quem escreveu a música. O fato é que toda ela expressa muito bem o que eu sinto e o meu jeito de ser. Mas tem uma parte... essa é especial tem TUDO a ver e é ela que será tema desse post. Aí vai ela: "Coisas que eu sei / Eu adivinho sem ninguém ter me contado".
Desde os tempos remotos do colégio eu "adivinhava" coisas, em especial aquelas que tinham a ver com o coração. Antes mesmo de um romance acontecer eu já cantava a bola, e sempre foi batata, eu acertava todos. Muitos podem dizer que as pessoas ficavam sugestionados com meus palpites, mas não tinha nada disso, porque em muitos casos nem comentava com os envolvidos, falava só entre minhas amigas. Por causa disso minhas amigas ficavam impressionadas com esse meu "poder".
O tempo passou e permaneço com esse "poder" de adivinhar as coisas, mas só aquelas relacionadas ao coração. Porque senão já tinha ficado rica jogando na mega sena (rs). Mas agora a coisa é mais comedida, já não adivinho, como antes, quem gosta de quem, quem fica com quem. Hoje o esquema é diferente, posso dizer exatamente como se sente ou com quem está uma pessoa a quem eu conheça profundamente. Já não dou mais notícias de colegas, agora só consigo adivinhar coisas sem ninguém ter me contado a respeito de meus amigos.
Mágica, poder, intuição? Nada disso. A explicação é simples e já foi dita certa vez para uma pessoa que ficou realmente assustada com esse trem de saber das coisas tão exatamente, inclusive com nomes, e é claro, sentimentos. Os céticos dirão que eu como uma boa jornalista que sou, tenho minhas fontes (sagradas), que me falaram tudo e eu simplesmente disse o fato sem revelar quem me contou. Nada disso! Nesses casos nem existem fontes capazes de me dizer tais coisas. Eu simplesmente sei, não sei bem como mas sei, e com uma riqueza de detalhes capaz de deixar qualquer um impressionado.
A explicação que dei à pessoa, sobre quem adivinhei um montão de coisas, foi que eu a conhecia tanto, mais tanto, que eu sentia (e de repente já sabia com certeza absoluta) o que ela pensava, o que ela sentia... E isso não era nenhum poder especial, é que sou uma pessoa observadora, é como se eu juntasse as peças de um quebra-cabeça, e quanto mais eu conheço uma pessoa, mais fácil é saber o que se passa com ela mesmo que ela não te diga um "a".
Acho que muita gente, inclusive essa pessoa de quem eu sei um milhão de coisas sem ela me haver contado, acha que isso é coisa de quem pensa que sabe tudo. Não, não é isso! Tudo bem que "é meu ponto de vista, não aceito turistas / meu mundo está fechado para visitação". Mas não podemos negar os fatos, que eu sabia eu sabia... Mas o problema de saber dos sentimentos de outras pessoas, é que, muitas vezes, elas preferem ignorar certas coisas. Nesses casos o melhor é parar de insistir nas nossas certezas (quem sabe não estou errada? Apesar de sentir, muito fortemente, que não), e deixar que cada um possa descobrir por si (por mais que isso possa demorar um século) o que se passa em seu coração. Apesar dessa decisão ter sido tomada, e eu estar pelejando comigo mesmo para segui-la, são coisas que eu sei.

sábado, 3 de novembro de 2007

Simple Life – entre pererecas, tatus e bichos mutantes

Pois é, queridos leitores, andei meio sumida, né? Mas é que ando trabalhando feito louca, só na “sofreção” resolvendo milhões de coisas, chegando em casa tarde, mega cansada, mas super satisfeita também. Daí chegou o feriadão e minha companheira de balada, que também tem trabalhado feito louca nos últimos tempos, pega e me chama para ir na fazenda da família dela para descansar um pouco. Proposta irrecusável, né? Tudo o que eu queria na vida, ficar tranqüila, tomando sol, comendo, bebendo, conversando e rindo. Assim lá fomos nós passar uns diazinhos no campo recuperando as energias.
Já na ida é claro que a Nick tinha que zoar com a minha cara (senão não seria a minha amiga Nick). Desde muito tempo a D. Nicolle já falou que eu era prima da Paris Hilton, os porquês é uma história meio longa que não cabe aqui, mas façam suas suposições, talvez elas façam sentido. Tendo isso em vista, a Nick já falou que eu, como a prima pobre da Paris Hilton, ia viver meu dia de Simple Life (para quem não sabe o que é isso, se trata do reality show estrelado pela Paris Hilton em que ela vai pro campo e paga os maiores micos com a frescuragem dela). Bom faz o maior sentido essa história do Simple Life comigo, apesar de não ser patricinha até a última raiz do cabelo, sou típica garota de cidade grande, com alergias de tudo quanto é mosquito, com medo de cavalo, com nojo desses bicho do mato, uma tristeza.
Chegamos na fazenda na quinta a noite, fazenda super legal, bem bacana mesmo, daí estamos naquele esquemão delicioso de conversa solta na mesa da cozinha, bebendo uma cerveja estupidamente gelada (com um calor infernal), e comendo até. Daí a Nick vai para o banheiro e de repente chega a louca deseperada.
“- Ai! Que tem uma perereca horrorosa, preta, no banheiro.” Nisso a Maura pega e fala com ela.
“- Então vai no banheiro de fora.”
Logo chega a Nick de volta.
“- Impossível, no banheiro lá de fora está a mãe da outra perereca. Um trem horroroso enorme”.
“- Uai! Então vamos pegar a perereca e jogar ela pra fora”.
Nesse diálogo só fiquei acompanhando caladinha e pensando “nós, como assim? Eu? Caçar perereca? Se eu ver esse trem eu saio correndo”. E lá fomos nós à caça na perereca, nós é bondade fiquei meio de lado só observando tudo e dando apoio moral e reforçando os gritos a cada vez que a perereca dava um pulo. Até que a Nick teve uma idéia brilhante: entontecer a inimiga com Baygon, assim a gente conseguiria capturar a maldita. Só não esperávamos que com o Baygon a Nick ficasse mais tonta que a perereca. Trem de louco. Depois de uma luta contra a bicha, esmaga de cá, esmaga de lá, Baygon aqui, Baygon ali, gritos e mais gritos, e finalmente conseguimos capturar a danada. E, aí sim, pude cumprir o meu papel: abri a porta para a Maura jogar a bicha fora, e não é que ela ainda saiu pulando.
É... depois de tanta emoção, até fui dormir para dar conta dessa vida campestre.
Dia seguinte, passeio na fazenda, ver as vacas, ir no rio, comer amora do pé (essa foi a melhor parte), pegar coisas na horta, comer pé de moleque, comer broa.... Ai, ai! Comilança e bebelança... Oooo vida ruim.
De noite fomos fazer uma visita a uma prima da Nick que mora na cidade perto da fazenda. Estrada de terra, conversa de interior, (o trem bão). Na volta não é que nos deparamos com um tatu no meio da estrada. Isso mesmo tatu, daqueles com casco e tudo. “-Flávia! Olha isso é tatu, viu? Aposto que você nunca viu!” (sorriso amarelo) “- Nunca vi mesmo não!” (Ainda bem que estamos no carro, senão ia sair correndo rs).
Chegamos de novo na fazenda, ritual da cozinha, comendo, bebendo, escutando música (sertaneja, é claro), e contando “causo”. Quando de repente, não mais que de repente, pousa na cozinha um inseto não identificado, segundo a descrição da Nick trata-se, certamente, de uma “mutação genética, um bicho metade besouro, metade lagartixa”. Enfim, vocês já podem imaginar, né? Nesse momento é claro que eu corri para bem longe até que alguém conseguisse retirar o bicho do recinto.Grande aventura, que terminou com o vôo de duas seriemas no meio da estrada quando estávamos voltando para a civilização. Muito útil a ida ao campo, relaxante, com várias descobertas biológicas. O único trem ruim foram os dois quilos que ganhei com a comilança, bão demais da conta, sô! Que venham mais idas à fazenda, que já vou arrumar uma academia por aqui, é só o começo do reality.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Encontros fugazes

Antes de começar esse post, propriamente dito, tenho que explicar de onde ele surgiu. Essa semana conversando com um amigo (que é personagem do tal encontro fugaz) ele me falou para ir visitar o seu blog, dar uma olhada e tals (o blog dele é esse mesmo que já está aqui do ladinho Ninguém presta inclusive eu?!). E não é que quando estou lendo o blog, não tem um pouco da história que envolveu o nosso encontro fugaz. Quem ficou curioso é só dar uma lida no post Coração Leviano. Explicado isso vamos à minha história.
Na vida da gente há encontros rápidos, fulgazes mesmo, mas que são capazes de mudar o rumo de nossas vidas. Porque e como eles acontecem não sei bem explicar, acho que são essas coisas de destino mesmo. Mas o fato é que nos últimos tempos tive alguns desses encontros fugazes que tiveram e ainda têm uma importância indescridível. Tais encontros já aconteceram e deixaram suas marcas, hoje o que resta, na maioria dos casos, é uma cumplicidade, uma amizade, um carinho especial. Afinal, como não guardar só coisas boas de encontros mais do que felizes e que nos fazem abrir os olhos?
E foi assim com esse meu amigo do post. Nos (re)encontramos unidos pelo samba (que maravilha, não?!), e ambos trazíamos feridas de um amor acabado, a dele um pouco mais antiga estava super profunda e deixou marcas que ele pensava não ser possível apagar; o meu era super recente, tão recente que eu ainda não tinha me dado conta dessa perda e nem das marcas que ela me deixaria. E assim foi nosso encontro, ele com quatro pedras na mão e dois pés atrás, e eu aberta para o que acontecesse, desejando fortemente poder me apaixonar outra vez.
Como todo encontro fugaz ele não foi feito para durar, não foi feito para se estabelecer. Ele é como uma brisa, vem para refrescar nossas almas machucadas, vem para fazer mudarmos de atitude, mudarmos o rumo. Claro que enquanto ele acontece você não sabe que se trata de um, né? Mas para mim e esse meu amigo houve um dia em especial (pelo menos para mim) que marcou que aquele era um desses encontros, e que nem adiantava querermos plantar raízes, estávamos apenas de passagem um pela vida do outro.
O dia foi quando assistimos juntos o filme chileno Na cama, a história de um casal que se conhece em uma festa e vai para o motel. Mais do que a história de sexo casual, o filme fala justo de um encontro fugaz, em que dois desconhecidos se abrem, deixam que um entre (ainda que levemente) na vida do outro, e fazem com que cada um repense na sua vida, e se envolvem fortemente mesmo sabendo que não haverá futuro na relação entre eles. Quando acabou o filme, foi como se uma ficha tivesse caído, já tínhamos cumprido a nossa missão um na vida do outro, agora era hora de cada um seguir seu caminho.
Eu na vida dele creio que fui uma peça importante para que ele pudesse superar aquele amor perdido e pudesse se envolver de verdade com outra pessoa, e é isso o que ele está fazendo agora, e eu fico muito feliz de saber que sou um pouco responsável por isso. Na minha vida ele teve um papel crucial para que eu pudesse enxergar que aquele meu amor perdido tinha uma importância bem maior do que eu queria acreditar em um primeiro momento, e que eu precisava, sim, (por mais que isso seja sofrido) retornar a ele, resolvê-lo (pelo menos tentar), e viver o período de luto que ele precisava ser vivido até que as feridas não doessem mais e que eu pudesse reencontrar um novo amor. Enquanto isso não acontece, fico a espera de novos e felizes encontros fugazes.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"Hum... Delícia!"

O que é isso? Um comentário carinhoso que ouvi outro dia na rua. As leitoras devem estar pensando: "Nossa que situação desagradável, esses homens estúpidos, além de nos tratarem como objeto, agora viramos comida?". É queridas leitoras não fiquem bravas afinal esse é o mundo em que vivemos, e para falar a verdade nem achei ruim de ter sido chamada de "delícia".
Há dias que uma mulher precisa, necessita de ser chamada de "delícia". Bom, acho que aquele era um dos meus dias. Desses que você acorda meio "virada" em que tudo o que você faz parece dar errado. E é claro que é também nesse dia que você se sente a mulher mais feia do universo, e se sente terrível, e logo vem a convicção de que morrerá solteira, que ninguém te ama, que ninguém te quer, e que o negócio é virar freira no colégio Sacre Couer. Claro que isso é um reflexo da sua mais do que conturbada vida amorosa, que decidiu (finalmente, depois de tanto pedir a Deus) virar o maior marasmo da face da Terra. Isso sem contar com a constante dúvida se aquele desgraçado que você ainda adora (por mais que todo mundo te chingue por causa disso) está mesmo com aquela sem sal, e para piorar você ainda tem que se fazer de forte e finjir que não está nem aí quando ele vem falar com você e joga aquele charme e te balança como só ele sabe fazer. (ai, ai! como é dura a vida).
Como aguentar, como ter auto-estima com esse cenário nada favorável? Simples, não é que surge o resgate nada glamuroso da nossa auto- estima num básico: "Hum... Delícia!" Como consegui-lo? Mais simples ainda, não precisamos nem de super produção, nem ida ao cabelereiro (pasmen!). Para mim (e acredito que para qualquer mulher também funcione) foi só colocar uma saia com comprimento acima do joelho (já dizem por aí que saia é de Deus... rs), uma blusinha de alcinha charmosinha, uma sandália rasteirinha e sair leve e fagueira, como se nenhum problema rondasse sua cabeça, por ruas movimentadas. E quando dei por mim (que surpresa!) já tinha uns cinco homens olhando eu passar (ah! se fossem aqueles homens de propaganda de shampoo, até sairia aquele sorriso de lado um pouco tímido) e para fechar com chave de ouro: "Hum.... Delícia!"

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Grandes garotas não choram

A moda agora é dizer como nós, mulheres, somos o sexo forte, em como estamos na vanguarda comportamental, em como revolucionamos os relacionamentos. Hoje o retrato de "grandes" mulheres são traçados como aquelas lindas mulheres bem sucedidas profissionalmente, super independentes (às vezes tão independentes que parecem sempre estar sozinhas), super bem resolvidas sexualmente, desencanadas em relação ao sexo oposto (tão desencanadas que acabam não engatando um relacionamento sério), solteiras e sem filhos. As novas e super mulheres devem ser duras na queda, não podem dar mole, têm que trazer os homens na mão, têm que superar uma desilusão amorosa como se fosse um almoço de negócios cancelado, chorar então? Nem pensar! Afinal, grandes garotas não choram.
Penso nesse novo (mas nem tão novo assim) perfil de mulher e almejo, tenho como certo de que sou uma dessas novas mulheres, que estão na vanguarda do comportamento. Ainda não sou totalmente independente e nem atingi meu sucesso profissional, mas sei que um dia chego lá. Mas por outro lado não quero ser essa mulher. Acho muito triste ter que ser durona sempre, não poder se acabar de chorar de dor de cotovelo, não se dar ao direito de viver intensamente aquela paixão do começo ao fim. Se for para ser assim prefiro ser chamada de antiquada, de mulher do século XIX, mas não abro mão de ser manteiga derretida, de chorar naquela comédia romântica, de sonhar com o amor batendo na porta, de querer dividir a vida com alguém especial, e ter filhos (porque não?).
No meu ponto de vista grandes mulheres não só são independentes, bem sucedidas, pós-modernas e bem resolvidas. Eu diria que elas são tão bem resolvidas que elas sabem que podem chorar, se descabelar, sonhar, e que nada disso tirará o que elas conquistaram. Que mulheres que não choram são apenas meninas medíocres querendo parecer uma grande mulher.
Choramos sim (e muito), mas isso não nos torna o sexo frágil. Muito antes pelo contrário, só mostra como mulheres podem ser independentes e bem resolvidas sem deixarmos de sermos sensíveis. E é esse plus que nos tornam mais do que especiais, mais mulheres do que nunca, mulheres (com "m" mais do que maiúsculo).

sábado, 20 de outubro de 2007

Menina má

Gente, tem vezes que até eu mesmo me surpreendo quando minhas amigas me falam que eu sou terrível. Não dou bola, digo que isso é bobagem delas, que eu sou ótima. Mas começo a achar que eu sou mesmo terrível. Além de ser uma menina "atentada", afinal não consigo parar quieta, sou mesmo gandaiera, rueira, zoadeira...e o que mais for que termine com "eira". E não existe nada parecido com "santeira", "angeleira", "quieteira"... Palavras que, definitivamente, nem adiatam ser inventadas, porque nem assim elas fariam parte do meu vocabulário.
Tudo bem não ser um exemplo de boa moça, afinal ser um pouquinho "errada" faz parte do meu jeito de ser. E quando falo (nesses momentos desesperadores) que vou mudar que irei ser uma menina séria, boa e compenetrada, minhas amigas (ai, é por isso que eu amo elas) logo dizem: - Que isso! Faz isso não! Você vai virar uma chata! Continua assim do jeito que você é que está legal.
E é isso mesmo, continuo e continuarei desse meu jeito meio "errada" e "avoada", afinal, esse é o único jeito em que sou eu mesma, sou espontânea, e sou feliz. Mas isso não muda o fato de ficar com medo de mim às vezes...
Tudo bem que eu nunca quis ser mocinha de novela (tudo bem... eu assumo, quando eu tinha meus 15 anos eu sonhava com isso), afinal mocinhas são chatas, aborrecidas, tristes e sofredoras. Deus que me livre! Não quero isso para mim não. Mas também nunca cheguei a ser uma vilã, nunca cobicei o namorado alheio (aff... tudo bem isso é mentira! Mas pelo menos nunca cobicei os namorados das minhas amigas. Afinal, amigas e família são sagrados), Nunca usei de artimanhas para conquistar alguém (aff! Mais uma mentira- riso amarelo. Ai! Quem nunca fez um charme especial, armou um encontro que atire a primeira pedra). Ok, ok, só não matei, nem roubei, nem dei o golpe do baú (isso ainda está em tempo - rs- calma que é brincadeira) e nem peguei namorado de amiga. O resto?! Provavelmente já fiz tudo, afinal as vilãs sabem como se divertir, e, graças a Deus, eu também.
Não posso negar meu lado vilã. E sou obrigada a assumir que sim, que às vezes, fico feliz com a tristeza alheia. Não é nada proposital, e não me orgulho nada disso. Mas o que posso fazer? É mais forte do que eu. Como não se sentir extremamente feliz quando aquele cara dá um pé naquela menina nada a ver. Mas também não pude deixar me sentir péssima por ter ficado feliz com a tristeza alheia. Mas assim é a vida, aposto que outras tantas não tiveram o mesmo remorso que eu quando foi a minha vez de ficar triste. É assustador? Sim, mas assim são os seres humanos, muito mais vilões do que mocinhos...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Por onde anda?

Leio com calma os textos até então publicados aqui e tem algo muito estranho. Tudo tão desperançoso, tudo tão cinza, tudo tão "dor de cutuvelo". Afinal, onde está aquela menina alegre, "colorida", que fala de tudo? Onde foi parar aquela mocinha bem humorada, que sempre tem um bom "causo" para contar, que não se veste de preto e nem de cores tristes porque não batem com seu astral? Cadê aquela menina que vive no mundo da lua? Onde estão as histórias bacanas, engraçadas e divertidas do Flavinha no Mundo da Lua?
Não sei... É muito esquisito ler esses textos e não ver neles o meu lado divertido, alegre, engraçado, colorido. Sinto uma terrrível sensação ao ver que aqui está meu lado mais triste, mais cinza (ai como eu odeio a falta de cor), mais desiludida. Ah, nem! Tudo bem que tudo que escrevi é totalmente verdade (para mim), e reflete bem o meu estado de espírito nos últimos tempos. Mas cansei (mais uma vez)! Chega de lamentações, chega de falar mau dos homens (vou tentar, mas acho muito difícil), chega de esperar o príncipe encantado (agora estou esperando um Sherek mesmo rs), chega de humor ácido (voltemos ao humor leve e despretencioso), chega de tristeza. Afinal, "a sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida".
O motivo da mudança repentina? Bom, foi mais ou menos assim... (senta que lá vem a história). No feriado fizemos a saída dos "abandonados" (nome, infeliz, que eu dei aos meus companheiros de saídas no feriadão. Abandonados que nada! Estávamos super bem acompanhados, melhor (quase) impossível!). As saídas foram ótimas, mas não posso deixar de esconder que cada um levava sua lamentação, e esta, claro está, tinha a ver com o seu abandono. Daí no sábado comentei com a minha irmã que iria me encontrar de novo com a mesma turma, e ela, estranhando perguntou:
- A mesma?
- Sim, somos os abandonados, vamos nos encontrar de novo.
- Abandonados??? Porque?
Expliquei a ela os motivos dos abandonos dos meus companheiros, mas não soube explicar o meu abandono. No que ela replicou?
- Mas você não está abandonada. Está sozinha por que quer.
No que eu olhei para ela com aquela cara de "será?". E respondi, não muito convicta:
- É... pode até ser. Mas o fato que eu não abandono meus amigos, e lá vou eu fazer companhia a eles, afinal somos solidários e não nos abandonamos (risos).
Já abandonando a idéia de sermos o grupo "abandonado", li uma matéria sobre as novas solteiras e o seu lema: "solteira sim, sozinha jamé!". Acho que me inspirei, e resolvi abandonar essa fase cinzenta e com dor de cutuvelo. Resolvi voltar às histórias engraçadas e bem humoradas, dessas que não tem muita pretensão de dar lição de vida em ninguém (afinal, quem sou eu, né?). O lema agora é: Solteira sim, não tenho problema algum com isso. Em busca do amor? Não exatamente (afinal, tenho uma vaga idéia de onde ele se esconde), em procura da felicidade, isso sim! Afinal, são nesses momentos fugazes onde se "esconde" aquela garota divertida, alegre, engraçada e colorida.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Eu não soube te amar"

Ontem me lembrei de um episódio que me aconteceu há vários anos (uns três ou quatro....) Na época estava começando a namorar e recebi um telefonema para lá de esquisito e misterioso. Tocou o telefone, na época eu ainda morava no apartamento da Capelinha, e quando atendo, ouço um violão e uma voz lá no fundo cantando: "Não me queixo, eu não soube te amar. Mas não deixo de querer conquistar uma coisa qualquer em você. O que será?" Sim, foi só esse trecho da música Eclipse Oculto do Caetano que, o moço misterioso, cantou para mim (?) ao telefone. Nada mais, nem mesmo respondeu à minha insistência em dizer quem era, apenas cantou, ficou em silencio ouvindo meus insistentes pedidos de revelar sua identidade (tenho certeza que hesitou e preferiu ficar no anonimato) até que desligou o telefone.
Pode ser que aquele telefonema nem fosse para mim, pode ter sido engano, trote, vai saber? O fato é que nada me tira da cabeça de que sim, que aquele telefonema surreal era para mim. Fiquei "encucada" com aquela história durante semanas, pensei, pensei, mas não consegui descobrir o autor de tal telefonema. Com isso acabei me esquecendo dessa história, quando ontem, não sei o porquê (a cabeça da gente funciona de tal maneira que não conseguimos entender), essa história surgiu novamente e tão fresca que consigo, até, me recordar daquela voz ao telefone.
Hoje vejo que só mesmo um homem para dizer essas coisas. Que mulher no mundo diria ao homem que ama que não soube amá-lo, e se resignar que o amor dela não é para ele? Sejamos realistas, NENHUMA. Para nós mulheres não existe amor "errado", afinal quer amor melhor do que o nosso amor sincero? Além disso, não somos do tipo resignadas (eu pelo menos não faço nem um pouco esse tipo), daquelas que se conformam e dizem: não, eu não faço bem para ele, meu amor está fazendo mal. Que mané fazendo mal! Como uma pessoa pode ficar melhor, mais feliz longe de quem se ama e de quem é amado? Isso, para nós, está fora de cogitação, é uma missão impossível. Românticas e insistentes que somos, acreditamos, piamente, na tese de que o amor pode dar certo, e damos quantas chances forem necessárias para que isso aconteça (pode ser que não aconteça nunca, mas bobas que somos sempre temos uma esperança).
Já com os homens... Daí a história é completamente diferente. Por mais absurdo que nos pareça, eles são realmente capazes de dizer que amam, mas que não podem seguir adiante. Num primeiro instante é como se eles estivessem falando grego, depois, analisando melhor a situação, a gente logo pensa: "_ Que cachorro! Ele fala isso de desculpa esfarrapada, se me amasse de verdade estaria comigo, daria mais uma chance para o nosso amor. Aposto de que o safado já está é enrabichado por outra (aposto que é aquela baranga horrorosa, o que ele viu nela?). Aquele cretino... ele realmente não merece o meu amor". Só num terceiro momento (muuuuuuito tempo depois) é que podemos cogitar a hipótese da sinceridade do sujeito. Afinal, homens são seres extremamente racionais e, sim, eles sempre optam pelo caminho mais fácil. No pensamento deles é melhor poupar sofrimento ao invés de investir no amor (eitha sentimento que dá trabalho).
É triste? Muito. Mas enfim... mulheres e homens pensam e agem de forma muito diferente. Mas é aí que está o encanto da coisa: encontrar o amor que seja resistente a tantas diferenças e que apesar das tentativas do eu não sei te amar sigam firmes e sempre querendo conquistar alguma coisa qualquer... E assim sigo eu, ouvindo, às vezes não tão poeticamente, os versos do Caetano uma, duas, três...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pertubadora de solidão

Cecília Meireles já se perguntava se haveria na terra verdadeira solidão. Poxa! Parece que ela tirou essa indagação da minha cabeça... Assim como ela penso que é impossível ficar verdadeiramente sozinho. Por mais que estejamos sozinhos fisicamente, vivemos cercados de lembranças, sonhos, raciocínios, idéias, que impedem que estejamos na solidão.
Enquanto escrevo esse texto estou aqui assustadoramente acompanhada de minhas lembranças. Que terrível é não poder se livrar daquelas lembranças, que seriam melhor ficar empoeiradas em algum recanto da memória.
As lembranças têm vontades próprias, por isso nem sempre são as melhores companhias. E em qualquer movimento não calculado elas surgem com força total. Uma foto, um e-mail, uma possível presença, qualquer coisa pode trazer a tona essas recordações.
Hoje mesmo me veio à tona lembranças doces de um passado não muito distante. Mas como recordações tão gostosas podem ter um gosto tão amargo? Difícil explicar como e porque isso acontece. Não sei bem... quem sabe ainda me falte a serenidade do longo tempo transcorrido para que lembranças sejam apenas doces e empoeiradas lembranças de uma vida que já não mais reconhecemos?
São tão forte essas lembranças... Tento fugir, mas não consigo, penso em várias coisas, no almoço, na amiga que vem fazer uma visita, na sáida do final de semana, mas nada faz com ela vá embora. Arrisco uma outra estratégia, tento resgatar outras lembranças, de um passado mais longíquo e empoeirado. Em vão, este está demasiado distante, tão, tão distante que nem reconheço seus personagens...
A tal lembrança insiste em fazer morada na minha cabeça, e o que é pior, no meu coração (lugar de onde ela nunca deve ter saído). Nesse momento pertubador em que encaro, cara a cara, a dita cuja penso: Como queria poder ficar sozinha, de verdade, sem pensamentos, sem lembranças, sem companhia. Ser sei lá, uma feliz desaparecida. Poder ser só eu, desparecida de minhas lembraças (pelo menos até o momento em que elas se tornem emboloradas, difíceis de serem resgatadas, e quando recordadas só tragam aquela gostosa sensação de uma antiga história que ninguém sabe ao certo se aconteceu ou não).

domingo, 30 de setembro de 2007

Síndrome de Bridget Jones

Imaginem uma moça simpática, meio (meio é bondade, muito é mais real) desastrada, que vive dando foras e palas (daquelas viram anedotas de bar), que é conhecida pelo seu ótimo senso de humor (que ela não entende de onde vem, afinal não é nada proposital, o que ela quer mesmo é ser uma pessoa séria), e, para completar, é super solteira (não digo convicta, porque ela quer encontrar um grande amor, sua solteirice é um estado passageiro - pelo menos em sua ilusão- até que o homem certo apareça, como em um conto de fadas), e sua vida amorosa (aff!...) uma grande confusão. Imaginaram? Ou se enrolaram com esse perfil um tanto quanto confuso?
Aposto que ficaram sugestionados com o título e já estão visualizando a Renée Zellweger, meio gordinha, com aquela calcinha enorme, pagando os maiores micos em rede britânica no filme O Diário de Bridget Jones. Nada disso! Nossa mocinha aqui não está acima do peso (pelo menos por enquanto), não é fumante (graças a Deus), não é trintona (isso só daqui alguns anos), e não ela não trabalha em TV (é até jornalista... quem sabe um dia seus micos também não parem na TV?). Já sabem de quem eu estou falando? Aposto que muita gente se identificou, né? Bom... (eu como a boa egoísta que sou) estou falando de mim mesma (quem mais poderia ser?).
A bem da verdade é que toda mulher já teve seu dia de Bridget, aqueles em que somos pegas desprevenidas pelas situações mais surreais, ou ainda naqueles outros dias em que esquecemos da balança e matamos nossa carência em uma maravilhosa panela de brigadeiro, ou ainda quando tomamos aquele porre e falamos e fazemos coisas que, definitivamente, não devíamos. Enfim... acontece com todo mundo.
O problema é quando síndrome Bridget decide se prolongar, e se transforma, quase, em um estilo de vida. É, queridos leitores, acho que esse é o meu caso. Já estou até escutando as risadas das pessoas mais próximas a mim ao lerem esse post e identificarem as minhas inúmeras situações Bridget. Para vocês eu digo: - vocês se divertem, né? Tudo bem, eu também me divirto, é bom ter histórias para contar. Mas cansei! Acho que já tenho um arsenal de histórias grande o suficiente, e boas o bastante para contar para os meus netos. Tenho certeza que eles se divertirão muito com o caso do maníaco do bandejão, com as saídas de solteira com a Nicolle, o caso do "feio" argentino, o da "Flávia - Branca de Neve", o da llama, o da infiltração, o da inundação, o do mudo, o da banheira, o dos melhores amigos, enfim... coisas que só acontecem comigo (e com a Bridget também).
Sei que vocês estão loucos para conhecer todas essas histórias, né? Quem sabe num O Diário de Flávia Camisasca? Mas deixemos disso, afinal não são os casos que estão em questão aqui!O fato é que não me tornei uma Bridget da noite para o dia. Acho que sempre fui um pouco assim... Tanto é que na adolescência eu tinha a certeza de que morreria solteira... Depois de ter perdido essa convicção, volto a tê-la. Mas o fato é que, na verdade mesmo, eu espero por aquele triangulo amoroso espetacular entre a desastrada desesperançosa, o cafajeste charmoso e o cara sério e que adora aquela moça desajeitada. E depois, que sacrifício (!), ter que fazer a dificílima escolha. Bom, cá estou, a moça desastrada (e que tem lá o seu charme, vai?), cafajeste tem aos montes (nú! é até difícil escolher um só), agora cadê o bendito gentleman que me adora com esse meu jeito estabanado???? AAAAAAA!!!! Se por um acaso, por uma incrível coincidência do destino (gosto de pensar que essas coisas não acontecem só em filmes), o meu Marcy Darcy ler esse texto, pelo AMOR DE DEUS manifeste-se, que eu já não agüento mais ser a Bridget solteira e envolta em tantas confusões (porque meio Bridget é impossível que eu deixe de ser... mas confusão com happy end e beijo na boca é muito mais legal!).

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Eu prefiro (?) ser essa metamorfose ambulante

Já dizia Raul Seixas que o melhor mesmo é ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.Opinião essa compartilhada por um monte de pessoas, eu até arriscaria dizer que é, quase, uma unanimidade.
Mas, enfim... Não toh aqui para falar do Raul. Quero, ou queria (nem sei mais), era falar da tal metamorfose, tema de Raul, Kafka, Sandra, Flávia (!) .... Mais do que uma mudança de opiniões, de quebra de (pre) conceitos, a metamorfose também implica em uma mudança de aparencia (além da essencia), não é a toa que a larva vira borboleta e o homem vira barata. Apesar das metamorfoses da vida real não serem, muitas vezes, tão radicais, o fato é que elas implicam, sim, em mudança de aparencia.
A primeira vez em que comecei a pensar realmente nesse tema fo na aula de Psicologia Social II, isso no segundo semestre de 2005 (se não me engano). Já no primeiro dia de aula a professora Sandra Azevedo, abordou o tema que iria nos guiar durante todo o semestre, mas muito além de teóricos, linhas de pensamento, ela falava do plano pessoal mesmo (aspecto que realmente me chamou a atenção). O fato é que aquela disciplina, realmente, mudou a minha vida. Vimos o movimento feminista, o método educacional de Paulo Freire, Pichon Riviere, um monte de coisas que agora não me acordo bem, e, inclusive, fiz um trabalho sobre a Metamorfose de Kafka. Tudo bem, aprendi muitas coisas, mas isso não foi o mais importante. O importante é que a partir daí comecei a rever as coisas, meus conceitos, minha vida, e o que eu, realmente, queria para mim (não aquilo que eu achava que eu queria, ou que todo mundo queria para mim, mas aquilo que me deixaria feliz para além da conta).
O processo todo é muito complicado, e nem sei bem como ele se deu. Só sei que mudei, rompi (algumas vezes drásticamente) com coisas, fiquei com muito medo das escolhas que fiz (mas escolhas são mais do que necessárias, e se você faz com o coração, por mais que você erre, é um alívio poder tê-la feito), e fiquei mega feliz quando deslumbrei que tava mais perto do que eu tinha traçado como ideal para mim.
O fato é que qualquer mudança real (dessas que, quase, podem ser chamadas de revolução) vem acompanhada de um cambio visual também. No meu caso, por exemplo, quando eu vi que já tava tudo dirente, senti que o visual não "batia" e lá fui eu "descontruir" a cabeleira (sim, leitores, a primeira mudança visível em uma mulher são nas madeixas). E de lá para cá sofri várias pequenas mudanças nos cabelos (umas meio contra a vontade, lembrem-se do caso do cabelo argentino) que bem podem ser reflexo (ou não) das mudanças que aconteceram comigo (aí também se incluem aquelas que acontecem contra a nossa vontade). Vejo as fotos e parece que já faz tanto tempo, mas não tem nem 2 anos. Parecia tão menina... daquelas fotos quase que só reconheço o olhar, o sorriso (que permanecem praticamente os mesmos), e os traços de quem já fui um dia.
Volto a ver as fotos atuais e me sinto (não digo completamente, porque isso é meio missão impossível) feliz. Gosto, de verdade, de como sou hoje, me sinto em casa com as coisas que penso, em como ajo, como levo a minha vida, e com meu visual também. Daí bate aquele impulso comodista, para quê mudar mais??? Mudanças só as profissionais. Não quero mais grandes metamorfoses. Mas logo caio em mim e vejo que é impossível, é como disse um amigo uma vez: "é uma espiral descendente". Mas que doideira é essa de espiral??? Na explicação desse meu amigo é quando entra num determinado processo no qual é impossível sair a não ser quando ele acaba de vez (nesse caso, quando passamos dessa para melhor). Uma vez que nos abrimos e nos permitimos revolucionar nossas vidas, nos tornaremos novos a cada dia (mesmo contra nossa vontade). O que fazer? Também não sei mas acho que pode ajudar se nos desapegamos de nossas fotos, sabendo que mais cedo ou mais tarde não nos reconheceremos. Mas resta o conforto de que sempre haverá um vestígio, algo que nos acompanha...

Nota: Queria colocar uma foto estilo "Antes e Depois", mas desiti. Afinal, isso não é revista de beleza e também vai que nela vocês vejam a mesma Flavinha de sempre e toda a minha tese vai por água abaixo??? Nem pensar!!!!!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Esvaziando a alma

Outro dia li uma crônica do Drummond em que ele explicava ao seu carteiro que escrever era esvaziar a alma. Não pude deixar de concordar e pensar sobre isso. Eu como uma “escrevente” (não ouso dizer que sou escritora – afinal, quem sou eu para dizer que sou o que pessoas admiráveis como o próprio Drummond é?) compulsiva de e-mails gigantescos e que extravasam todas as minhas emoções, sou prova viva de que tal afirmação é verdadeira. Depois que escrevo esses intermináveis e-mails me sinto confortavelmente mais leve, é como se aquelas linhas se encharcassem de minha alma, e eu pudesse, enfim, seguir com um peso a menos.
Mas, o alívio dura pouco. Logo já me vejo, novamente, enchendo a tela do computador com minha alma. Será que ela não esvazia nunca??? Será que os destinatários dos meus e-mails se sentem pesados com tanta alma recebida??? Acho que daqui a pouco os senhores “Googles” terão que inventar um rastreador “anti-alma”. Fico com dó dos meus queridos amigos. Afinal, quem tem tempo hoje em dia para ler tantos e-mails “pesados” de uma “escrevente” compulsiva?
Escrever mais do que um exercício de limpeza acaba se tornando um vício, similar ao daquelas pessoas que tem mania de limpeza, que não podem ver uma poeirinha e lá estão elas com seus paninhos em mãos. Com “escreventes” compulsivos acontece a mesma coisa, qualquer bobagenzinha que nos acontece já pensamos em escrever (o vizinho fazendo reforma, aquele ex que insiste em ser o babaca do ano, a amiga que tava com suspeita de uma doença séria, a crônica que li...). E essas coisas, transformadas em letrinhas, não abandonam minha cabeça, até que elas passem da minha cabeça para a tela do computador. Porém, minha censura não permite que todas essas bobagens sejam escritas nos tais e-mails, afinal, tem coisas que ninguém merece, né?! Nem grandes amizades precisam ficar lendo textos como esse, que esvazia a minha alma, mas que, provavelmente, não fará diferença na vida de ninguém.
O que ninguém esperava era a minha cara de pau (sim leitores, sou uma garota atrevida e cara de pau, sim senhor!) de fazer esse blog, que não tem nenhum objetivo ou temática específica. Portanto não esperem um “Flavinha no mundo da Lua - o retorno”, na na ni na não, esse blog não foi feito para o deleite dos senhores, e nem para ter histórias engraçadas e aventuras para lá de surreais. Nada disso! Esse blog é um projeto egoísta (sim, eu assumo isso!) que pretende dar vasão a esse vício, assim sem censura mesmo, e é claro para manter a alma sempre limpinha. Aos amigos já deixo o aviso de que não podem respirar aliviados, porque o vício é grande e provavelmente os e-mails continuam...
Para terminar o primeiro de muitos textos parafraseio o carteiro de Drummond: “- Bem, já que vocês insistem, aqui está o blog, e não reparem nos defeitos, viu? Esvaziei bastante a alma, tudo não era possível”.

Nota: A crônica que aqui faço referencia chama-se Sondagem do Carlos Drummond de Andrade, eu a li na coletânea de crônicas organizada pelo Humberto Werneck pela Companhia das Letras.