“Socorro”, sim foi exatamente isso o que eu disse quando a garçonete me entregou um guardanapo dobradinho e me disse: “- Mandaram entregar para você”. Nesse momento todos da mesa pararam a conversa, os risos, a cerveja por um instante e olharam para mim com aquela cara “e...”. E... eu com cara atônita:
- Socorro! O que eu faço agora? Nunca recebi um trem desses não!
- Pô, Flávia! Abre esse trem e lê primeiro.
- Ah ta, brigada...
E qual não é a surpresa quando abro o guardanapo e leio na primeira linha: “oi, Flávia” Como assim??? Sou “torpedeada” e ainda por cima por um conhecido? Porque diabos ele não veio falar comigo diretamente? Continuei lendo “não sei se você se lembra de mim, blá blá, blá... Será que posso tomar um pouco do seu tempo? Assinado: X (bom não vou colocar o nome aqui, né? Vai que ele lê isso e fica com raiva de mim)”.
- E aí, Flávia! Conta, conta! O que está escrito aí.
- Gente, vocês não vão acreditar! Leiam isso daqui. Ele me conhece!!!!
- Que isso! Quem é? Quem é?
- Uai! Não sei... Bem que eu vi um rosto que não me era estranho. E agora? O que eu faço? Quem poderá me defender?
- Rapidão, vamos observar. Quem mandou o torpedo deve estar olhando para cá... Olha ali! Uma mesa no fundo, tem um monte de homem olhando! Ai, Flávia, tem um de camisa verde que é até gatinho!
- Ai gente, eu não enxergo daqui!
- Pergunta para a garçonete quem mandou, oras!
Tlin, tlin (a ficha caiu)!
- Já sei! Foi o cara que eu vi quando cheguei! Ele estudou comigo no jardim da infância! Estou boba! Nossa, mãe! Ele é feio demais da conta!
- E o que você vai fazer agora?
- Vamos no banheiro que vou confirmar se é ele mesmo.
Entrada do banheiro, eu olho discretamente (se é que isso é possível) para mesa e confirmo minhas suspeitas.
- Meninas, é ele mesmo. Olha ali o cara de blusa bege, o feio.
- E o que você vai fazer agora?
- Vou lá cumprimentar, né?
Saída do banheiro, e a Flávia, menina bem-educada, vai falar com o autor do torpedo. Oi, oi. Como você está? Quanto tempo? O que você anda fazendo? Ainda mora por ali? Blá, blá, blá e ah! Deixa eu ir que minhas amigas estão me esperando...
E ainda quando estou de retirada um dos amigos dele ainda me para e pergunta (para completar) “ei, você é a menina que ele mandou o torpedo” , sorriso amarelo e “é sou eu mesma”. “nossa! Ele ficou mó tempão pensando em como escrever para você”, sorriso mais amarelo ainda e eu ficando vermelha, roxa, amarela....Para completar a história ainda escuto umas zoações das minhas amigas, é claro! Afinal, elas perdem a amiga, mas não perdem a piada. E ... ai, ai, ai cada dia tenho a certeza maior de que certas coisas, realmente, só acontecem comigo.
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