sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Encontros fugazes

Antes de começar esse post, propriamente dito, tenho que explicar de onde ele surgiu. Essa semana conversando com um amigo (que é personagem do tal encontro fugaz) ele me falou para ir visitar o seu blog, dar uma olhada e tals (o blog dele é esse mesmo que já está aqui do ladinho Ninguém presta inclusive eu?!). E não é que quando estou lendo o blog, não tem um pouco da história que envolveu o nosso encontro fugaz. Quem ficou curioso é só dar uma lida no post Coração Leviano. Explicado isso vamos à minha história.
Na vida da gente há encontros rápidos, fulgazes mesmo, mas que são capazes de mudar o rumo de nossas vidas. Porque e como eles acontecem não sei bem explicar, acho que são essas coisas de destino mesmo. Mas o fato é que nos últimos tempos tive alguns desses encontros fugazes que tiveram e ainda têm uma importância indescridível. Tais encontros já aconteceram e deixaram suas marcas, hoje o que resta, na maioria dos casos, é uma cumplicidade, uma amizade, um carinho especial. Afinal, como não guardar só coisas boas de encontros mais do que felizes e que nos fazem abrir os olhos?
E foi assim com esse meu amigo do post. Nos (re)encontramos unidos pelo samba (que maravilha, não?!), e ambos trazíamos feridas de um amor acabado, a dele um pouco mais antiga estava super profunda e deixou marcas que ele pensava não ser possível apagar; o meu era super recente, tão recente que eu ainda não tinha me dado conta dessa perda e nem das marcas que ela me deixaria. E assim foi nosso encontro, ele com quatro pedras na mão e dois pés atrás, e eu aberta para o que acontecesse, desejando fortemente poder me apaixonar outra vez.
Como todo encontro fugaz ele não foi feito para durar, não foi feito para se estabelecer. Ele é como uma brisa, vem para refrescar nossas almas machucadas, vem para fazer mudarmos de atitude, mudarmos o rumo. Claro que enquanto ele acontece você não sabe que se trata de um, né? Mas para mim e esse meu amigo houve um dia em especial (pelo menos para mim) que marcou que aquele era um desses encontros, e que nem adiantava querermos plantar raízes, estávamos apenas de passagem um pela vida do outro.
O dia foi quando assistimos juntos o filme chileno Na cama, a história de um casal que se conhece em uma festa e vai para o motel. Mais do que a história de sexo casual, o filme fala justo de um encontro fugaz, em que dois desconhecidos se abrem, deixam que um entre (ainda que levemente) na vida do outro, e fazem com que cada um repense na sua vida, e se envolvem fortemente mesmo sabendo que não haverá futuro na relação entre eles. Quando acabou o filme, foi como se uma ficha tivesse caído, já tínhamos cumprido a nossa missão um na vida do outro, agora era hora de cada um seguir seu caminho.
Eu na vida dele creio que fui uma peça importante para que ele pudesse superar aquele amor perdido e pudesse se envolver de verdade com outra pessoa, e é isso o que ele está fazendo agora, e eu fico muito feliz de saber que sou um pouco responsável por isso. Na minha vida ele teve um papel crucial para que eu pudesse enxergar que aquele meu amor perdido tinha uma importância bem maior do que eu queria acreditar em um primeiro momento, e que eu precisava, sim, (por mais que isso seja sofrido) retornar a ele, resolvê-lo (pelo menos tentar), e viver o período de luto que ele precisava ser vivido até que as feridas não doessem mais e que eu pudesse reencontrar um novo amor. Enquanto isso não acontece, fico a espera de novos e felizes encontros fugazes.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

"Hum... Delícia!"

O que é isso? Um comentário carinhoso que ouvi outro dia na rua. As leitoras devem estar pensando: "Nossa que situação desagradável, esses homens estúpidos, além de nos tratarem como objeto, agora viramos comida?". É queridas leitoras não fiquem bravas afinal esse é o mundo em que vivemos, e para falar a verdade nem achei ruim de ter sido chamada de "delícia".
Há dias que uma mulher precisa, necessita de ser chamada de "delícia". Bom, acho que aquele era um dos meus dias. Desses que você acorda meio "virada" em que tudo o que você faz parece dar errado. E é claro que é também nesse dia que você se sente a mulher mais feia do universo, e se sente terrível, e logo vem a convicção de que morrerá solteira, que ninguém te ama, que ninguém te quer, e que o negócio é virar freira no colégio Sacre Couer. Claro que isso é um reflexo da sua mais do que conturbada vida amorosa, que decidiu (finalmente, depois de tanto pedir a Deus) virar o maior marasmo da face da Terra. Isso sem contar com a constante dúvida se aquele desgraçado que você ainda adora (por mais que todo mundo te chingue por causa disso) está mesmo com aquela sem sal, e para piorar você ainda tem que se fazer de forte e finjir que não está nem aí quando ele vem falar com você e joga aquele charme e te balança como só ele sabe fazer. (ai, ai! como é dura a vida).
Como aguentar, como ter auto-estima com esse cenário nada favorável? Simples, não é que surge o resgate nada glamuroso da nossa auto- estima num básico: "Hum... Delícia!" Como consegui-lo? Mais simples ainda, não precisamos nem de super produção, nem ida ao cabelereiro (pasmen!). Para mim (e acredito que para qualquer mulher também funcione) foi só colocar uma saia com comprimento acima do joelho (já dizem por aí que saia é de Deus... rs), uma blusinha de alcinha charmosinha, uma sandália rasteirinha e sair leve e fagueira, como se nenhum problema rondasse sua cabeça, por ruas movimentadas. E quando dei por mim (que surpresa!) já tinha uns cinco homens olhando eu passar (ah! se fossem aqueles homens de propaganda de shampoo, até sairia aquele sorriso de lado um pouco tímido) e para fechar com chave de ouro: "Hum.... Delícia!"

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Grandes garotas não choram

A moda agora é dizer como nós, mulheres, somos o sexo forte, em como estamos na vanguarda comportamental, em como revolucionamos os relacionamentos. Hoje o retrato de "grandes" mulheres são traçados como aquelas lindas mulheres bem sucedidas profissionalmente, super independentes (às vezes tão independentes que parecem sempre estar sozinhas), super bem resolvidas sexualmente, desencanadas em relação ao sexo oposto (tão desencanadas que acabam não engatando um relacionamento sério), solteiras e sem filhos. As novas e super mulheres devem ser duras na queda, não podem dar mole, têm que trazer os homens na mão, têm que superar uma desilusão amorosa como se fosse um almoço de negócios cancelado, chorar então? Nem pensar! Afinal, grandes garotas não choram.
Penso nesse novo (mas nem tão novo assim) perfil de mulher e almejo, tenho como certo de que sou uma dessas novas mulheres, que estão na vanguarda do comportamento. Ainda não sou totalmente independente e nem atingi meu sucesso profissional, mas sei que um dia chego lá. Mas por outro lado não quero ser essa mulher. Acho muito triste ter que ser durona sempre, não poder se acabar de chorar de dor de cotovelo, não se dar ao direito de viver intensamente aquela paixão do começo ao fim. Se for para ser assim prefiro ser chamada de antiquada, de mulher do século XIX, mas não abro mão de ser manteiga derretida, de chorar naquela comédia romântica, de sonhar com o amor batendo na porta, de querer dividir a vida com alguém especial, e ter filhos (porque não?).
No meu ponto de vista grandes mulheres não só são independentes, bem sucedidas, pós-modernas e bem resolvidas. Eu diria que elas são tão bem resolvidas que elas sabem que podem chorar, se descabelar, sonhar, e que nada disso tirará o que elas conquistaram. Que mulheres que não choram são apenas meninas medíocres querendo parecer uma grande mulher.
Choramos sim (e muito), mas isso não nos torna o sexo frágil. Muito antes pelo contrário, só mostra como mulheres podem ser independentes e bem resolvidas sem deixarmos de sermos sensíveis. E é esse plus que nos tornam mais do que especiais, mais mulheres do que nunca, mulheres (com "m" mais do que maiúsculo).

sábado, 20 de outubro de 2007

Menina má

Gente, tem vezes que até eu mesmo me surpreendo quando minhas amigas me falam que eu sou terrível. Não dou bola, digo que isso é bobagem delas, que eu sou ótima. Mas começo a achar que eu sou mesmo terrível. Além de ser uma menina "atentada", afinal não consigo parar quieta, sou mesmo gandaiera, rueira, zoadeira...e o que mais for que termine com "eira". E não existe nada parecido com "santeira", "angeleira", "quieteira"... Palavras que, definitivamente, nem adiatam ser inventadas, porque nem assim elas fariam parte do meu vocabulário.
Tudo bem não ser um exemplo de boa moça, afinal ser um pouquinho "errada" faz parte do meu jeito de ser. E quando falo (nesses momentos desesperadores) que vou mudar que irei ser uma menina séria, boa e compenetrada, minhas amigas (ai, é por isso que eu amo elas) logo dizem: - Que isso! Faz isso não! Você vai virar uma chata! Continua assim do jeito que você é que está legal.
E é isso mesmo, continuo e continuarei desse meu jeito meio "errada" e "avoada", afinal, esse é o único jeito em que sou eu mesma, sou espontânea, e sou feliz. Mas isso não muda o fato de ficar com medo de mim às vezes...
Tudo bem que eu nunca quis ser mocinha de novela (tudo bem... eu assumo, quando eu tinha meus 15 anos eu sonhava com isso), afinal mocinhas são chatas, aborrecidas, tristes e sofredoras. Deus que me livre! Não quero isso para mim não. Mas também nunca cheguei a ser uma vilã, nunca cobicei o namorado alheio (aff... tudo bem isso é mentira! Mas pelo menos nunca cobicei os namorados das minhas amigas. Afinal, amigas e família são sagrados), Nunca usei de artimanhas para conquistar alguém (aff! Mais uma mentira- riso amarelo. Ai! Quem nunca fez um charme especial, armou um encontro que atire a primeira pedra). Ok, ok, só não matei, nem roubei, nem dei o golpe do baú (isso ainda está em tempo - rs- calma que é brincadeira) e nem peguei namorado de amiga. O resto?! Provavelmente já fiz tudo, afinal as vilãs sabem como se divertir, e, graças a Deus, eu também.
Não posso negar meu lado vilã. E sou obrigada a assumir que sim, que às vezes, fico feliz com a tristeza alheia. Não é nada proposital, e não me orgulho nada disso. Mas o que posso fazer? É mais forte do que eu. Como não se sentir extremamente feliz quando aquele cara dá um pé naquela menina nada a ver. Mas também não pude deixar me sentir péssima por ter ficado feliz com a tristeza alheia. Mas assim é a vida, aposto que outras tantas não tiveram o mesmo remorso que eu quando foi a minha vez de ficar triste. É assustador? Sim, mas assim são os seres humanos, muito mais vilões do que mocinhos...

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Por onde anda?

Leio com calma os textos até então publicados aqui e tem algo muito estranho. Tudo tão desperançoso, tudo tão cinza, tudo tão "dor de cutuvelo". Afinal, onde está aquela menina alegre, "colorida", que fala de tudo? Onde foi parar aquela mocinha bem humorada, que sempre tem um bom "causo" para contar, que não se veste de preto e nem de cores tristes porque não batem com seu astral? Cadê aquela menina que vive no mundo da lua? Onde estão as histórias bacanas, engraçadas e divertidas do Flavinha no Mundo da Lua?
Não sei... É muito esquisito ler esses textos e não ver neles o meu lado divertido, alegre, engraçado, colorido. Sinto uma terrrível sensação ao ver que aqui está meu lado mais triste, mais cinza (ai como eu odeio a falta de cor), mais desiludida. Ah, nem! Tudo bem que tudo que escrevi é totalmente verdade (para mim), e reflete bem o meu estado de espírito nos últimos tempos. Mas cansei (mais uma vez)! Chega de lamentações, chega de falar mau dos homens (vou tentar, mas acho muito difícil), chega de esperar o príncipe encantado (agora estou esperando um Sherek mesmo rs), chega de humor ácido (voltemos ao humor leve e despretencioso), chega de tristeza. Afinal, "a sorrir eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida".
O motivo da mudança repentina? Bom, foi mais ou menos assim... (senta que lá vem a história). No feriado fizemos a saída dos "abandonados" (nome, infeliz, que eu dei aos meus companheiros de saídas no feriadão. Abandonados que nada! Estávamos super bem acompanhados, melhor (quase) impossível!). As saídas foram ótimas, mas não posso deixar de esconder que cada um levava sua lamentação, e esta, claro está, tinha a ver com o seu abandono. Daí no sábado comentei com a minha irmã que iria me encontrar de novo com a mesma turma, e ela, estranhando perguntou:
- A mesma?
- Sim, somos os abandonados, vamos nos encontrar de novo.
- Abandonados??? Porque?
Expliquei a ela os motivos dos abandonos dos meus companheiros, mas não soube explicar o meu abandono. No que ela replicou?
- Mas você não está abandonada. Está sozinha por que quer.
No que eu olhei para ela com aquela cara de "será?". E respondi, não muito convicta:
- É... pode até ser. Mas o fato que eu não abandono meus amigos, e lá vou eu fazer companhia a eles, afinal somos solidários e não nos abandonamos (risos).
Já abandonando a idéia de sermos o grupo "abandonado", li uma matéria sobre as novas solteiras e o seu lema: "solteira sim, sozinha jamé!". Acho que me inspirei, e resolvi abandonar essa fase cinzenta e com dor de cutuvelo. Resolvi voltar às histórias engraçadas e bem humoradas, dessas que não tem muita pretensão de dar lição de vida em ninguém (afinal, quem sou eu, né?). O lema agora é: Solteira sim, não tenho problema algum com isso. Em busca do amor? Não exatamente (afinal, tenho uma vaga idéia de onde ele se esconde), em procura da felicidade, isso sim! Afinal, são nesses momentos fugazes onde se "esconde" aquela garota divertida, alegre, engraçada e colorida.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

"Eu não soube te amar"

Ontem me lembrei de um episódio que me aconteceu há vários anos (uns três ou quatro....) Na época estava começando a namorar e recebi um telefonema para lá de esquisito e misterioso. Tocou o telefone, na época eu ainda morava no apartamento da Capelinha, e quando atendo, ouço um violão e uma voz lá no fundo cantando: "Não me queixo, eu não soube te amar. Mas não deixo de querer conquistar uma coisa qualquer em você. O que será?" Sim, foi só esse trecho da música Eclipse Oculto do Caetano que, o moço misterioso, cantou para mim (?) ao telefone. Nada mais, nem mesmo respondeu à minha insistência em dizer quem era, apenas cantou, ficou em silencio ouvindo meus insistentes pedidos de revelar sua identidade (tenho certeza que hesitou e preferiu ficar no anonimato) até que desligou o telefone.
Pode ser que aquele telefonema nem fosse para mim, pode ter sido engano, trote, vai saber? O fato é que nada me tira da cabeça de que sim, que aquele telefonema surreal era para mim. Fiquei "encucada" com aquela história durante semanas, pensei, pensei, mas não consegui descobrir o autor de tal telefonema. Com isso acabei me esquecendo dessa história, quando ontem, não sei o porquê (a cabeça da gente funciona de tal maneira que não conseguimos entender), essa história surgiu novamente e tão fresca que consigo, até, me recordar daquela voz ao telefone.
Hoje vejo que só mesmo um homem para dizer essas coisas. Que mulher no mundo diria ao homem que ama que não soube amá-lo, e se resignar que o amor dela não é para ele? Sejamos realistas, NENHUMA. Para nós mulheres não existe amor "errado", afinal quer amor melhor do que o nosso amor sincero? Além disso, não somos do tipo resignadas (eu pelo menos não faço nem um pouco esse tipo), daquelas que se conformam e dizem: não, eu não faço bem para ele, meu amor está fazendo mal. Que mané fazendo mal! Como uma pessoa pode ficar melhor, mais feliz longe de quem se ama e de quem é amado? Isso, para nós, está fora de cogitação, é uma missão impossível. Românticas e insistentes que somos, acreditamos, piamente, na tese de que o amor pode dar certo, e damos quantas chances forem necessárias para que isso aconteça (pode ser que não aconteça nunca, mas bobas que somos sempre temos uma esperança).
Já com os homens... Daí a história é completamente diferente. Por mais absurdo que nos pareça, eles são realmente capazes de dizer que amam, mas que não podem seguir adiante. Num primeiro instante é como se eles estivessem falando grego, depois, analisando melhor a situação, a gente logo pensa: "_ Que cachorro! Ele fala isso de desculpa esfarrapada, se me amasse de verdade estaria comigo, daria mais uma chance para o nosso amor. Aposto de que o safado já está é enrabichado por outra (aposto que é aquela baranga horrorosa, o que ele viu nela?). Aquele cretino... ele realmente não merece o meu amor". Só num terceiro momento (muuuuuuito tempo depois) é que podemos cogitar a hipótese da sinceridade do sujeito. Afinal, homens são seres extremamente racionais e, sim, eles sempre optam pelo caminho mais fácil. No pensamento deles é melhor poupar sofrimento ao invés de investir no amor (eitha sentimento que dá trabalho).
É triste? Muito. Mas enfim... mulheres e homens pensam e agem de forma muito diferente. Mas é aí que está o encanto da coisa: encontrar o amor que seja resistente a tantas diferenças e que apesar das tentativas do eu não sei te amar sigam firmes e sempre querendo conquistar alguma coisa qualquer... E assim sigo eu, ouvindo, às vezes não tão poeticamente, os versos do Caetano uma, duas, três...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Pertubadora de solidão

Cecília Meireles já se perguntava se haveria na terra verdadeira solidão. Poxa! Parece que ela tirou essa indagação da minha cabeça... Assim como ela penso que é impossível ficar verdadeiramente sozinho. Por mais que estejamos sozinhos fisicamente, vivemos cercados de lembranças, sonhos, raciocínios, idéias, que impedem que estejamos na solidão.
Enquanto escrevo esse texto estou aqui assustadoramente acompanhada de minhas lembranças. Que terrível é não poder se livrar daquelas lembranças, que seriam melhor ficar empoeiradas em algum recanto da memória.
As lembranças têm vontades próprias, por isso nem sempre são as melhores companhias. E em qualquer movimento não calculado elas surgem com força total. Uma foto, um e-mail, uma possível presença, qualquer coisa pode trazer a tona essas recordações.
Hoje mesmo me veio à tona lembranças doces de um passado não muito distante. Mas como recordações tão gostosas podem ter um gosto tão amargo? Difícil explicar como e porque isso acontece. Não sei bem... quem sabe ainda me falte a serenidade do longo tempo transcorrido para que lembranças sejam apenas doces e empoeiradas lembranças de uma vida que já não mais reconhecemos?
São tão forte essas lembranças... Tento fugir, mas não consigo, penso em várias coisas, no almoço, na amiga que vem fazer uma visita, na sáida do final de semana, mas nada faz com ela vá embora. Arrisco uma outra estratégia, tento resgatar outras lembranças, de um passado mais longíquo e empoeirado. Em vão, este está demasiado distante, tão, tão distante que nem reconheço seus personagens...
A tal lembrança insiste em fazer morada na minha cabeça, e o que é pior, no meu coração (lugar de onde ela nunca deve ter saído). Nesse momento pertubador em que encaro, cara a cara, a dita cuja penso: Como queria poder ficar sozinha, de verdade, sem pensamentos, sem lembranças, sem companhia. Ser sei lá, uma feliz desaparecida. Poder ser só eu, desparecida de minhas lembraças (pelo menos até o momento em que elas se tornem emboloradas, difíceis de serem resgatadas, e quando recordadas só tragam aquela gostosa sensação de uma antiga história que ninguém sabe ao certo se aconteceu ou não).