domingo, 6 de julho de 2008

Dói-me o estômago

Ontem escrevi o post que está logo aqui embaixo, e nele disse haver percebido a verdade, essa de que não inspiro sentimentos “nobres” que podem levar ao amor. Estava falando no tal amor romântico e blá, blá, blá. Até aí tudo bem não inspirar tais sentimentos, até porque nem sei se conseguiria lidar com eles melosos e grudentos como costumam vir. O problema todo foi ouvir uma outra verdade. Essa sim dura demais. Foi como um soco no estômago, e também tem a ver com inspirar sentimentos em outras pessoas.
Antes do soco, propriamente dito, uma explicação. Depois de haver rompido um relacionamento de 2 anos e meio, isso lá em princípio de 2006, comecei a dar uma importância à amizade como nunca havia feito até então. Amigos, assim como minha família, sempre em primeiro lugar. Qualquer hora do dia ou da noite que algum amigo precisasse de mim lá estava eu, para dar o ombro, para acompanhar nos programas de índio, para descontrolar numa balada, para conversa fiada, para escutar os problemas. Enfim, lá estava eu, pau para toda obra.
De um tempo para cá me cansei. Falei aos meus amigos que tava cansada de animar todo mundo, de ficar mobilizando sempre Deus e todo o mundo para sair e blá, blá, blá. Que eu é que estava precisando que me chamassem e me animassem. Parece que ninguém me levou a sério, me falaram: “Que é isso, Flavinha? Você é a mais animada, a mais querida, a mais ‘aglutinadora’. Claro que você vai estar sempre presente em tudo, né?”. É... não sei não.
Daí ontem, como em outros finais de semana, cá estava eu sozinha em casa. Ao contrário do que era “normal”, nada de enxurrada de telefones, muito porque eu já estava sem saco, como disse antes, para ficar mobilizando a todos. Telefonemas? Bom, só uma amiga que queria saber como eu estava, perguntar do trabalho e dizer que esse final de semana não ia rolar de sair porque era niver da vó, mas que queria ver se nos encontrávamos depois. No que eu disse que não estaria no próximo fim de semana, e ela sugeriu um almoço, pois estava com saudades. Tudo bem, alguém finalmente demonstrando interesse em, realmente, conversar comigo.
Mais tarde uma outra amiga me liga perguntando qual é a boa do sábado. No que eu logo respondo, que não sabia, que ninguém havia me procurado, que eu não tinha procurado por ninguém, mas que estava afim de sair, que era só me convidar que eu ia. E quem disse que veio o convite? No lugar disso só um então vou ver o que rola e logo te ligo. Além disso, só uma pergunta pela minha voz desanimada. No que eu disse, que estava meio assim mesmo. Talvez um ensaio de interesse real pela minha pessoa.
Lanche com a família, e eu ainda sem nenhum convite para sair. Nessa, a verdade, o soco saído da boca do meu pai, sempre ele para me dizer as verdades mais doloridas. “Vocês já perceberam que os amigos da Flávia só ligam para ela quando não tem nada para fazer?”. Na hora, panos quentes, “que isso? Não é bem assim”. Riso amarelo da minha parte “ah, não é assim que as coisas funcionam, né?”.
Verbalizei uma coisa e pensei outra. Pior que é verdade. Meu Deus! Que droga de vida é essa? Putz, faço de tudo para meus amigos e que recebo em troca? E olha que nunca fiz nada pensando em receber algo em troca. Mas, não custa nada dar um telefonema ou fazer um convite a quem se diz "querer bem", não é mesmo? Bom, pelo menos acho que não.
Por essas e outras que quero dar uma sumida, sair do circuito, respirar outros ares, passar os fins de semana longe, ir para São Paulo. Quem sabe assim saudade de mim, que se resume a falta de programa melhor, se transforme em falta da minha presença? Não sei... Já não sei de mais nada.

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