sábado, 31 de maio de 2008

Sem choro nem vela

Sempre que ando de ônibus me perco em pensamentos, nas ruas, nas pessoas, nos ruídos, no movimento incessante da cidade, na arquitetura urbana. E, dia desses numa dessas minhas viagens saltam aos meus olhos a cada instante, tanto que não resta nem tempo para respirar, publicidades, mil delas, outdoors, vitrines, cartazes, um monte de impulso visual me lembrando do dia dos namorados.
Mas, putz! Já? Que saco! Primeiro, porque tenho verdadeira antipatia com essas comemorações comerciais. Muito desagradável ter a obrigação de demonstrar nosso carinho (comprar presentes) pelas pessoas em determinadas datas. E se no dia eu estiver brigada com a pessoa? E se eu estiver de mau humor? Se não quiser ver ninguém? Então quer dizer que sou uma desalmada sem coração porque não comprei nenhum presentinho para a minha mãe no “dia dela”, ou porque estava na pindaíba, ou porque simplesmente não encontrei algo que diga de nós duas, ou ainda porque não estava com a menor paciência de enfrentar essa fúria do comércio? Ah! Faça-me o favor! Não tenho, e não tenho mesmo, a menor paciência para isso, ainda que eu adore dar presentes, que eu adore comprar coisas que sejam a “cara” das pessoas com quem convivo.
Bom, já odeio as datas comerciais, mas é pior ainda se é dia dos namorados. Aí que minha ojeriza aumenta uns 100%. Porquê, os senhores devem estar se perguntando. Os motivos são simples e faço questão de enumerá-los a seguir.
1- Porque sempre quem passa o dia dos namorados sozinho é visto como fracassado? Odeio as pessoas perguntarem o que você vai fazer nesse dia e te olharem com aquela cara de desprezo quando você responde que não vai fazer nada, que vai para casa, como todos os dias normais, jantar com a sua família e assistir a sua querida novela das oito. Porque isso? Virou crime ser solteiro, ou então não ligar para esse tipo de coisa?
2- Se existe dia dos namorados porque não existe o dia dos solteiros? Não seria justo? Mas é claro que não existe, porque essa não seria uma data rentável para o comércio, né? Imagina se alguém vai dar aquele presente para o solteiro mais bacana que conhece? Claro que não... Ser solteiro não merece um “prêmio” especial. Apesar de que, venhamos e convenhamos, uma pessoa que consegue ser solteiro com estilo bem que merece um prêmio, não é não? Se bem que o melhor prêmio é a vida tranqüila sem encheção de saco.
3- Porque eu tenho trauma de dia dos namorados. É isso mesmo, tenho trauma e não tenho problema nenhum em falar disso. Nesses meus 24 anos de vida eu estava namorando somente dois anos nessa data fatídica, e em um outro ano eu estava meio enrolada...
Minha primeira vez com namorado no dia D, expectativa mil, sonhos os mais maravilhosos, felicidade estampada na cara (é que nessa época eu ainda era uma garota romântica), e que coisa... Eu toda feliz, vou passar o dia inteirinho com o então namorado querido do coração, e qual não é minha surpresa quando ganho de presente um livro cujo nome é “Mujeres Alteradas”. Como assim? Que coisa mais anti-romântica. O meu então queridíssimo namorado estava me chamando de alterada? É para namorá-lo... Mas, enfim. Como gostar de tal data com um começo um tanto quanto diferente?
Segundo dia dos namorados, com o mesmíssimo da história anterior, aí sim surgiu o romantismo. Jantar a luz de velas, vinho, chocolate, pétalas de rosa... A intenção foi boa, só o menu que não ajudou muito. Não lembro exatamente o que era, mas não era lá o meu prato preferido...
O terceiro. Bom o terceiro foi com mais de mil quilômetros de distancia me separando do cara com que eu estava enrolada. Ou seja, nada de encontro, beijos, jantar, vinho e todo esse blá, blá, blá. Simples e nada piegas, talvez por isso possa ter sido o melhor.
Ai, ai, ai. E aqui jaz o meu grito de morte a essa data esdrúxula que deveria ser banida do nosso calendário. Morte ao dia dos namorados! E tenho dito.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Reconhecimentos

É mais comum do que eu gostaria que eu me pegue pensando: Será que essa sou eu de verdade? Sei que parece complicado o que estou dizendo, mas é que às vezes não reconheço em minha essência essa Garota maluca, divertida, faladeira, extrovertida. Sim, porque muitos reconhecem em mim essa pessoa, inclusive assim me definem. Mas, são muitas as vezes em que essa Garota não existe, e o que habita em mim é a Menina transparente, tímida, reservada, que não sabe o que falar e nem como agir. Aliás, essa Menina nunca deixou de estar em mim, nem nos momentos que a Garota extrovertida estava em seu (ou meu?) ápice.
E é aí em que eu me pego pensando: afinal, o que será em mim carapuça o que será essência? O que será real e o que será simulacro? Será que tudo mesmo é ou não é? Aí que me confundo toda e já não sei de mais nada. Ou melhor, sei de uma coisa. A Menina, essa que reconheço em mim desde os remotos tempos da infância, que esteve comigo durante toda a adolescência, e que ainda encontro (mesmo que não tão freqüentemente) nos dias de hoje, essa sim é uma grande parcela de mim. Arriscaria dizer que ela é minha essência, quando ela vem à tona é quando me sinto mais exposta, mais frágil, mais eu... É quando sinto que estou vulnerável, é quando o Outro pode conhecer, verdadeiramente, o que habita dentro de mim: meus sonhos, meus desejos, meus sentimentos, eu...
E que medo eu tenho disso. Sei lá, às vezes acho que a Garota existe para proteger a Menina. É ela quem permite que a Menina viva as coisas mais incríveis, conheça gente a mais diversa, ria e se divirta como, talvez, ela nunca tivesse coragem. Mas ao mesmo tempo a Garota oculta uma parte tão singela, tão simples e tão suave da Menina. Muitos nem se quer imaginam que por trás daquela Garota firme, decidida, maluca e falante, existe uma Menina de olhar doce, sorriso suave, e coração maior do que ela mesma.
Num primeiro momento, o leitor (ou amigo) desatento poderia dizer que a Garota é a carapuça que esconde a essência (real e verdadeira) da Menina. Será mesmo? Bom, tudo bem a Garota é uma carapuça, é um simulacro. Afinal, ela que habita a minha camada “superior”, ela é um produto meu, eu que a inventei desse jeitinho, de um modo ou de outro fui eu quem a fez ser assim. Ela é um produto da minha realidade, de como resolvi lidar com as coisas, com as pessoas. Melhor dizendo, ela foi o eu que construir para preservar a Menina, tão frágil, deste mundo tão maluco. A Menina? Essa é a essência, a que habita minha camada “interior”, vinda à tona quando alguém faz com que a Garota perca a ação. A Menina se me escapa das mãos, não consigo controla-la, quando dou por mim ela já me entregou por inteira. Ambas, muito eu, oras mais oras menos.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Viva a (sua) liberdade

Em um texto do Arnaldo Jabor que falava sobre como as pessoas encaravam o sexo ao longo do tempo e das tendências comportamentais de cada década,teve uma frase que me chamou muito a atenção. Ela dissia assim: "O excesso de liberdade está virando obrigação, temos de ser tão soltos que isso desumaniza, mata o desejo, que precisa do afeto, da carência, da solidão".
Fiquei pensando nisso. E não é que é verdade! Claro que é muito legal isso de termos a liberdade de podermos escolher e traçar o nosso caminho, sexualmente falando, sem tantos preconceitos, sem tantos olhares tortos e tals. Digo o sem TANTOS, porque vivendo em Minas não dá para não se deparar vez por outra com a tal e amedrontadora TFM - Tradiconal Família Mineira. Mas, o chato é quando essa liberdade vira obrigação, parece que para estarmos in, para sermos cools precisamos ser descolados, livres de parceiros, desprendidos dessas coisas "caretas" como o amor, a paixão, e o afeto. Respeito muito quem pensa assim, e até acho que isso funciona para um monte de gente, que teve a liberdade de escolher sua vida "amorosa" assim sem que haja um envolvimento além do carnal. Acho até que todo mundo um dia passa ou deveria passar por essa fase, nem que seja para, pelo menos uma vez, sair um pouco dessa ilusão do amor romantico.
Mas isso não deve ser regra. Oras, temos que respeitar aqueles que com a sua liberdade, eligiram tomar um outro caminho. Aqueles que querem mais do que o encontro de dois (ou mais) corpos. O que muitos não entendem é que isso também pode ser uma coisa muito bacana. Eu também acho que todo mundo deveria experimentar isso um dia.
Porém, como disse o Jabor, tudo o que vira obrigação acaba matando o desejo, desumanizando o afeto. E acho que isso vale tanto para um lado como para o outro, tanto na tentativa insana de viver de relacionamentos sem envolvimento, quanto não busca louca pelo amor romantico. Acho, ou melhor tenho certeza, que as coisas devem acontecer naturalmente. Um dia, pode bem acontecer de você ficar só por uma noite com completo desconhecido. E no outro você pode permitir que alguém entre em sua vida. O importante é que deixemos que as coisas aconteçam, que não nos forcemos a coisas que não estão rolando, seja porque não é o nosso tempo, seja porque nosso desejo não permita, seja lá qual for o motivo. Temos que aprender, acima de tudo, estarmos sozinhos, ouvirmos o que é que nós precisamos. Creio que a chave para melhor usfruirmos de toda essa liberdade que temos hoje em dia é escutarmos nossos desejos, nossos limites (ou a falta deles), tentarmos não ficarmos engessados em uma situação (o que é bom hoje, pode não ser amanhã), e, é claro, deixar que as coisas possam acontecer com você. E viva a liberdade!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Felicidade

Felicidade é coisa muito particular, cada um é feliz a sua maneira. Cada um tem os momentos de felicidade que lhe cabem, de acordo com sua individualidade. Uns precisam de grandes castelos, outros apenas uns grãos de areia...
Para mim a felicidade pode habitar milhares de espaços. Lá está ela na noite de lua cheia, no sorriso cúmplice, no olho no olho, num gesto de afeto, num e-mail vindo de longe, num telefonema inesperado, numa mensagem que chega numa tarde ociosa, numa risada despretensiosa, numa conversa fiada, num encontro sem hora para acabar, na mão amiga de quem sabe de tudo mesmo que você não diga nada, na companhia em silêncio, numa música que traz boas recordações, nas fotos antigas, na janelinha que pula, no amigo que te pergunta “como você está” justo no dia que você mais precisa, no encontro inesperado no meio da rua, no bolo de cenoura com cobertura de chocolate, pizza no fim de semana, rosbife em pleno dia de semana, coca-cola bem gelada numa tarde quente, cerveja no boteco da esquina com os amigos mais queridos, de repente escutar um “Che, boludo!”, janelinhas pulando, falar espanhol, ir no meu cinema preferido no domingo à tarde, ver filmes argentinos, comer empanada, amigas em casa, dançar até não se aguentar mais em pé, cachoeira, praia, sítio, piscina + churrasco num dia de verão, friozinho, vinho, queijo, edredom, poesia, ficar sozinha, ter uma boa companhia, chegar em casa com o dia amanhecendo feliz da vida... Isso tudo e mais um pouco junto numa caixinha e posso materializar o que me faz feliz.
E você? O que te faz feliz?

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Ser o outro

Na vida da gente sempre acontecem coisas que nos fazem parar para pensar um momento e, quem sabe, nos fazem mudar de rumo. Hoje recebi uma notícia triste e que mexeu bastante comigo. Uma amiga contou que o Pexe, um cara de 20 e poucos anos, que morou na mesma casa que eu em Córdoba só que nos segundo semestre de 2006 (eu estive por lá no primeiro semestre daquele ano) havia morrido esses dias de câncer. Apesar de não o ter conhecido pessoalmente, fiquei chocada e bem triste. Afinal, ele era grande amigo do Ricardo (esse sim um big hermano) e já tinha ouvido muito casos dos dois e das suas aventuras em terras gaúchas. E sempre tive uma visão dele, como sendo assim como o Ricardo, um moleque cheio de vida, super alegre e divertido. Putz! Difícil pensar que um jovem de 20 e poucos anos (acho que ele era mais novo que eu), recém formado tenha ido assim, ainda com um futuro todo pela frente.
Foi um banho de água fria. E o que eu tenho feito da minha vida? A vida é realmente muito curta. Fico aqui reclamando, fico entediada, às vezes, acho que tudo está errado, que está tudo ruim. Mas que isso! É preciso que certas coisas aconteçam para que a gente perceba que cada dia é um milagre, e que ao invés de ficarmos aqui reclamando, e falando que podia ser assim e não assado, temos que “apenas” viver. E viver cada instante plenamente, desfrutar o máximo cada coisinha, cada amizade, cada presença, cada saudade, cada sorriso, cada palavra, tudo, tudinho até a “última gota”. É preciso lambuzar-se de vida, e ainda assim parece que sempre restará a sensação que nunca é o suficiente.
E olhem só que coisa. Com essa notícia do Pexe não pude deixar de pensar “e se fosse comigo? E se eu morresse amanhã? O que ficaria? O que eu deixaria? Quantas coisas ainda por fazer, tanta vida ainda para viver”. E ainda absorta nesses pensamentos vou preparando minhas aulas de espanhol quando me deparo com um texto que, putz, (é isso!) fala disso de se colocar no lugar do outro. Nada que eu fale aqui vai conseguir explicar, então cliquem por aqui e leiam o texto Ser el outro. Ele foi publicado no blog do Xavier L., um cara que está internado numa clínica psiquiátrica uma história impressionante.
Bom, e por aqui vou ficando, voltando à minha vida com muita gana de ser feliz.