Escrever é cortar palavras. Como diria Drummond, “até mesmo as cartas extensas não dizem metade do que deixou de ser escrito”. Começo meu post dizendo isso que é para me justificar, com antecedência, a impossibilidade de exprimir em palavras a experiência que tive e que agora habita minha cabeça, minha alma e todos os recantos que possam existir em mim.
Afinal, como simples palavras poderiam ter a pretensão de explicar o que poemas, músicas, olhares, sorrisos, gestos não conseguiram? E olha que tudo isso esteve unido ao que eu chamaria de “aura mágica” e que fez parte de uma coisa muito maior e que está relacionado ao encontro de almas. Como me disse uma alma através das palavras de Fernando Pessoa: “As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade”.
Mas, mesmo que as palavras sejam vãs diante de tal encontro, me arrisco a descrever o que ficou em mim, mesmo que uma infinidade de coisas que ainda não inventaram palavras para elas fique de fora.
Porque tal encontro me marcou tanto? Tanto que sou capaz de dizer que nunca, isso mesmo nunca, tive uma experiência que chegasse perto do cheguei a experimentar faz um par de dias. Nem com os homens que arrisquei a dizer que amei um dia, nem os dias mais felizes com eles chegaram próximo a esse encontro. Porque? Muitos devem estar achando que eu, finalmente, encontrei o amor da minha vida. Não, não é isso, pelo menos não esse amor romântico, tradicional, que todo mundo está acostumado. O que é? Não sei, acho que ainda não inventaram uma palavra capaz de ser fiel ao que aconteceu nesse encontro de duas almas muito particulares, e que se abriram, completamente, para o desejo que as impulsionavam.
Se é só desejo? Também não sei responder, mas arrisco a dizer que há muito mais coisas envolvidas. Há identificação, há sinceridade, há arte, há música, há poesia, há inquietação, há mistério... Todos esse ingredientes e mais um montão que sou incapaz de nomear que marcaram um encontro que homens comuns não são capazes de oferecer a uma mulher que quer mais do que os filmes românticos ditam.
Não tenho palavras para dizer o que senti, me limito a dizer que adorei demais tudo. E que o mistério do que é isso, e de onde isso vai parar é o que me move a querer mais e mais. Afinal, o que importa não é o “e agora?” e sim “o para onde?”. Mas como disse, mais uma vez, o Drummond: “O caminho é mais importante que a caminhada”.Bom, agora é hora de seguir meu caminho, “aunque sea solo hoy”...
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