quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Recebi esse texto e achei que tinha tudo a ver com o blog.... Espero que gostem.

"Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe???
Nem ela caríssimos, nem ela.
Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais.
Santa, mesmo, só Nossa Senhora, mas, cá entre nós, não é uma doideira o modo como ela engravidou? (Não se escandalize, não me mande e-mails, estou brin-can-do.)
Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Mas, além disso, temos que ser independentes, bonitas, ter filhos e fingir de vez em quando que somos santas, ajuizadas, responsáveis, e que nunca, mas nunca, pensaremos em jogar tudo pro alto e embarcar num navio pirata comandado pelo Johnny Depp, ou então virar louca e cafetina, ou sei lá, diga aí uma fantasia secreta, sua imaginação deve ser melhor que a minha.
Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos.
Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra".
Martha Medeiros

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Por onde andam as Pequenas Misses Sunshine?

Gaúcha de 5 anos é eleita Mini Miss Mundo. Como assim? Será a nova Pequena Miss Sunshine? Logo que vejo essa manchete estampada em um site de notícias clico correndo para ver que história é essa. È, complicado... E lá está o site, a cidade da pequena, a mãe toda orgulhosa da menina com cara e cabelos de Barbie, e não de criança, com coroa e tudo o mais. Leio a notinha que fala da façanha da garotinha no Equador, que concorreu na etapa nacional por Santa Catarina e não pelo Rio Grande do Sul, onde nasceu, porque ficou em segundo lugar no concurso do seu estado.
Poxa, penso, que corrida é essa por ser miss? Sair do seu estado aos 5 anos, para ganhar o título no estado vizinho, para concorrer na versão nacional e logo na mundial. Putz, que fase, como diria o meu cunhado! O que passará na cabeça dessa criança? Se é que ela tem idade o suficiente para discernir essas coisas... E o que é pior, o que a mãe dessa menina tem na cabeça? Será que essa corrida é uma loucura de uma mãe frustrada que vê na beleza da filha, uma realização que ela não teve? Será que ela atende os caprichos de uma menina já ultra vaidosa, que sonha ter uma vida de Barbie, com coroas, roupas cor de rosa e, no futuro, com um namorado Ken (tudo bem, que menina não sonhou com isso, mas será que precisa levar até a última instância?)?
Queria pensar que talvez fosse um caso Miss Sunshine, de uma garotinha simpática e ingênua, em que sua beleza ultrapassa as ditaduras da moda, ela está, justamente, no que se difere das pequenas Barbies, com seus cabelos dourados, cheios de laquê, suas maquiagens azuis, cor de rosa e seus maios cheios de brilhos e paetês. Mas como achar que seria isso, se o que vejo na foto não é uma criança, é uma boneca. A imagem nem parece ser real, não é uma menina que se veste de princesa no seu aniversário. Não é isso que consigo ver, num sorriso (forçado), fazendo pose e pronta para vender pasta de dente.
Dói-me o coração. Que mundo é esse? Que pessoas são essas? Sei que nada posso dizer, mesmo porque não conheço a pequena miss e, muito, menos a sua família. Mas o que digo não é dela, em especial, mas nessa multidão de meninas que desde que se entendem por gente estão preocupadas com o movimento de seus cabelos, o esmalte, o batom, em ser atraente, em ser admirada, em ser reconhecida por sua beleza... Isso me assusta. Não é verdade, que crianças não deveriam ter preocupações, que elas têm é que estudar, brincar, se divertir, independente da aparência que tenham? E os pais? Eles deveriam é se preocupar se seus filhos estão aproveitando a infância, se serão pessoas bacanas e felizes, ainda que sejam os mais feios do universo?
Muitos devem pensar que fui uma criança feia e que não gostava das bonitas. Não é verdade isso. Fato é que nem sempre fui das mais admiradas na escolinha em que estudava. Isso mudou quando a loirinha mais bonita mudou de colégio, e de repente o posto veio parar em minhas mãos. Estranha essa sensação de, de repente, os cinco meninos da sala quererem “namorar” comigo... Outro fato que marcou essa coisa de beleza foi quando eu tinha 11 anos e no clube onde eu freqüentava fizeram um concurso “Garota Colônia de Férias”. Quando vi isso nem cogitei a idéia de participar, estava lá só para estar com pessoas da minha idade curtindo as férias no clube. O problema é que nenhuma menina da minha idade cogitou essa idéia, então estavam sem concorrentes. Que fazer? Os monitores incentivaram todas a participarem da “brincadeira”, afinal ia ser chato se não tivesse nenhuma menina para desfilar diante dos jurados e da platéia que já ia escolhendo a sua favorita. E lá fui eu, mais pela onda de ir com minhas amigas, do que por achar que fosse bonita para essas coisas. E não é que ganhei? Surpreendi a minha mãe quando cheguei em casa com um ursinho de pelúcia (o prêmio pela façanha), ela que nem imaginava que existisse tal concurso. Pior foi a vergonha que passei logo quando chegou o jornal do clube e minha foto lá, estampada como a “Garota Colônia de Férias”, com os olhos arregalados. Que mico! Na época não contei a ninguém essa baboseira toda, mas minha mãe, é claro, levou o jornal para todo mundo ver e transformou tudo numa grande brincadeira. Hoje, eu que não sou modelo de beleza em lugar nenhum (sou apenas uma moça “normal”), sempre conto essa história com grandes risadas, do tipo: vejam gente, até euzinha aqui já fui “A” menina loirinha e bonitinha, “Garota Colônia de Férias” e até figurante de propaganda da prefeitura de Belo Horizonte (mas essa história é de carnavais anteriores e depois eu conto).

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O que é?

(Calma que não é charada).

Se me perguntarem o que se passa comigo. Direi, parafraseando, a música da Maria Rita: “Não sei responder, não sei explicar”... Mas sei que alguma coisa “nasceu dentro de mim, me fez renascer, me fez despertar”.
Os leitores (se é que eles existem), mais ou menos atentos, podem até dizer: essa charada é fácil, o que acontece com é ela é claro, é óbvio, é o “danado do amor”. Mas, péra lá, já disse no começo que não é charada. E além do mais, devagar com a dor, que o amor é um bichim complicado, que não pega assim tão fácil uma mineirinha desconfiada como euzinha aqui. Afinal, não sou mais adolescente e as coisas ganham um plano, um ângulo diferente quando a vida é real, e as pessoas já são calejadas.
Entonces, não, não é o amor que nasceu dentro de mim, pelo menos não nesse momento (ele já nasceu e renasceu um par de vezes, e pode vir a brotar a qualquer instante, afinal, nunca se sabe...). Mas e então? Que diabos foi o que aconteceu com essa garota que vos fala?
Não sei explicar, mas arrisco a tentar fazê-lo. Aconteceu que fui “sacudida”, fui chamada a rever velhas posturas, velhos sentimentos, velhos desejos, velhas vontades. Vi que estava sendo conservadora (ai, como odeio isso!) ao me “fechar” em esquemas seguros (em partes) e não olhar à minha volta. Já tinha meu repertório pronto, de quem gostar, de quem querer, de quem desejar, quando querer, quando arriscar, porque querer, porque desejar.
Daí de repente, não mais do que de repente (na minha ilusão), sou sacudida e levada (quase que obrigada) a largar meu esqueminha. Não, não posso dizer que fui obrigada, porque me deixei levar, me permiti. Mas, confesso que me causou (e ainda causa) grande espanto esse desprendimento repentino aos meus velhos planos e esquemas. Resisto e tento não entregá-los por completo, pelo menos não 100%. Será que não dá para abrir mão só 50%? Não! É a resposta que tenho. Putz! Arregalo o olho, engulo seco e sem pensar bem deixo me levar mais uma vez.
O que sinto agora? Uma mistura de coisas. Um medo imenso de ir largando as coisas assim, de mudar tanto assim. Um apego incrível as coisas velhas, ainda restam uns porcentinhos razoáveis que não larguei mão, e que só o farei, tenho quase certeza absoluta (porque sou assim), quando, efetivamente, for chamada a fazer uma escolha. E, é disso que mais tenho medo... Porque do jeito que sou medrosa e burra vou acabar fazendo a escolha errada (para variar...) e me apegar, novamente, aos velhos esquemas (nada) seguros, que mantém a minha vida na eterna (falta de) tranqüilidade e certeza.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

De repente é como se o céu se abrisse, logo quando cansada de esperar estivesse desistido...

É assim que me sinto.

Cansei De Esperar Você (D. Yvonne Lara/Délcio Carvalho)

Quando cansei de esperar você
Vi minha estrela maior renascer
Vi minha vida mais colorida
Cheia de encanto e de mais prazer.
Vi quando o mar se abriu
Deixando passar todo o meu sentimento
Até na chuva e no vento
Vi a luz da poesia.
Minha alegria voltou
Brilhando no alvorecer
Quando deixei de amar
E esperar por você.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Lua - sensações

Fim de tarde, um viaduto de grades vermelhas a percorrer e, num céu ainda azul, vejo ao longe algo que não acredito que seja a lua tão grande e redonda quase a tocar a serra. Nossa, penso, que lua! Sigo meu caminho sem conseguir desviar dela, estava hipnotizada. No momento seguinte, balanço a cabeça e penso, não, não é possível que ela seja real, deve ser uma parabólica moderna ou, quem sabe, um disco voador. É, é mais provável que seja isso mesmo. Descrente, me desfaço da hipnose e sigo meu caminho, olhando, o trem, as pessoas, a vida que passa pelo meu caminho.
Nenhum transeunte tira dos meus olhos aquela visão (é que sou do tipo que anda pelas ruas reparando e observando a diversidade humana). Mesmo com o olhar móvel, a imagem permanece fixa em mim. Logo, surgem os pensamentos, aqueles que insistem em surgir quando me deparo com uma lua cheia. Putz, penso, de novo?!
Fujo deles, por mais que eles sejam muito mais fortes que eu. Ocupo-me com mil coisas, para não me ver, de novo, com os mesmos pensamentos, as mesmas ações. Em vão, dia seguinte e lá está ela de novo deslumbrante no céu da cidade. É, penso, realmente não era uma antena ou um disco voador... Faço uma força tremenda e aos trancos e barrancos desvio o pensamento que insiste em vir.Terceira noite, e lá vem a danada de novo. Ela busca meu olhar, e dessa vez, não há como resistir. Bingo! Lá estou eu, mais uma vez, submersa em imagens e sensações. Lua cheia, janelas azuis, rede, quintal, gato, música, entrelaces...

domingo, 6 de julho de 2008

Dói-me o estômago

Ontem escrevi o post que está logo aqui embaixo, e nele disse haver percebido a verdade, essa de que não inspiro sentimentos “nobres” que podem levar ao amor. Estava falando no tal amor romântico e blá, blá, blá. Até aí tudo bem não inspirar tais sentimentos, até porque nem sei se conseguiria lidar com eles melosos e grudentos como costumam vir. O problema todo foi ouvir uma outra verdade. Essa sim dura demais. Foi como um soco no estômago, e também tem a ver com inspirar sentimentos em outras pessoas.
Antes do soco, propriamente dito, uma explicação. Depois de haver rompido um relacionamento de 2 anos e meio, isso lá em princípio de 2006, comecei a dar uma importância à amizade como nunca havia feito até então. Amigos, assim como minha família, sempre em primeiro lugar. Qualquer hora do dia ou da noite que algum amigo precisasse de mim lá estava eu, para dar o ombro, para acompanhar nos programas de índio, para descontrolar numa balada, para conversa fiada, para escutar os problemas. Enfim, lá estava eu, pau para toda obra.
De um tempo para cá me cansei. Falei aos meus amigos que tava cansada de animar todo mundo, de ficar mobilizando sempre Deus e todo o mundo para sair e blá, blá, blá. Que eu é que estava precisando que me chamassem e me animassem. Parece que ninguém me levou a sério, me falaram: “Que é isso, Flavinha? Você é a mais animada, a mais querida, a mais ‘aglutinadora’. Claro que você vai estar sempre presente em tudo, né?”. É... não sei não.
Daí ontem, como em outros finais de semana, cá estava eu sozinha em casa. Ao contrário do que era “normal”, nada de enxurrada de telefones, muito porque eu já estava sem saco, como disse antes, para ficar mobilizando a todos. Telefonemas? Bom, só uma amiga que queria saber como eu estava, perguntar do trabalho e dizer que esse final de semana não ia rolar de sair porque era niver da vó, mas que queria ver se nos encontrávamos depois. No que eu disse que não estaria no próximo fim de semana, e ela sugeriu um almoço, pois estava com saudades. Tudo bem, alguém finalmente demonstrando interesse em, realmente, conversar comigo.
Mais tarde uma outra amiga me liga perguntando qual é a boa do sábado. No que eu logo respondo, que não sabia, que ninguém havia me procurado, que eu não tinha procurado por ninguém, mas que estava afim de sair, que era só me convidar que eu ia. E quem disse que veio o convite? No lugar disso só um então vou ver o que rola e logo te ligo. Além disso, só uma pergunta pela minha voz desanimada. No que eu disse, que estava meio assim mesmo. Talvez um ensaio de interesse real pela minha pessoa.
Lanche com a família, e eu ainda sem nenhum convite para sair. Nessa, a verdade, o soco saído da boca do meu pai, sempre ele para me dizer as verdades mais doloridas. “Vocês já perceberam que os amigos da Flávia só ligam para ela quando não tem nada para fazer?”. Na hora, panos quentes, “que isso? Não é bem assim”. Riso amarelo da minha parte “ah, não é assim que as coisas funcionam, né?”.
Verbalizei uma coisa e pensei outra. Pior que é verdade. Meu Deus! Que droga de vida é essa? Putz, faço de tudo para meus amigos e que recebo em troca? E olha que nunca fiz nada pensando em receber algo em troca. Mas, não custa nada dar um telefonema ou fazer um convite a quem se diz "querer bem", não é mesmo? Bom, pelo menos acho que não.
Por essas e outras que quero dar uma sumida, sair do circuito, respirar outros ares, passar os fins de semana longe, ir para São Paulo. Quem sabe assim saudade de mim, que se resume a falta de programa melhor, se transforme em falta da minha presença? Não sei... Já não sei de mais nada.

sábado, 5 de julho de 2008

E agora?

E agora? Me pergunto. E agora que a vida profissional parece começar a entrar nos eixos? Agora não posso mais varrer para debaixo do tapete os outros aspectos da minha vida. A bem da verdade é que quando a minha vida profissional andava mal tinha a desculpa, que nem era tão desculpa assim, que não podia cuidar de outras coisas. Afinal, tinha que focar em conseguir um emprego na minha área, esse era o foco e nada nem ninguém podiam me desviar do meu propósito. Emprego conseguido, claro que não posso me descuidar desse aspecto, afinal meu contrato, a princípio é só até novembro. Mas fato é que posso respirar um pouco. Mas paro para respirar e olho ao meu redor e me pergunto e o que eu tenho além da minha vida profissional? Putz, comecei com a corda toda, trabalhando a valer. Paro e vejo que em todo momento que me foquei nisso deixei totalmente de lado as outras coisas. Porquê? Pode ter sido só para concentrar as minhas energias no campo profissional...
Mas a bem da verdade é que nem eu caio nessa conversa. Não foi para focar na minha profissão que deixei as outras coisas de lado. Deixei-as de lado porque a bem da verdade é que me cansei de lidar com elas, não sei o que fazer para arrumar essas outras esferas. Sinto-me uma grande incompetente. Isso mesmo, uma incompetente.
Tenho que admitir que a linha que adotei para levar meus relacionamentos “amorosos” faliu completamente, apesar de ser uma linha tida como pós-moderna e bacana. Para quem vê de fora pode até pensar “putz, que menina bacana. Leva a vida dela tranqüila, no foda-se para os homens. Fica com quem bem entende. Se querem ela bem, se não querem amém, problema deles”. É foda, mas o esforço despendido para parecer tudo bem, e eu estar desencanada, às vezes é alto demais. São dias de uma solidão avassaladora, é pensar nos outros e ninguém pensar em ti. É ninguém te ligar no fim de semana, ou mesmo no meio da semana, para perguntar como foi o seu dia e se você está afim de tomar um sorvete ou sair com uma turma diferente da sua.
Não sei se não saio dessa por um fiapo de esperança de que esse esquema ainda pode dar certo ou se por pura incompetência para sair dele. Penso, e nem preciso pensar muito, para perceber a dura verdade. A verdade é que não inspiro em outras pessoas a magia, o encantamento meio cego, essa coisa essencial para o “amor”. Complicado, mas quanto mais pós-moderna e bacana mais complicada ficam as coisas no plano “amoroso”. Acho que sou imperfeita e complicada demais, para caras que almejam as perfeitinhas e bonitinhas em excesso, e dessa fase, já passei faz tempo (graças a Deus!).