quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O passado

Quando li a resenha do filme O passado, do Hector Babenco com o Gael García Bernal (lindíssimo, ainda mais com aquele cabelo estilo argentino, aquele sotaque...- suspiros e mais suspiros) pensei que teria muito a dizer sobre esses homens passivos que deixam, de uma forma ou de outra, que mulheres guiem suas vidas (para o bem ou para o mau). Já tinha até preparado todo meu repertório, sabia exatamente o que dizer, o que criticar. Ia chamá-los de fracos, ia dizer (indignada) que eles se deixam levar por essas mulheres mas que não se deixam levar pelo que sentem. E ia dizer mais, que mulheres que amam de verdade um homem, não guiam a vida dele, não o influencia, muito pelo contrário, ela o deixa livre para fazer suas escolhas, desenhar o seu caminho, mesmo que isso signifique que ela fique de fora e vire uma mera espectadora.
Mas não, não é nada disso o que eu tenho a dizer depois de ter visto esse filme. Racionalmente, continuo pensando que quem ama deixa o outro livre para fazer suas próprias escolhas, mas como não ficar intrigada com Sofia? Durante a sessão fui ficando incomodada, me sentia estranha, apertada, sufocada. Todo esse incomodo não era a indignação (que imaginei que sentiria) pela passividade do tal Rimini, por ele não resolver as pendencias de relacionamentos antigos, e, o que é pior de tudo, ainda ser o charme em pessoa. Apesar de ficar muito irada com esse tipo de coisa, não era isso que estava me incomodando naquela sessão.
O que me incomodava era a Sofia. Que mulher era aquela, que amor era aquele? De certa forma me identifiquei com ela, mas que fique claro, acho que não sou louca como ela. E que mulher de certa forma não se identifica pelo menos um pouco com ela? Acho que isso me deixou com essa sensação estranha.
É complicado perceber que apesar de todo um discurso feminista, indepentente e forte, você também é um pouco dessa mulher obsecada por um homem (que você julga ser o amor de sua vida), dessa mulher que é capaz de fazer qualquer coisa por aquilo que acredita. Pode parecer radical, mas nós mulheres, somos apaixonadas ao extremo, capazes de lutar até a última força por uma amor que não existe, somos capazes de acreditarmos em uma coisa que nunca existiu e nem existirá, e somos, acima de tudo, capazes entregarmos nossas vidas, nossos sonhos, nosso corpo e nossa alma por um amor.
E diante de tudo isso, do Passado, e do futuro (porque não?) eu me pergunto mais uma vez (plagiando o Jota Quest): "Afinal, será que amar é mesmo tudo?" Sinceramente? Não sei...

Um comentário:

Larissa Nunes disse...

fiquei com muita vontade de ver o filme, Flavinha. bem, concordo com vc. acho que uma mulher é capaz de fazer tudo pelo amor de sua vida. o homem tb faz muita coisa, mas nem sempre por amor. acho, na verdade, que muitos fazem mais pela vaidade do que pelo amor.
mas voltando as mulheres.. acredito que elas são capazes de ir ao extremo quando estão apaixonadas. só que o objeto de amor, de paixão, de uma mulher nem sempre é um homem. acho que uma mulher pode se apaixonar por uma causa, por uma história, por um lugar com a mesma intensidade com que se apaixona por uma pessoa. e pensando nisso, acho que sim, "o amor é mesmo tudo".

bjoss

Larissa

p.s: demorou, mas o comentário chegou, rs.