sábado, 24 de novembro de 2007

Todo mundo nu!

O caso “todo mundo nu” chocou, fez rir, assustou ou foi indiferente a muitos que estiveram, ou não, na abertura do forumdoc.bh.2007. O fato é que o ocorrido tão inesperado, na verdade nem tanto (afinal, nada é surpresa quando se trata de “faficheiros” da gema) daria um ótimo post aqui no blog. Afinal, todo mundo, querendo ou não, tem uma veiazinha sensacionalista que adora esse tipo de histórias. Mas antes que vocês fiquem imaginando coisas. Não, nem todo mundo ficou nu, na verdade nu mesmo só houve um, o resto foi só boa música, e um dia de muito trabalho e um “cadim” de diversão.
Ao contrário do que diria a lógica “normal”, não vou contar o caso com seus pormenores, aumentado e floreando o caso, como é típico da minha pessoa. Sei que vocês devem estar se perguntando porque não farei isso. É simples, o caso não me marcou, não fiquei surpresa, não fiquei chocada, não fiquei nada, na verdade para mim nem fez diferença o ocorrido. Mas então, porque diabos, estou mencionando isso aqui, se não é nada disso que quero dizer a vocês?
Bom essa resposta não é nada simples. Mas é que hoje estou com um sentimento que não consigo explicar. Depois de assistir sozinha um filme no cinema, e começar a voltar caminhando sozinha para casa, só me deu vontade de andar, andar, andar, andar, fechar os olhos, sentir a brisa batendo no rosto e no cabelo e ir... E não tomar o caminho de casa, só queria seguir andando sem rumo, sem destino, sem causa, meio Forest Gump. E eu ia andando, andando, e de repente a estranha e maravilhosa sensação de que eu já não era mais eu, que tinha acabado de me tornar uma estranha...
Mas ao invés de seguir andando sem destino, voltei a ser eu de novo e segui o caminho de casa. Afinal, eu ainda não tomei a coragem, invejável, de me despir de mim.

domingo, 18 de novembro de 2007

Socorro, fui “torpedeada”

“Socorro”, sim foi exatamente isso o que eu disse quando a garçonete me entregou um guardanapo dobradinho e me disse: “- Mandaram entregar para você”. Nesse momento todos da mesa pararam a conversa, os risos, a cerveja por um instante e olharam para mim com aquela cara “e...”. E... eu com cara atônita:
- Socorro! O que eu faço agora? Nunca recebi um trem desses não!
- Pô, Flávia! Abre esse trem e lê primeiro.
- Ah ta, brigada...
E qual não é a surpresa quando abro o guardanapo e leio na primeira linha: “oi, Flávia” Como assim??? Sou “torpedeada” e ainda por cima por um conhecido? Porque diabos ele não veio falar comigo diretamente? Continuei lendo “não sei se você se lembra de mim, blá blá, blá... Será que posso tomar um pouco do seu tempo? Assinado: X (bom não vou colocar o nome aqui, né? Vai que ele lê isso e fica com raiva de mim)”.
- E aí, Flávia! Conta, conta! O que está escrito aí.
- Gente, vocês não vão acreditar! Leiam isso daqui. Ele me conhece!!!!
- Que isso! Quem é? Quem é?
- Uai! Não sei... Bem que eu vi um rosto que não me era estranho. E agora? O que eu faço? Quem poderá me defender?
- Rapidão, vamos observar. Quem mandou o torpedo deve estar olhando para cá... Olha ali! Uma mesa no fundo, tem um monte de homem olhando! Ai, Flávia, tem um de camisa verde que é até gatinho!
- Ai gente, eu não enxergo daqui!
- Pergunta para a garçonete quem mandou, oras!
Tlin, tlin (a ficha caiu)!
- Já sei! Foi o cara que eu vi quando cheguei! Ele estudou comigo no jardim da infância! Estou boba! Nossa, mãe! Ele é feio demais da conta!
- E o que você vai fazer agora?
- Vamos no banheiro que vou confirmar se é ele mesmo.
Entrada do banheiro, eu olho discretamente (se é que isso é possível) para mesa e confirmo minhas suspeitas.
- Meninas, é ele mesmo. Olha ali o cara de blusa bege, o feio.
- E o que você vai fazer agora?
- Vou lá cumprimentar, né?
Saída do banheiro, e a Flávia, menina bem-educada, vai falar com o autor do torpedo. Oi, oi. Como você está? Quanto tempo? O que você anda fazendo? Ainda mora por ali? Blá, blá, blá e ah! Deixa eu ir que minhas amigas estão me esperando...
E ainda quando estou de retirada um dos amigos dele ainda me para e pergunta (para completar) “ei, você é a menina que ele mandou o torpedo” , sorriso amarelo e “é sou eu mesma”. “nossa! Ele ficou mó tempão pensando em como escrever para você”, sorriso mais amarelo ainda e eu ficando vermelha, roxa, amarela....Para completar a história ainda escuto umas zoações das minhas amigas, é claro! Afinal, elas perdem a amiga, mas não perdem a piada. E ... ai, ai, ai cada dia tenho a certeza maior de que certas coisas, realmente, só acontecem comigo.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O passado

Quando li a resenha do filme O passado, do Hector Babenco com o Gael García Bernal (lindíssimo, ainda mais com aquele cabelo estilo argentino, aquele sotaque...- suspiros e mais suspiros) pensei que teria muito a dizer sobre esses homens passivos que deixam, de uma forma ou de outra, que mulheres guiem suas vidas (para o bem ou para o mau). Já tinha até preparado todo meu repertório, sabia exatamente o que dizer, o que criticar. Ia chamá-los de fracos, ia dizer (indignada) que eles se deixam levar por essas mulheres mas que não se deixam levar pelo que sentem. E ia dizer mais, que mulheres que amam de verdade um homem, não guiam a vida dele, não o influencia, muito pelo contrário, ela o deixa livre para fazer suas escolhas, desenhar o seu caminho, mesmo que isso signifique que ela fique de fora e vire uma mera espectadora.
Mas não, não é nada disso o que eu tenho a dizer depois de ter visto esse filme. Racionalmente, continuo pensando que quem ama deixa o outro livre para fazer suas próprias escolhas, mas como não ficar intrigada com Sofia? Durante a sessão fui ficando incomodada, me sentia estranha, apertada, sufocada. Todo esse incomodo não era a indignação (que imaginei que sentiria) pela passividade do tal Rimini, por ele não resolver as pendencias de relacionamentos antigos, e, o que é pior de tudo, ainda ser o charme em pessoa. Apesar de ficar muito irada com esse tipo de coisa, não era isso que estava me incomodando naquela sessão.
O que me incomodava era a Sofia. Que mulher era aquela, que amor era aquele? De certa forma me identifiquei com ela, mas que fique claro, acho que não sou louca como ela. E que mulher de certa forma não se identifica pelo menos um pouco com ela? Acho que isso me deixou com essa sensação estranha.
É complicado perceber que apesar de todo um discurso feminista, indepentente e forte, você também é um pouco dessa mulher obsecada por um homem (que você julga ser o amor de sua vida), dessa mulher que é capaz de fazer qualquer coisa por aquilo que acredita. Pode parecer radical, mas nós mulheres, somos apaixonadas ao extremo, capazes de lutar até a última força por uma amor que não existe, somos capazes de acreditarmos em uma coisa que nunca existiu e nem existirá, e somos, acima de tudo, capazes entregarmos nossas vidas, nossos sonhos, nosso corpo e nossa alma por um amor.
E diante de tudo isso, do Passado, e do futuro (porque não?) eu me pergunto mais uma vez (plagiando o Jota Quest): "Afinal, será que amar é mesmo tudo?" Sinceramente? Não sei...

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Coisas que eu sei

Num dos meus momentos de distração preferido, a hora da novela das oito, escutei uma música que me chamou muita atenção. A música é tema do Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella), e achei que ela também tinha um pouco a ver comigo. Assim que tive tempo "baixei" ela, e, como é típico da minha pessoa, quis escutá-la um milhão de vezes, mas como quase não fico em casa essa missão fica para o fim de semana.
Mas mais do que uma música que gostei, quando li a letra completinha e com calma tive um estalo: "Caramba. Porque não fui eu quem escreveu isso?". A resposta é simplérrima: 1) Não sou tão boa assim com as palavras; 2) o meu negócio é prosa e não verso; 3) a gente só se dá conta de certas coisas quando outras pessoas fazem ou dizem para nós.
Mas enfim... Não adianta eu ficar aqui com inveja de quem escreveu a música. O fato é que toda ela expressa muito bem o que eu sinto e o meu jeito de ser. Mas tem uma parte... essa é especial tem TUDO a ver e é ela que será tema desse post. Aí vai ela: "Coisas que eu sei / Eu adivinho sem ninguém ter me contado".
Desde os tempos remotos do colégio eu "adivinhava" coisas, em especial aquelas que tinham a ver com o coração. Antes mesmo de um romance acontecer eu já cantava a bola, e sempre foi batata, eu acertava todos. Muitos podem dizer que as pessoas ficavam sugestionados com meus palpites, mas não tinha nada disso, porque em muitos casos nem comentava com os envolvidos, falava só entre minhas amigas. Por causa disso minhas amigas ficavam impressionadas com esse meu "poder".
O tempo passou e permaneço com esse "poder" de adivinhar as coisas, mas só aquelas relacionadas ao coração. Porque senão já tinha ficado rica jogando na mega sena (rs). Mas agora a coisa é mais comedida, já não adivinho, como antes, quem gosta de quem, quem fica com quem. Hoje o esquema é diferente, posso dizer exatamente como se sente ou com quem está uma pessoa a quem eu conheça profundamente. Já não dou mais notícias de colegas, agora só consigo adivinhar coisas sem ninguém ter me contado a respeito de meus amigos.
Mágica, poder, intuição? Nada disso. A explicação é simples e já foi dita certa vez para uma pessoa que ficou realmente assustada com esse trem de saber das coisas tão exatamente, inclusive com nomes, e é claro, sentimentos. Os céticos dirão que eu como uma boa jornalista que sou, tenho minhas fontes (sagradas), que me falaram tudo e eu simplesmente disse o fato sem revelar quem me contou. Nada disso! Nesses casos nem existem fontes capazes de me dizer tais coisas. Eu simplesmente sei, não sei bem como mas sei, e com uma riqueza de detalhes capaz de deixar qualquer um impressionado.
A explicação que dei à pessoa, sobre quem adivinhei um montão de coisas, foi que eu a conhecia tanto, mais tanto, que eu sentia (e de repente já sabia com certeza absoluta) o que ela pensava, o que ela sentia... E isso não era nenhum poder especial, é que sou uma pessoa observadora, é como se eu juntasse as peças de um quebra-cabeça, e quanto mais eu conheço uma pessoa, mais fácil é saber o que se passa com ela mesmo que ela não te diga um "a".
Acho que muita gente, inclusive essa pessoa de quem eu sei um milhão de coisas sem ela me haver contado, acha que isso é coisa de quem pensa que sabe tudo. Não, não é isso! Tudo bem que "é meu ponto de vista, não aceito turistas / meu mundo está fechado para visitação". Mas não podemos negar os fatos, que eu sabia eu sabia... Mas o problema de saber dos sentimentos de outras pessoas, é que, muitas vezes, elas preferem ignorar certas coisas. Nesses casos o melhor é parar de insistir nas nossas certezas (quem sabe não estou errada? Apesar de sentir, muito fortemente, que não), e deixar que cada um possa descobrir por si (por mais que isso possa demorar um século) o que se passa em seu coração. Apesar dessa decisão ter sido tomada, e eu estar pelejando comigo mesmo para segui-la, são coisas que eu sei.

sábado, 3 de novembro de 2007

Simple Life – entre pererecas, tatus e bichos mutantes

Pois é, queridos leitores, andei meio sumida, né? Mas é que ando trabalhando feito louca, só na “sofreção” resolvendo milhões de coisas, chegando em casa tarde, mega cansada, mas super satisfeita também. Daí chegou o feriadão e minha companheira de balada, que também tem trabalhado feito louca nos últimos tempos, pega e me chama para ir na fazenda da família dela para descansar um pouco. Proposta irrecusável, né? Tudo o que eu queria na vida, ficar tranqüila, tomando sol, comendo, bebendo, conversando e rindo. Assim lá fomos nós passar uns diazinhos no campo recuperando as energias.
Já na ida é claro que a Nick tinha que zoar com a minha cara (senão não seria a minha amiga Nick). Desde muito tempo a D. Nicolle já falou que eu era prima da Paris Hilton, os porquês é uma história meio longa que não cabe aqui, mas façam suas suposições, talvez elas façam sentido. Tendo isso em vista, a Nick já falou que eu, como a prima pobre da Paris Hilton, ia viver meu dia de Simple Life (para quem não sabe o que é isso, se trata do reality show estrelado pela Paris Hilton em que ela vai pro campo e paga os maiores micos com a frescuragem dela). Bom faz o maior sentido essa história do Simple Life comigo, apesar de não ser patricinha até a última raiz do cabelo, sou típica garota de cidade grande, com alergias de tudo quanto é mosquito, com medo de cavalo, com nojo desses bicho do mato, uma tristeza.
Chegamos na fazenda na quinta a noite, fazenda super legal, bem bacana mesmo, daí estamos naquele esquemão delicioso de conversa solta na mesa da cozinha, bebendo uma cerveja estupidamente gelada (com um calor infernal), e comendo até. Daí a Nick vai para o banheiro e de repente chega a louca deseperada.
“- Ai! Que tem uma perereca horrorosa, preta, no banheiro.” Nisso a Maura pega e fala com ela.
“- Então vai no banheiro de fora.”
Logo chega a Nick de volta.
“- Impossível, no banheiro lá de fora está a mãe da outra perereca. Um trem horroroso enorme”.
“- Uai! Então vamos pegar a perereca e jogar ela pra fora”.
Nesse diálogo só fiquei acompanhando caladinha e pensando “nós, como assim? Eu? Caçar perereca? Se eu ver esse trem eu saio correndo”. E lá fomos nós à caça na perereca, nós é bondade fiquei meio de lado só observando tudo e dando apoio moral e reforçando os gritos a cada vez que a perereca dava um pulo. Até que a Nick teve uma idéia brilhante: entontecer a inimiga com Baygon, assim a gente conseguiria capturar a maldita. Só não esperávamos que com o Baygon a Nick ficasse mais tonta que a perereca. Trem de louco. Depois de uma luta contra a bicha, esmaga de cá, esmaga de lá, Baygon aqui, Baygon ali, gritos e mais gritos, e finalmente conseguimos capturar a danada. E, aí sim, pude cumprir o meu papel: abri a porta para a Maura jogar a bicha fora, e não é que ela ainda saiu pulando.
É... depois de tanta emoção, até fui dormir para dar conta dessa vida campestre.
Dia seguinte, passeio na fazenda, ver as vacas, ir no rio, comer amora do pé (essa foi a melhor parte), pegar coisas na horta, comer pé de moleque, comer broa.... Ai, ai! Comilança e bebelança... Oooo vida ruim.
De noite fomos fazer uma visita a uma prima da Nick que mora na cidade perto da fazenda. Estrada de terra, conversa de interior, (o trem bão). Na volta não é que nos deparamos com um tatu no meio da estrada. Isso mesmo tatu, daqueles com casco e tudo. “-Flávia! Olha isso é tatu, viu? Aposto que você nunca viu!” (sorriso amarelo) “- Nunca vi mesmo não!” (Ainda bem que estamos no carro, senão ia sair correndo rs).
Chegamos de novo na fazenda, ritual da cozinha, comendo, bebendo, escutando música (sertaneja, é claro), e contando “causo”. Quando de repente, não mais que de repente, pousa na cozinha um inseto não identificado, segundo a descrição da Nick trata-se, certamente, de uma “mutação genética, um bicho metade besouro, metade lagartixa”. Enfim, vocês já podem imaginar, né? Nesse momento é claro que eu corri para bem longe até que alguém conseguisse retirar o bicho do recinto.Grande aventura, que terminou com o vôo de duas seriemas no meio da estrada quando estávamos voltando para a civilização. Muito útil a ida ao campo, relaxante, com várias descobertas biológicas. O único trem ruim foram os dois quilos que ganhei com a comilança, bão demais da conta, sô! Que venham mais idas à fazenda, que já vou arrumar uma academia por aqui, é só o começo do reality.