É queridos leitores, sigo vivendo num Titanic. Para quem não sabe do que eu estou falando basta dar uma visitadinha básica no meu blog antigo, com as aventuras argentinas, e dar uma conferida na primeira e na segunda aventuras aquáticas que persistem em me perseguir. É isso mesmo! Mesmo longe daquela casinha que persistia em alagar, cá estou eu de novo à voltas à alagamentos, e à água, muita água (ainda bem que frequentei o Golfinho de Ouro na minha infância - senão não teríamos o relato nem do primeiro naufrágio).
Tudo começou com a nossa querida máquina de lavar, que mais parece um iceberg, que o digam os caras que fizeram a nossa mudança. Eu como a boaaaaaaaa dona de casa que sou coloquei a roupa suja pra lavar e lá fui eu me entreter com as minhas coisinhas: preparar aulas, ler, procurar artigos de primeira necessidade na internet, escutar música, falar com os amigos, fazer uns telefonemas, resolver um problemas... Enfim, até esquecer da roupa suja que tinha deixado para lavar.
Até que, de repente, não mais que de repente a campainha toca. Poxa, que estranho, fui lá ver qual era. O vizinho da frente, apontadno para o chão, e perguntando se vinha daqui de casa. No primeiro momento a ficha nem caiu, só vi a enorme rachadura no chão (eu tão lesada até achei que ele tava falando disso, e pensei, putz! mas isso deve vir do apartamento do lado, eles que estão reformando) e disse que ia dar uma olhada. Fui na cozinha dar uma conferida... e Plin, Plin! Putz! Tava tudo alagado! Já dava para nadar na área de serviço.
Não acredito! Vou desligar a máquina, mas a louca não para de jorrar água, tenho que ser radical e fechar o registro. Aff! Ó céus, ó vida! O jeito é arregaçar as mangas, ou melhor, a barra da calça e passar o rodo. Me dirijo ao corredor para falar com o vizinho. Tive ver o que os meus olhos definitivamente não queriam ver. Tinha água pra tudo quanto é lado, se perigar até invadindo os apartamentos alheios, sei que tinha água decendo escada abaixo, a situação tava feia. Ainda bem que moro no primeiro andar, imagina a água chegando a todos os moradores!
Então lá foi D. Flávia passar o rodo e dar um jeito na situação. Graças à alma bondosa da vizinha da frente, tive o reforço da moça que trabalha por lá, senão ficaria a tarde toda por conta de dar um fim naquele mar que saia por debaixo da minha porta. Passa o rodo aqui, passa o pano lá, torce o pano acolá, torna passar o rodo... E assim foi até mandar tudo garagem afora, secar tudo prédio adentro. Uff! O equivalente a uma semana de hidroginástica.
Doce ilusão de que tinha tudo acabado, mamãe chegou e a casa ainda estava alagada. E lá fomos nós, trabalhadoras braçais pra fuça para domar a força das águas. E mais rodo, mais pano e... Ufa! Tudo seco, tudo limpo, tudo lindo, e toda quebrada, toda molhada, toda arrasada. Mais um naufrágio, e mais uma vez sobrevivente euxaurida e com a leve impressão de que quando menos esperar essa saga vai me perseguir de novo. Força! Mas não sei... Sinto falta de alguma coisa nessa história... sei lá uma coisa assim bonita que se afoga...
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