A moda agora é dizer como nós, mulheres, somos o sexo forte, em como estamos na vanguarda comportamental, em como revolucionamos os relacionamentos. Hoje o retrato de "grandes" mulheres são traçados como aquelas lindas mulheres bem sucedidas profissionalmente, super independentes (às vezes tão independentes que parecem sempre estar sozinhas), super bem resolvidas sexualmente, desencanadas em relação ao sexo oposto (tão desencanadas que acabam não engatando um relacionamento sério), solteiras e sem filhos. As novas e super mulheres devem ser duras na queda, não podem dar mole, têm que trazer os homens na mão, têm que superar uma desilusão amorosa como se fosse um almoço de negócios cancelado, chorar então? Nem pensar! Afinal, grandes garotas não choram.
Penso nesse novo (mas nem tão novo assim) perfil de mulher e almejo, tenho como certo de que sou uma dessas novas mulheres, que estão na vanguarda do comportamento. Ainda não sou totalmente independente e nem atingi meu sucesso profissional, mas sei que um dia chego lá. Mas por outro lado não quero ser essa mulher. Acho muito triste ter que ser durona sempre, não poder se acabar de chorar de dor de cotovelo, não se dar ao direito de viver intensamente aquela paixão do começo ao fim. Se for para ser assim prefiro ser chamada de antiquada, de mulher do século XIX, mas não abro mão de ser manteiga derretida, de chorar naquela comédia romântica, de sonhar com o amor batendo na porta, de querer dividir a vida com alguém especial, e ter filhos (porque não?).
No meu ponto de vista grandes mulheres não só são independentes, bem sucedidas, pós-modernas e bem resolvidas. Eu diria que elas são tão bem resolvidas que elas sabem que podem chorar, se descabelar, sonhar, e que nada disso tirará o que elas conquistaram. Que mulheres que não choram são apenas meninas medíocres querendo parecer uma grande mulher.
Choramos sim (e muito), mas isso não nos torna o sexo frágil. Muito antes pelo contrário, só mostra como mulheres podem ser independentes e bem resolvidas sem deixarmos de sermos sensíveis. E é esse plus que nos tornam mais do que especiais, mais mulheres do que nunca, mulheres (com "m" mais do que maiúsculo).
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