(Calma que não é charada).
Se me perguntarem o que se passa comigo. Direi, parafraseando, a música da Maria Rita: “Não sei responder, não sei explicar”... Mas sei que alguma coisa “nasceu dentro de mim, me fez renascer, me fez despertar”.
Os leitores (se é que eles existem), mais ou menos atentos, podem até dizer: essa charada é fácil, o que acontece com é ela é claro, é óbvio, é o “danado do amor”. Mas, péra lá, já disse no começo que não é charada. E além do mais, devagar com a dor, que o amor é um bichim complicado, que não pega assim tão fácil uma mineirinha desconfiada como euzinha aqui. Afinal, não sou mais adolescente e as coisas ganham um plano, um ângulo diferente quando a vida é real, e as pessoas já são calejadas.
Entonces, não, não é o amor que nasceu dentro de mim, pelo menos não nesse momento (ele já nasceu e renasceu um par de vezes, e pode vir a brotar a qualquer instante, afinal, nunca se sabe...). Mas e então? Que diabos foi o que aconteceu com essa garota que vos fala?
Não sei explicar, mas arrisco a tentar fazê-lo. Aconteceu que fui “sacudida”, fui chamada a rever velhas posturas, velhos sentimentos, velhos desejos, velhas vontades. Vi que estava sendo conservadora (ai, como odeio isso!) ao me “fechar” em esquemas seguros (em partes) e não olhar à minha volta. Já tinha meu repertório pronto, de quem gostar, de quem querer, de quem desejar, quando querer, quando arriscar, porque querer, porque desejar.
Daí de repente, não mais do que de repente (na minha ilusão), sou sacudida e levada (quase que obrigada) a largar meu esqueminha. Não, não posso dizer que fui obrigada, porque me deixei levar, me permiti. Mas, confesso que me causou (e ainda causa) grande espanto esse desprendimento repentino aos meus velhos planos e esquemas. Resisto e tento não entregá-los por completo, pelo menos não 100%. Será que não dá para abrir mão só 50%? Não! É a resposta que tenho. Putz! Arregalo o olho, engulo seco e sem pensar bem deixo me levar mais uma vez.
O que sinto agora? Uma mistura de coisas. Um medo imenso de ir largando as coisas assim, de mudar tanto assim. Um apego incrível as coisas velhas, ainda restam uns porcentinhos razoáveis que não larguei mão, e que só o farei, tenho quase certeza absoluta (porque sou assim), quando, efetivamente, for chamada a fazer uma escolha. E, é disso que mais tenho medo... Porque do jeito que sou medrosa e burra vou acabar fazendo a escolha errada (para variar...) e me apegar, novamente, aos velhos esquemas (nada) seguros, que mantém a minha vida na eterna (falta de) tranqüilidade e certeza.
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