sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Coisas que eu sei

Num dos meus momentos de distração preferido, a hora da novela das oito, escutei uma música que me chamou muita atenção. A música é tema do Evilásio (Lázaro Ramos) e Júlia (Débora Falabella), e achei que ela também tinha um pouco a ver comigo. Assim que tive tempo "baixei" ela, e, como é típico da minha pessoa, quis escutá-la um milhão de vezes, mas como quase não fico em casa essa missão fica para o fim de semana.
Mas mais do que uma música que gostei, quando li a letra completinha e com calma tive um estalo: "Caramba. Porque não fui eu quem escreveu isso?". A resposta é simplérrima: 1) Não sou tão boa assim com as palavras; 2) o meu negócio é prosa e não verso; 3) a gente só se dá conta de certas coisas quando outras pessoas fazem ou dizem para nós.
Mas enfim... Não adianta eu ficar aqui com inveja de quem escreveu a música. O fato é que toda ela expressa muito bem o que eu sinto e o meu jeito de ser. Mas tem uma parte... essa é especial tem TUDO a ver e é ela que será tema desse post. Aí vai ela: "Coisas que eu sei / Eu adivinho sem ninguém ter me contado".
Desde os tempos remotos do colégio eu "adivinhava" coisas, em especial aquelas que tinham a ver com o coração. Antes mesmo de um romance acontecer eu já cantava a bola, e sempre foi batata, eu acertava todos. Muitos podem dizer que as pessoas ficavam sugestionados com meus palpites, mas não tinha nada disso, porque em muitos casos nem comentava com os envolvidos, falava só entre minhas amigas. Por causa disso minhas amigas ficavam impressionadas com esse meu "poder".
O tempo passou e permaneço com esse "poder" de adivinhar as coisas, mas só aquelas relacionadas ao coração. Porque senão já tinha ficado rica jogando na mega sena (rs). Mas agora a coisa é mais comedida, já não adivinho, como antes, quem gosta de quem, quem fica com quem. Hoje o esquema é diferente, posso dizer exatamente como se sente ou com quem está uma pessoa a quem eu conheça profundamente. Já não dou mais notícias de colegas, agora só consigo adivinhar coisas sem ninguém ter me contado a respeito de meus amigos.
Mágica, poder, intuição? Nada disso. A explicação é simples e já foi dita certa vez para uma pessoa que ficou realmente assustada com esse trem de saber das coisas tão exatamente, inclusive com nomes, e é claro, sentimentos. Os céticos dirão que eu como uma boa jornalista que sou, tenho minhas fontes (sagradas), que me falaram tudo e eu simplesmente disse o fato sem revelar quem me contou. Nada disso! Nesses casos nem existem fontes capazes de me dizer tais coisas. Eu simplesmente sei, não sei bem como mas sei, e com uma riqueza de detalhes capaz de deixar qualquer um impressionado.
A explicação que dei à pessoa, sobre quem adivinhei um montão de coisas, foi que eu a conhecia tanto, mais tanto, que eu sentia (e de repente já sabia com certeza absoluta) o que ela pensava, o que ela sentia... E isso não era nenhum poder especial, é que sou uma pessoa observadora, é como se eu juntasse as peças de um quebra-cabeça, e quanto mais eu conheço uma pessoa, mais fácil é saber o que se passa com ela mesmo que ela não te diga um "a".
Acho que muita gente, inclusive essa pessoa de quem eu sei um milhão de coisas sem ela me haver contado, acha que isso é coisa de quem pensa que sabe tudo. Não, não é isso! Tudo bem que "é meu ponto de vista, não aceito turistas / meu mundo está fechado para visitação". Mas não podemos negar os fatos, que eu sabia eu sabia... Mas o problema de saber dos sentimentos de outras pessoas, é que, muitas vezes, elas preferem ignorar certas coisas. Nesses casos o melhor é parar de insistir nas nossas certezas (quem sabe não estou errada? Apesar de sentir, muito fortemente, que não), e deixar que cada um possa descobrir por si (por mais que isso possa demorar um século) o que se passa em seu coração. Apesar dessa decisão ter sido tomada, e eu estar pelejando comigo mesmo para segui-la, são coisas que eu sei.

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