terça-feira, 20 de maio de 2008

Reconhecimentos

É mais comum do que eu gostaria que eu me pegue pensando: Será que essa sou eu de verdade? Sei que parece complicado o que estou dizendo, mas é que às vezes não reconheço em minha essência essa Garota maluca, divertida, faladeira, extrovertida. Sim, porque muitos reconhecem em mim essa pessoa, inclusive assim me definem. Mas, são muitas as vezes em que essa Garota não existe, e o que habita em mim é a Menina transparente, tímida, reservada, que não sabe o que falar e nem como agir. Aliás, essa Menina nunca deixou de estar em mim, nem nos momentos que a Garota extrovertida estava em seu (ou meu?) ápice.
E é aí em que eu me pego pensando: afinal, o que será em mim carapuça o que será essência? O que será real e o que será simulacro? Será que tudo mesmo é ou não é? Aí que me confundo toda e já não sei de mais nada. Ou melhor, sei de uma coisa. A Menina, essa que reconheço em mim desde os remotos tempos da infância, que esteve comigo durante toda a adolescência, e que ainda encontro (mesmo que não tão freqüentemente) nos dias de hoje, essa sim é uma grande parcela de mim. Arriscaria dizer que ela é minha essência, quando ela vem à tona é quando me sinto mais exposta, mais frágil, mais eu... É quando sinto que estou vulnerável, é quando o Outro pode conhecer, verdadeiramente, o que habita dentro de mim: meus sonhos, meus desejos, meus sentimentos, eu...
E que medo eu tenho disso. Sei lá, às vezes acho que a Garota existe para proteger a Menina. É ela quem permite que a Menina viva as coisas mais incríveis, conheça gente a mais diversa, ria e se divirta como, talvez, ela nunca tivesse coragem. Mas ao mesmo tempo a Garota oculta uma parte tão singela, tão simples e tão suave da Menina. Muitos nem se quer imaginam que por trás daquela Garota firme, decidida, maluca e falante, existe uma Menina de olhar doce, sorriso suave, e coração maior do que ela mesma.
Num primeiro momento, o leitor (ou amigo) desatento poderia dizer que a Garota é a carapuça que esconde a essência (real e verdadeira) da Menina. Será mesmo? Bom, tudo bem a Garota é uma carapuça, é um simulacro. Afinal, ela que habita a minha camada “superior”, ela é um produto meu, eu que a inventei desse jeitinho, de um modo ou de outro fui eu quem a fez ser assim. Ela é um produto da minha realidade, de como resolvi lidar com as coisas, com as pessoas. Melhor dizendo, ela foi o eu que construir para preservar a Menina, tão frágil, deste mundo tão maluco. A Menina? Essa é a essência, a que habita minha camada “interior”, vinda à tona quando alguém faz com que a Garota perca a ação. A Menina se me escapa das mãos, não consigo controla-la, quando dou por mim ela já me entregou por inteira. Ambas, muito eu, oras mais oras menos.

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